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20/03/19

Raposas ...

As notícias em letras grandes sucedem-se a um ritmo frenético. Ainda não nos refizemos de uma que a outra se sucede a prender a nossa atenção. Um dia havemos de nos cansar de vez e deixar de ler e ouvir notícias. Mas essa é uma longa conversa, ou melhor, uma longa reflexão. 

Ontem um tiroteio numa mesquita na Nova Zelândia (para quando uma comoção mundial para as mortes de cristãos nas igrejas no Egipto ou no Paquistão, entre outros locais hoje impróprios para cristãos?), ou um outro tiroteio num eléctrico em Utrecht que se pensou ser querela familiar, mas afinal já não será e o espectro do terrorismo a espreitar. Hoje, tal como ontem, são ainda as cheias em Moçambique e a calamidade de sofrimento humanitário que nos mobiliza. Mas hoje há mais, ou não vivêssemos todos o suspense dessa novela em capítulos intermináveis chamada Brexit. Hoje, como se diz na gíria de telenovelas, houve capítulo duplo. Nesta fase, e fosse eu Britânica, já só pedia para que tudo acabasse a 29 de Março, sem acordo se necessário fosse, mas a telenovela tem de ter um fim; depois despedia os políticos que deixaram o país neste caos, indecisão e medo, e aproveitava para mandar os Donald Tusks deste mundo, ou melhor da EU, pentear macacos para bem longe de Bruxelas. 

No entanto foi um telefonema simples e curto que recebi que me apanhou de surpresa. Será um fait divers, (para usar uma expressão cara a Jorge Coelho) mas não estava preparada. Afinal, quem espera uma notícia assim? Neste mundo urbano e tecnológico em que tudo se programa não há espaço para estes imprevistos: não vou ter, na aldeia, os frangos campestres que encomendei para na Páscoa trazer para Lisboa. (Já congelados, claro, porque embora seja boa no manuseamento de facas, ando- no mínimo -  pouco treinada a matá-los e depená-los). Não há frangos tão simplesmente porque a raposa os apanhou e comeu. E não há nenhuma app que me valha. Raposas ...

23/03/13


Quais considerações sobre liberdade de expressão, quais considerações sobre as escolhas editoriais da RTP, ou o seu processos de privatização, ou o seu financiamento. Quais considerações de índole táctico-política sobre a oportunidade e desejabilidade da aparição da ‘criatura’. Para que não haja dúvida, para mim o caso é simples e resume-se a isto que está aqui


Ler mais aqui (creio que não está online) aqui (creio que não está online) e aqui.

10/03/13

Assim se Passou uma Semana

Esta semana já não se podia olhar para a televisão, ou seguir de perto outros meios de comunicação. A morte de Hugo Chavez – prontamente canonizado nesses já habituais processos populares e mediáticos de canonizações laicas – dominou o espaço comunicacional ao exagero. Seguiram-se os fait-divers do Vaticano e por extensão os da Igreja Católica: os sapatos papais, as chaminés na Capela Sistina, os cardeais “papáveis”, o Vatileaks, as especulações sobre o dossier secreto pedido por Bento XVI a três Cardeais sobre a Curia, os Cardeais com acção duvidosa (encobrimento) em casos de pedofilia, e, imagine-se, até vejo noticiado aqui esse facto de indiscutível pertinência que é a posição da Igreja católica Croata sobre a educação sexual nas escolas croatas. Como se estas lavagens cerebrais não bastassem, cá dentro (em Portugal) discutia-se o salário mínimo – um pindérico ersatz do debate que o governo (e oposição, e sociedade civil...) não sabe nem quer fazer sobre as opções políticas para uma reforma do estado – e não faltou sequer o Dr. António Borges a dar o seu parecer com aquele sentido de oportunidade a que já nos habitou. 

Sobrou o Dia Internacional da Mulher, um dia muito celebrado nos países muçulmanos e nos países de leste da ex-esfera da ex-União Soviética. Por algum motivo que ainda não percebi, este ano o folclore e os clichés lamechas mantiveram-se distantes de mim, tendo sido a minha atenção canalizada para as inúmeras estatísticas sobre a condição/situação da mulher em diferentes partes do mundo que, a pretexto do Dia da Mulher, foram publicadas em diferentes meios de comunicação. Não fui confrontada com nada que não se soubesse ou adivinhasse, mas o impacto de ler tantas estatísticas em tão pouco tempo deu – de repente uma outra dimensão e significado a um “Dia de” que preferia não existisse. Há muito a fazer para garantir a segurança das mulheres e seus filhos, e garantir a igualdade de tratamento e de oportunidade para as mulheres do mundo todo. Maria João Marques lembra algumas das mais importantes questões neste post ‘levezinho’.

31/12/12

2012

Os que falaram demais: Mário Soares, António Borges, Marinho Pinho, Miguel Relvas, Isabel Jonet, Baptista da Silva,

Os que falando demais continuam, hoje como ontem, a nada dizer: António José Seguro, Jorge Sampaio,

Os que falam sem nunca se lembrar do que disseram ontem: Pedro Passos Coelho, Victor Gaspar, François Hollande,

Os que falam sem fazer ideia do que estão a dizer, apesar das leituras juvenis: Pedro Passos Coelho,

Os que falam sem saber bem o que hão-de dizer, nem o que estão a dizer: Carlos Zorrinho,

Os que falam convencidos da importância do que dizem: José Manuel Durão Barroso,

Os que sabem falar bem no matter what, mesmo que não saibam o que fazer: Barak Obama,

Os que, tendo-nos habituado a que os ouçamos falar muito, falam agora bem menos: Paulo Portas, Luís Filipe Menezes,

Os que continuam a gostar de se ouvir falar, falar, falar, e que têm quem os ouça, ouça, ouça: Marcelo Rebelo de Sousa,

Os que falam pouco – verdade que também não se sabe o que poderiam dizer, pelo menos em público: Cavaco Silva,

Os que falam pouco – e ainda bem pois ninguém os quer ouvir nem deixaram saudades do que diziam quando falavam: José Sócrates,

Os que continuam a gostar de se ouvir falar, encrespados com o que dizem: Mário Crespo,

Os que falam e de quem se fala, sem que perceba porquê: Walter Hugo Mãe,

02/12/12

Disseram Reorganização Administrativa do Território?

Leio os jornais online sobre a reforma administrativa do território e fico sem perceber nada. 'Não perceber nada' começa a ser uma constante no contexto político dos anos recentes. Não percebia nada com José Sócrates, e o que percebia não gostava, e continuo ainda mais baralhada e confusa com este governo. No entanto José Sócrates tinha a “virtude”, do ponto de vista de quem quer perceber, e só, da sua determinação e teimosia. Não tinha uma ideia política consistente e sólida do que queria para o país, sobrava-lhe ambição e a dita determinação que se concretizava no anúncio de medidas, avulsas e díspares dia sim dia não. Percebíamos as medidas, percebíamos a intenção (explícita ou implícita), mesmo quando discordávamos – eu discordava, zangada e indignadamente, quase sempre, como qualquer passar de olhos pelos arquivos deste blogue confirma. 

Este governo consegue ser ainda mais confuso: tem um discurso redondo e parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, muito explicativo. Também não tem uma ideia política nem tão pouco uma visão com um mínimo de solidez para um país que cada vez mais se percebe que não conhece. As intenções do poder político, essas, continuam a perceber-se com demasiada facilidade, e as medidas não podiam ser mais confusas. Como referi: não percebo nada. Vejamos: 


Que é isso de “reorganização administrativa do território das freguesias”? Pode-se fazer isso sem ter as autarquias em consideração? Que reorganização administrativa começa a ser feita ‘por baixo’ em vez de ser feita ‘por cima’? Porque é que não há um projecto concreto (e não umas ideias confusas atiradas para a comunicação social) de reorganização administrativa global do território em vez de um projecto para freguesias e outro para autarquias. Porque é que se lêem títulos díspares e incoerentes nos jornais?


Ou: 


E já agora a propósito destas ‘agregações’ de autarquias, porque é que, de repente, se fala de agrupar a autarquia do Porto e de Vila Nova de Gaia na comunicação social? Anda a Comunicação Social, ou outros políticos com aspirações e ambições a fazer o frete a Luís Filipe Menezes? Quem nasceu e conhece o Porto sabe que o Porto é a margem norte do Douro e Gaia a margem sul do Douro, duas realidades tão díspares que espelham géneses e tradições que pouco se tocaram e que só a ignorância (ou outras agendas) que não as do Porto e de Gaia, pode pensá-las semelhantes. O Porto é urbano e burguês. Em Gaia há ainda redutos de agricultura, há um feeling de província, há freguesias pesqueiras, há praia e há zonas residenciais de qualidade. Se o turismo recente tem contribuído para uma maior aproximação das freguesias na parte em que quase se tocam – o Douro – esse tocar é só isso mesmo, nada mais. 

Talvez não fosse má ideia lembrar os fazedores destas ideias sem sentido que Porto e Gaia não são propriamente Paris com a sua Rive Droite e Rive Gauche, nem Londres atravessada pelo Tamisa ou Buda e Peste poeticamente separadas pelo Danúbio. Enxerguem-se, por favor!

26/06/12

Euro 2012


As ‘entrevistas de rua’ são uma das pragas dos nossos noticiários televisivos. A ideia de ir para a rua perguntar a quem passa se concorda com isto ou aquilo, o que pensa desta ou daquela proposto de lei, data, pessoa, acontecimento, ou o que acha que vai acontecer depois disto ou daquilo, é de uma falta de interesse ou relevância ímpar, por mais interessantes ou relevantes as questões em causa. Confunde-me o tempo (e recursos) que se desbaratam a perguntar às pessoas ou que elas não sabem responder, ou que já tem uma resposta previsível, ou o óbvio, normalmente o óbvio, sempre muito óbvio. Mais uma vez confirmei o que acabo de escrever neste fim-de-semana passado quando, por exemplo, vejo a Rosa Veloso (correspondente da RTP em Espanha) a perguntar aos madrilenos adeptos do Real Madrid se querem que Cristiano Ronaldo marque golos no jogo da próxima quarta-feira entre Portugal e Espanha. Ela profissional esforçada, consegue ir a ‘outro nível’: não pergunta ao madrileno comum se quer que a Espanha ganhe a Portugal no jogo, nada disso. Indo ‘mais além’ no que ela pensa poder ser alguma hesitação entre lealdades, faz a rebuscada pergunta introduzindo os obstáculos Real Madrid, Cristiano Ronaldo, Pepe. Uf! Que esforço fez... Mas em vão, cara Rosa Veloso, porque por muitas distracções que imagine e verbalize na sua pergunta, por muito que se esforce a tentar uma hesitação, por muitas pessoas diferentes que entreviste, o essencial não muda. Os espanhóis continuam a querer que a Espanha ganhe, os Portugueses que Portugal ganhe, os Alemães que a Alemanha ganhe e os Italianos que Itália ganhe. Quem diria!

09/06/12

Da Paciência

Não têm faltado na comunicação social tratados sobre a paciência (segundo Passos Coelho a vê) em debates, crónicas e opiniões. Aliás Passos Coelho e a sua já conhecida attitude complacente (pieguice, desemprego como oportunidade, emigrar, etc) traduzida em frases tão banais que nem os mais elementares manuais de auto-ajuda se atreveriam a inclui-las, parece insistir em proferi-las, coisa que começa a espantar e a interrogar-me sobre o papel de tantos assessores e especialistas. Será que não aprende nada com os erros? Aparentemente não consegue e o nível do discurso político em Portugal, por parte dos detentores de cargos de responsabilidade governativa ou partidária é cada vez mais confrangedor. Lembro outro o contributo do líder da oposição para este cenário uma vez que consegue a proeza de falar e nunca dizer nada – aliás continuo a interrogar-me sobre se ele pensa algo… 

Voltando à ‘paciência’: recomendo o artigo do Público de hoje de José Pacheco Pereira que insiste, e bem, em ler a dita paciência de uma forma política e não ‘psicológica’, e deixo aqui o parágrafo final: 

Respeitar os portugueses não consiste em falar-lhes com uma mistura de complacência e paternalismo, mas estar ao lado deles com simpatia activa nas suas tribulações. Há poucas coisas mais comunicáveis do que a empatia, seja simpatia seja antipatia. Para ser entendida por todos não precisa de assessores, nem de agências de comunicação. Precisa apenas de existir. E o problema maior de "comunicação" deste governo é que preso nas suas ideias gerais e vagas sobre o país, preso nas suas ilusões sobre meia dúzia de receitas económicas, preso num profetismo adolescente, entre a fraca convicção e os lugares-comuns, que soçobrará a qualquer momento na parede dos factos, não consegue mostrar um grama de empatia sobre o sofrimento que assim se torna "dos outros". 

É por isso que chamar "paciente" ao povo português parece mais um insulto do que um elogio.

24/01/12

Cada Vez Mais Interessante, e Cada Vez Mais Preocupante

Já há uns tempos afirmei que Miguel Relvas me começava a interessar porque onde houvesse, dinheiro, poder ou influência ela estava 'lá'. E na semana passada andou mesmo ‘lá’, a passear a sua sombra, com séquito jornalístico (das públicas RTP e RDP, claro) que cuidadosamente testemunhou, filmou e editou todo o esplendor de tal visita. Mas algo não correu bem, e um jornalista terá teimado em não ver nem perceber o dito esplendor, e é necessário que ele perceba que não foi para isso que foi ‘lá’. Que fazer? Fácil: informa-se o jornalista que já não fará mais crónicas para os meios de comunicação do estado. José Sócrates não faria melhor. Quando o fez quantas vozes se calaram que hoje falam? E quantas vozes falaram que hoje se calam? 

Não adianta; por muito que saiba, que me canse a repetir que ‘é mesmo assim’, e que realmente já não tenha ilusões, a inesgotável capacidade de flexibilizar qualquer opinião que um dia era tão forte, bem como a habilidade com que se moldam as questões ‘de princípio’, consegue levar a melhor e eu espanto-me.

12/01/12


Tentarei uma resposta (a minha) à sua pergunta, mas primeiro uma nota: o chamado “tacto diplomático” de Manuela Ferreira Leite tem o condão de se revelar ou demonstrar mais cedo ou mais tarde (que chatice!) algo de que ninguém gosta: a verdade. 

Os motivos que levam um programa de análise política a convidar … terão provavelmente que ver com as expectativas de audiências, não? Assim a frio, eu sei que prefiro ouvir António Barreto ou Ferreira Leite (por exemplo) a tantos outros comentadores ‘mais novos’ ou ‘inovadores’ ou ‘recentes descobertas’, algumas fabricadas à forca de trocas de links em blogues, e que tantas vezes pouco mais fazem do que expelir ar pela boca. Mesmo que discorde, mesmo que me aborreça algum ‘senadorismo’, mesmo que transpareça o ‘status quo’ em que todos se sentam, prefiro a densidade de um curriculum e uma inteligência rodada, à esperteza tantas vezes oca da novidade, só porque sim, ou para fazer a quota de caras novas. Acredito não ser a única, no universo dos espectadores da SICN, a ter esta preferência. Como se as ideias se pudessem renovar ou inventar com a facilidade e a velocidade com que se renovam as caras… Deixemos isso para as telenovelas. Portugal é pequeno, não há nada a fazer!

(Comentário feito ao post Contra Corrente do blogue Vida Breve)

25/09/11

Uma Noite de Coincidências e Improbabilidades (*)

Hoje ao ler o Público on-line vejo esta notícia com fotografia a merecer um destque que nem a vitória do Sporting ou os golos de Cristiano Ronaldo (notícias imediatamente anteriores) tiveram: Valter Hugo Mãe em maiúsculas numa noite de coincidências, e segue-se uma notícia aparvalhada sobre improbabilidades, lançamento de livro, aniversário, amigos do Brasil, Mário Soares, e em como valter hugo mãe passa a ser Valter Hugo Lemos, e mais outras tantas parvoíces. Aliás parvoíces é o que mais leio sobre este autor: ora porque foi dormir na cama de Fernando Pessoa na Casa Fernando Pessoa (coitado de Fernando Pessoa que deve ter tido náuseas debaixo da terra), como se isso fosse um feito literário único e como se isso lhe desse uma qualquer aura literária especial, ora porque comove e deixa ao rubro uma assembleia na Festa Literária Internacional de Paraty, como um pregador evangélico em excessos retóricos e emotivos a invocar a força do Espírito Santo para a assembleia de fieis. Livros dele não li e não gosto; mas no meio desta parafernália e coreografia, verdade seja dita que eles ocupam um lugar de pouco destaque.

A personagem que o autor cria é servida por uma rede comunicacional bem forjada, apesar de desinspirada, pois os media seguem-no e reportam cada passo que dá fazendo dele uma espécie de Lili Caneças (sem desprimor para a Lili Caneças, a original) do meio literário passeando-se de livraria em livraria, de iniciativa em iniciativa e de festa literária em festa literária. A vantagem de Lili Caneças é que não ocupa as páginas dos jornais, nem nos vendem como notícia as suas prestações em festas de solidariedade a não ser nas publicações “cor-de-rosa”. Valter Hugo Mãe tem sempre direito a notícia de destaque qualquer que seja a parvoíce em que se envolve, ou será que dormir na cama de Fernando Pessoa como experiência místico-literária merece mais destaque comunicacional do que dar a cara numa festa de solidariedade? É por isso que eu não percebo nada de meios literários (e outros) e que, cada vez mais, a literatura é só e somente os livros que leio.

(*) Expressão tirada da notícia e que espelha a notícia.

30/06/11

Imperdível este post de Luís M. Jorge no Vida Breve (já agora é de ler o anterior também). Já me fez rir logo de manhã. Se não for rir, fazemos o quê? Se nós, contribuintes, soubéssemos toda a verdade sobre cada coisa que pagamos com o nosso dinheiro, corríamos o risco de ‘morrer de riso’.

A propósito da RTP, RDP, Lusa e afins, continuo sem perceber muito bem de que é que falam quando se fala em “serviço público”. Parece que ainda não decidiram o que ele deve ser. Eu sei o que gostaria que fosse, (e deter uma central de informações não é com certeza), mas não vejo nenhum político debater seriamente a questão do serviço público, e o que é relevante ou não caber nesse conceito. Aliás falar em privatizar a RTP – que afinal não é a RTP1, mas sim um canal da RTP (qual a RTP2? A RTPN? A RTP Memória? A RTP África?), sem definir o que é serviço público e como é que ele poderá ser prestado, é – mais uma vez – pôr o carro à frente dos bois, ou ceder à política do anúncio de medidas, sem saber muito bem os ‘como’. Ou então privatiza-se um canal qualquer que não seja a RTP1, restruturam-se uns serviços, poupam-se uns tostões, mas fica tudo muito igual, seguindo aquela máxima de que é preciso mudar para que tudo fique na mesma.

Ler também aqui.

29/05/11

Ontem ao fim do dia, na televisão os comentadores discutiam o número dez à exaustão. De facto é um tema crucial para uma campanha, tal como tantos outros (aborto, africanismo de Massamá ou não...) que a comunicação social, de forma selectiva e exigente, não se cansa de tratar. Para mim a campanha tem um só tema: queremos mais José Sócrates ou não. Para quem tem problemas com o minimalismo de ideias proponho só mais uma: a bancarrota e a governação dos últimos seis anos. E é quanto baste. Tudo o que vier a mais está a mais.

Como me enfadam estas considerações sobre temas irrelevantes, fiz algo de que não me arrependo: mudei de canal e fiquei absolutamente presa a ver o melhor jogo de futebol que me lembro de algum dia ter visto. Parabéns ao Barcelona.

17/04/11

Assim não!

Leio (ouço) em vários locais (televisões, jornais, blogues), vozes que defendem que a prioridade na política nacional é remover José Sócrates do cargo de Primeiro-ministro. Estou plenamente de acordo e até iria mais longe; assim como quem se deixa levar por um sonho... para nossa sanidade mental, José Sócrates deveria ser removido de qualquer lugar público e deveria ser-lhe imposto um longo período de nojo - mas repito, este desabafo é assim como um ir atrás dum sonho...

Ele, mais do que ninguém, é “o” responsável pelo estado comatoso de Portugal e cujo rosto cá e lá (UE, FMI...) é o descalabro das Finanças Públicas, mas cujas raízes são bem mais profundas. Para nossa humilhação, agora que temos as portas e janelas abertas ao mundo que nos olha pela lente de aumento, não faltam exemplos: o enfraquecimento gradual da classe política com a consequente “falta de credibilidade” dos políticos, a falta de barreiras entre o público e o privado facilitando a falta de transparência e seriedade nos negócios, a falta de sentido de Estado, a falta de sentido de Serviço Público, uma total leviandade quando se trata de dispor dos bens públicos, nomeadamente o dinheiro dos contribuintes, a falta de responsabilidade e responsabilização política (accountability), falta de visão, falta de coragem para prosseguir e negociar reformas importantes, muita ambição pessoal, muito deslumbramento (fracturante e tecnológico), permanente confusão entre o partido e o estado, promiscuidade entre servir e servir-se, muita dúvida, muita inverdade, muita mentira. É por isso imperativo que o PS não ganhe as eleições e que JS deixe de ser Primeiro-ministro.

No entanto, e que fique claro, não é só dessa “remoção” (quase que “higiénica”) que Portugal precisa. Portugal precisa também e sobretudo (por isso – e não por mero capricho – é que José Sócrates tem de ir) de uma nova atitude e de uma nova forma de estar e fazer política assente no Serviço ao país e baseada na seriedade, na verdade e na definição de um rumo nestes tempos de ainda mais escassez que se avizinham. Precisa de políticos sérios, que queiram saber e falem a verdade, e que conheçam o rumo que o país tem de ter para daqui a uns bons anos poder sair da crise em que está. Remover José Sócrates e não ter ganhos em termos de seriedade, de verdade e de rumo, que de novo nos leve ao crescimento e equilíbrio financeiro, é perder o nosso tempo e os nossos recursos, lamento. Assim não!

Custa-me a crer que o PSD (aqui entendido como uma entidade abstracta feita tanto de quem opina, como de quem está na direcção) hoje, e em nome deste desígnio nacional – a remoção de José Sócrates – promova uma renúncia à inteligência, ao espírito crítico, àquela dose de cinismo que nos impede de embarcar no primeiro optimismo de pacotilha que nos vendem e de gostar de comícios unânimes estilo “oh Zé!...” Sobretudo é difícil crer que o PSD abdique de promover a seriedade e a verdade, e o seu rumo para o país, pois já é tempo de perceber (mais vale tarde que nunca) que só promovendo estes valores se distancia do PS de JS. Só assim se constrói para os eleitores, uma opção diferente e minimamente credível ao estado actual da política nacional. Golpadas mediáticas, jogos políticos não interessam o país: já tivemos em abundância (e com os resultados conhecidos) nos últimos anos e é disso que o PS actual se alimenta e nos quer alimentar a nós. Basta.

Se há/houve erros (Fernando Nobre, por exemplo), corrijam-se (retire-se o convite). Em nome do dito “desígnio nacional” não estou preparada para aceitar a manipulação (nomeadamente mediática) da verdade: se houve encontro com PM, porque não assumi-lo, se houve negociações porque não assumi-lo, se houve sms, porque não assumi-lo, nem estou preparada para aceitar uma série de modulações da verdade que irão desaguar mais cedo ou mais tarde na “inverdade” e em terrenos socráticos que tanto abomino.

16/02/11

Não, não é um acaso, é uma mentalidade, uma identidade cultural. Não, não aconteceria nesse contexto e nessa forma noutros locais do mundo. Não, nem todos os homens egípcios o fariam. Não, os muçulmanos não são todos movidos por instintos brutais. Mas sim, sim, sim, mil vezes sim: o islamismo não é amigo das mulheres.

O islamismo e as mulheres não combinam bem. E quando se trata de mulheres "ocidentais" é ainda pior. Se forem livres, louras e poderosas, assume-se logo uma certa disponibilidade no que toca a sexualidade.

Não peço desculpa pela generalização: é mesmo assim e nunca me cansarei de o repetir. Está escrito, está no Corão. Quem quiser pode ler. Eu já li o que consegui ler e fiquei esclarecida. Que não haja dúvida, no momento da verdade, nós sabemos de que lado ficam os homens e de que lado ficam as mulheres.

11/02/11

O Filipe Nunes Vicente anda com as prioridades trocadas. Claro que eventualmente terá acontecido, mas eles não se podem preocupar com tudo. E afinal, o que é isso comparado com isto?

05/01/11

O Lado Pimba da Academia

Quis ler a entrevista de Boaventura de Sousa Santos ao “i". Só consegui ler metade, pois não tenho nem paciência para imbecilidades (vestidas de academia como convém a civilizações decadentes), nem tempo a perder quer com gente que não percebe o mundo em que vive de tão ideologicamente baralhada que anda, quer com jornalistas medíocres.

O que é que nós tivemos? O azar de estar na Europa. Portugal passou a ser um alvo de ataques especulativos que - no fundo - não se justificavam em termos estritamente económicos. A parvoíce começa cedo nesta frase de BSS, e daí para a frente (da primeira metade que li, ressalvo mais uma vez) ganha alento.

Para BSS os males de Portugal chegaram do exterior sob a forma “ataques”. Não foi um mau governo socialista de anos e anos, nem a constante e tradicional má gestão dos dinheiros públicos, nem tão pouco o perpétuo adiamento de reformas que permitam modernizar o estado e a economia privada, e que racionalizem a estrutura, custos e gastos do estado. Ser “alvo” de “ataques” especulativos (assumindo, para facilitar o argumento, que os especuladores “atacam” como feras predadoras) não surge do nada, ser “alvo” de “ataques” não é uma decisão arbitrária que se toma à mesa do pequeno almoço colectivo dos mafiosos, segundo BSS ou dos miúdos de 20 e tal anos, bêbados e encharcados em cocaína... como refere, com posada irreverência e a esperteza própria do infantilismo - ou não estivesse a citar um Nobel - mas sem nexo nem inteligência jornalística, a entrevistadora do "i".

O medo e a desconfiança irracional em relação aos mercados (os mercados vão destruir o bem-estar das populações, criar um empobrecimento geral do mundo, diz BSS uns parágrafos à frente), para além de intrigantes e bizarros, são sinal de periférico provincianismo. Mesmo (ou será sobretudo?) tratando-se de académicos a quem é atribuída uma bolsa de 2,4 milhões de euros do European Research Council para ajudar a Europa a ver o mundo. Em países com longa tradição democrática, respeito pela propriedade e iniciativa privadas, protecção da liberdade individual e que gostam do lucro (dentro dos parâmetros da lei, claro), os mercados não são olhados como se fossem obra do demo ao serviço dos feios porcos e maus capitalistas. Mas como nós somos um país sem tradição de democracia, nem gosto pela liberdade e onde o lucro é olhado com inveja e desconfiança (veja-se o caso Cavaco Silva e acções do BNP), e como somos pobres e periféricos, temos investigadores que não são mais do que o lado “pimba” da academia. Que se há-de fazer?

Sim, já gastei tempo demais com Boaventura de Sousa Santos.

15/12/10

O que Sempre Sobra

Confesso-me num período de pouco interesse, bem como poucas tentativas de me manter informada, na actualidade portuguesa ou não, tão má ela é. Fica no entanto alguma espuma sobre o mundo que, tal como o conhecíamos, caminha para um local estranho que não se sabe bem se é um abismo. Nota-se um impasse generalizado cá e lá e nada de bom parece se avizinhar, não há messias à vista nem políticos (e gentes) em quem consigamos confiar. As expectativas são baixas e o optimismo para 2011 é um exclusivo de José Sócrates e de outros líderes feitos do mesmo barro.

Sobra, o que sempre vai sobrando, e a que alguém chamava há muitos anos justificando os muitos filhos que tinha: “o teatrinho dos pobres”. Neste caso serão mais pobres de espírito, mas correndo o sério risco de pobreza tout court. Como ia dizendo, sobra algum sexo que anda a entreter os jornais (e as gentes) pelo mundo fora. Desta vez não é um presidente americano, ou candidato a; desta vez não é na Casa Branca, é um Australiano na Suécia com duas mulheres suecas. Não se discute se há ou não uma relação sexual, discute-se o ser “sexo de surpresa” ou não. E há quem leve isto a sério, e prenda ou liberte alguém com base na discussão deste conceito (juntamente, ao que parece, com o uso ou não de preservativos), sem que ninguém tenha coragem de dizer ”ao que vem” e que acusação quer fazer. Demasiada metafísica para mim.

11/09/10

Não Sobra Mais Ninguém

Os incêndios mais ou menos dramáticos e intervenções avulsas (e erráticas) e mais ou menos pertinentes dos principais políticos de serviço: o sempre previsível José Sócrates e o banal Passos Coelho que, de comício em comício, festa em festa, ou em inaugurações dessas que só José Sócrates sabe como se fazem, não conseguiram ofuscar as duas figuras que, neste fim de verão a comunicação social nos tem imposto e forçado olhos dentro numa quase histeria impossível de evitar. São eles Carlos Queirós e Carlos Cruz.

O caso Carlos Queirós, apesar de eu ter feito questão em não tentar sequer entender o dito caso, acabou por se me impor e revelou-se em esplendor uma manobra pouco limpa para despedirem o treinador (nem quero perceber se haveria motivos legítimos – e desportivos de preferência - para o fazer). O caso e seus protagonistas, revelam uma pequenez, uma mesquinhice e uma falta de lisura total, e fica a sensação de que a FPF precisa de ser implodida. Aliás diria mais, (do alto da minha razoável ignorância futebolística), essa implosão não deveria ter já acontecido há muito tempo? Mais precisamente depois do mundial do Japão e da Coreia? Mas não, as múmias estão vivas e patéticas, agarradas ao seu lugar e, a mostrar vitalidade, até já prometem anunciar o novo treinador. Coitado! Que imagem do Portugal de hoje, esta é.

O caso Carlos Cruz. Surpreende-me (enfim, como se me surpreendesse mesmo, mas melhor acreditar que sim) a sua presença constantemente na televisão. Já nem o consigo ver. Tenho náuseas. É incompreensível a cobertura mediática que as estações televisivas lhe dão, o tempo de antena de que dispõe para advogar o seu caso, usando os seus conhecidos dotes comunicacionais. Nunca vi outro caso em que um condenado em 1ª instância tivesse acesso às televisões e dispusesse de tanto tempo para promover o seu caso e proclamar a sua inocência. Porque é que Carlos Silvino, a quem a comunicação social, sem consideração nem respeito, (ele não pertence ao "poderosos", não tem amigos influentes, nem fotografa bem para a Caras) teima em chamar com uma familiaridade que incomoda Bibi, não pode ir também ao programa Prós e Contras explicar o seu caso e justificar-se? Talvez esse conseguisse fazer correr alguma lágrima mais genuína. Porque é que os Chicos, os Necas, os Quims (será Kims?) e os Manos condenados em 1ª instância por abuso sexual, homicídio, assalto, violência doméstica, pedofilia ou tráfego de pessoas, nunca são entrevistados pela Judite de Sousa? Outro retrato do nosso Portugal patético e manipulável.

Carlos Queirós e Carlos Cruz. Parece que já não sobra mais ninguém.

10/05/10

Ontem adormecemos nauseados com isto, não pelo acontecimento em si, mas pelas horas sem fim nas televisões nomeadamente nos canais informativos, que reduziram a informação a multidões a celebrar o título e opiniões dos populares (um vício do jornalismo primário que nos é fornecido pelas tvs). Um apontamento de dez minutos não chegava?

Hoje acordamos nauseados com isto. E, novamente, as promessas que se quebram, sem honra nem pudor, o que se disse ontem que se desdiz hoje e que amanhã também já será diferente, o ónus sempre do lado do contribuinte, o não percebermos uma política de contenção da despesa do estado, o sem rumo em que vivemos governados por gente desonesta e incompetente.

06/05/10

Irreflectidamente


Há muitas maneiras de ser irreflectido. Conheço sobretudo quem, irreflectidamente, diga a verdade, quando esta é inconveniente. Há quem seja “sincero” e diga mais do que o que deve, ou simplesmente fale demais aborrecendo o outro com confissões e desabafos escusados. Outros, irreflectidamente, cortam rapidamente uma conversa com um “vai aqui ou acolá” ou um “vai-te fazer isto ou aquilo”, dependendo do tipo de calão de que normalmente fazem uso e insultando mais ou menos o interlocutor. Pôr-se em fuga também pode ser algo que se faz irreflectidamente, como ontem na Holanda, quando uma multidão fugiu de algo que não passou de um falso alarme. Há muitas formas de ser “irreflectido”, mas agora deparo-me com uma forma de expressar essa irreflexão que desconhecia e que é, nem mais nem menos, “tomar posse”. Parece que há quem, "irreflectidamente", “tome posse” de objectos que não lhe pertencem. Como diria o povo: se fosse pobre era ladrão, assim, como é político “toma posse”.

Ouvi na televisão Ricardo Rodrigues, mais uma face do Socratismo (*), em conferência de imprensa, declarar-se vítima de “violência psicológica insuportável”. Está visto que ser entrevistado – e provavelmente confrontar-se com a realidade e a verdade, mesmo passada, é demasiada pressão para RR, homem frágil e de sensibilidade delicada que, no entanto, “irreflectidamente” “toma posse” de objectos que não são seus. A natureza humana no seu melhor. Para seu bem, sugeria que deixasse a política, nomeadamente uma certa Comissão de Inquérito onde se interrogam pessoas de forma intensiva e onde factos complexos se tentam apurar e se dedicasse a um trabalho mais rotineiro e em que a exposição pública fosse menor: por exemplo um lugar administrativo num escritório bem longe dos olhares e pressão psicológica dos demais.

(*) As faces do Socratismo. Dever-se-ia fazer, um dia, a história das faces do Socratismo: começando por José Sócrates ele mesmo, passando entre outros pelo tio, o primo, os professores da Universidade Independente, os clientes dos projectos das casas, Armando Vara, Rui Pedro Soares, etc, e acabando em Pedro Silva Pereira.

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