Sabia exactamente sobre o que ia e queria escrever. Pensei dedicar uma parte da manhã de hoje a fazê-lo, só que, sentada em frente do computador, perdi-me ... saltando sem nexo entre emails, actualidade, notícias, textos vários, vídeos, pesquisas, música, blogues. Tudo, qual Babilónia, se confunde em frente dum computador. Na nossa mente tanto cabe a vontade de perceber como é que esta receita de couve fermentada é diferente da já experimentada com sucesso, como cabe um momento de irritação com mais uma invenção do governo que, em vão, tento perceber. Inclusão? Mas o que é isso exactamente, e sobretudo, como se mede essa dita inclusão? Pelo número de alunos de cor, por turma, por ano? Por um rigoroso 50% de raparigas e rapazes? Por uma quota de ricos e pobres? Estas invenções e estes nomes fazem-me rir: são reveladoras do “ar dos tempos”, e porque esquecem que, de facto, tudo o que os pais querem saber é a taxa de sucesso da escola para entrada na faculdade. Tudo se resume a isso, por mais voltas ideológicas que o ministro queira dar. O governo pode decidir o que quiser, outras entidades farão um ranking baseado nos factos puros e duros, nas notas e no acesso à faculdade e será esse que os pais procurarão.
Entre deambulações várias, a vontade de ouvir Debussy parece premente, nada que o youtube não resolva com ajuda de Martha Argerich. Aquela conta a pagar obriga a uma passagem pelo homebanking, numa manhã em que Maria João Rodrigues ocupa os sites informativos e em que me distraio com publicidade imobiliária mandada para o email – os preços das casas, pois, bem como as casas em si que parecem estar a ser feitas para investidores e não para pessoas. Depois de uma pesquisa na Wikipedia, (que nos redirecciona para outra e outra ...) percebo que já não é Debussy, mas Lizt que toca pois o youtube passa para o vídeo seguinte e nem pergunta se queremos ou não. Resta o consolo de (ainda) não ter tropeçado nem no Brexit nem no PSD. Confusos? Também eu. O “computador” parece um animal selvagem difícil de controlar ... não, isto não faz sentido nenhum, o computador é só uma máquina, não tem vontade própria, lembro-me. Que seja, mas confesso alguma dificuldade em perceber este comportamento errático em frente de um ecrã, e este deambular sem nexo, por muito definida que fosse a intenção primeira. O pior é que o tempo, o implacável tempo, escorre (cada vez mais rápido, sim, dizem que sim os físicos que o estudam) entre os dedos e os cliques do rato, e mal percebo que passou.
Não escrevi nada do que tinha pensado, o que não será um problema. Em jeito de desculpa, deixo aqui em “copy/paste” esta pequena pérola encontrada na selvajaria de deambulações (com a pequena gralha):
«Não sou dos que morrem de amores por Camões», diz Agustina. «Um poeta deve ser um mensageiro feliz; aquele que à nossa porta chega sem trazer a peste do seu tempo a turvar-lhe a pele. O que nos canta o melhor do seu coração para inspirar um sôfrego destino de felicidade.» Tenho andado à procura de uma boa forma de traduzir «spark joy», uma que transmita toda a intensa alegria despoletada por essa faísca e eis que encontro em Maria Agustina esta, que parece uma versão forte do lema de Marie Kondo: «inspirar um sôfrego destino de felicidade.» Perfeita. Camões não inspira, é claro, tal destino à autora de «A Sibila», e a navalha de Agustina é tão afiada quanto a de Occam: de todos os poetas, escolham-se os portadores de felicidade. O que deixa de fora, virtualmente, todos os poetas, esses pregoeiros do lado obscuro da alma humana, não só Camões. As estantes de poesia, vazias: Marie Kondo sentir-se-ia orgulhosa. Ah, desditoso paradoxo: o vazia gera vazio, o efeito da multiplicação por zero. A felicidade, essa, precisa de terreno mais fértil para nascer.
(http://xilre.blogspot.com/)
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, (...) E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.
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19/01/19
23/03/13
Se Tivermos Sorte, Chegamos a Velhos
Ontem folheava uma revista quando parei na fotografia de Paul Auster que ilustrava a entrevista. Pensei: “está velho”, aquilo que tantas vezes pensámos sempre com uma surpresa que não nos deveria surpreender: nada mais inevitável do que o passar do tempo e o envelhecimento dos outros que de vez em quando vemos na rua ou numa fotografia. Se nos lembramos deles quando eram “novos” é, só por si, um sinal inequívoco e indesmentível de que também nós envelhecemos. Não precisamos sequer de ir ao espelho, pois não há como escapar deste axioma. Como costumo dizer: se tivermos sorte, também nós chegamos a velhos.
Estava eu ainda meia enredada nestes considerandos semi-metafísicos acerca do “ser velho” e do “parecer velho”, quando vejo a fotografia (que presumo relativamente recente), bem como a notícia da morte de Óscar Lopes. Nela, Óscar Lopes tem o cabelo branco e algumas rugas na cara mas, ao contrário de Paul Auster, não parecia tão obviamente “mais velho” do que quando o conheci na Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde foi meu professor. Ele nunca teve propriamente (também ao contrário de Paul Auster) um ar ‘jovem’ e/ou "desportivo", como hoje é suposto termos e como tentamos, sempre teve uma constituição delicada e algo frágil. Mas isto foi tudo há alguns anos, há bastantes anos; é melhor nem fazer as contas.
Muitas vezes me tenho perguntado para que serviram os meus anos passados na faculdade num curso marcadamente teórico. Para além da pertinência e importância inegável ‘do canudo’ (que o diga Miguel Relvas), consolidei na Faculdade umas bases culturais que hoje considero terem sido sólidas. No entanto constato que sobretudo aprendi a pensar. E aprendi-o em várias vertentes. Primeiro, e numa época em que o Google não respondia de imediato às dúvidas, nem resolvia lacunas do saber, havia uma importante questão de organização, estrutura e prioridade: era preciso decidir o que queríamos saber, como o queríamos saber, onde ir buscar esse saber. Depois, num segundo momento, tínhamos que aproveitar ao máximo e rentabilizar cada gota de saber adquirido para o fazer render, se possível para outras cadeiras e outras matérias afins. Começávamos assim a relacionar os conhecimentos adquiridos e a flexibilizá-los. Finalmente, e quando não tínhamos os ditos conhecimentos – falhas nos apontamentos, bibliografia não consultada - tínhamos que pensar duas vezes mais ‘forte’ para chegarmos a algum lado a nível de estruturar uma resposta, para tirarmos alguma conclusão. Assim desenvolvíamos alguma criatividade e uma atitude crítica.
Para além de ‘aprender a pensar’ aprendi também ‘algumas coisas’: a gostar ainda mais de literatura, e de arte em geral, e a conhecer melhor a nossa língua e a nossa literatura. Óscar Lopes foi um professor fundamental nessas aprendizagens. Numa altura em que não se tinha medo de ensinar literatura no secundário (liceu), todos estudávamos na sua (e de António José Saraiva) História da Literatura Portuguesa, sem que isso tenha traumatizado especialmente a minha e tantas outras gerações. Ainda hoje consulto essa obra sempre que preciso ou me apetece. Foi no entanto na faculdade, quando o tive como professor, que percebi a dimensão do seu amor à língua e à literatura e a sua vastíssima erudição. Era um professor (um Professor Catedrático) tranquilo mas apaixonado pela matéria que dava, e a sua cadeira de História da Língua Portuguesa foi uma das que mais me ensinou e das que mais gostei. Tinha uma visão muito larga, um conhecimento vastíssimo, mas aliado à humildade própria de quem sabe muito e sabe sobretudo que nada sabe - uma atitude que num meio académico, em que tantos passeiam a sua vaidade intelectual que às vezes não passa mesmo disso, nos corredores das faculdades, é bem mais rara do que seria desejável. Estava sempre disponível para o aluno o que, aliado a um trato afável, o tornavam surpreendentemente acessível. Nunca se falou de política nas suas aulas, nunca houve nenhum tipo de proselitismo e era quase unânime a simpatia que os alunos sentiam por ele. Deixou-me ‘saber’ e boas memórias.
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16/12/11
Uma Questão de Educação
Só ontem vi e ouvi na televisão as declarações do deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Pedro Nuno Santos. Fiquei siderada. Não me restam dúvidas de que estamos a ser
invadidos pelos bárbaros, (agora eles não vêm necessariamente do norte) e de
que a decadência da nossa civilização é um dado adquirido. O tipo de linguagem
e de imagens usadas pelo deputado está abaixo do nível da conversa de portaria
e roça a grunhisse de quem apenas conhece três mil palavras e só usa mil, mas o
que se sugere é a mais viva imagem da decadência civilizacional pois já nem é
meramente uma questão política, é sobretudo uma questão de educação e de
valores. Lamento que na devida altura (bem cedo na infância) ninguém tenha
ensinado ao deputado que as dívidas são para ser pagas. Ponto. Que tudo se deve
fazer, sem descanso, para as pagar. Ponto. Mas pelos vistos agora, como dizia
há umas semanas o seu mentor José Sócrates, quando se estuda economia (na
universidade? em qual?) estuda-se que as dívidas dos estados nunca se pagam...
Eu não tenho dúvidas: prefiro o que me ensinaram na infância.
Pedro Nuno Santos ameaça os ‘banqueiros
alemães’, mas engana-se no alvo. Deveria ameaçar quem, em nosso nome
e em meu nome, recusando encarar a realidade e refugiando-se na pura demagogia
populista, se endividou indevidamente (perdoe-se aliteração). Ou, ao limite,
aqueles que permitiram que em nome de Portugal o então governo contraísse as
dívidas que hoje temos. Os eleitores de então (2009) preferiram a conversa oca,
demagógica e irrealista bem como o marketing político e comunicacional de um
incompetente (e estou a ser contida nos adjectivos), à linguagem realista e
dura de uma ‘velha’ (que me perdoe a Dr. Manuela Ferreira Leite) que não
acredita nem contrata agências de marketing político ou comunicacional.
O deputado Pedro Nuno Santos é a imagem de
tudo o que me causa desprezo: irresponsabilidade, leviandade, a falta de
educação, a linguagem rasca, o desconhecimento de valores como a honra, o peso
da palavra dada, a dignidade, a educação. A bancada do PS em vez de minimizar e
desculpar as declarações deste deputado, deveria, por uma questão de higiene,
demarcar-se frontalmente e fazê-lo desaparecer. Seria desejável enterrar de vez
a ‘era Sócrates’.
15/07/11

O fim das disciplinas de Área Projecto e de Estudo Acompanhado, é uma excelente notícia. Elas eram símbolos do ‘eduquês’ reinante no nosso ensino. Muita conversa, muita ‘integração’, muitas ‘competências’, mas sobretudo muito tempo perdido: em casa a fazer projectos tantas vezes sem ponta de nexo, tantas vezes absolutamente ridículos, e vazios de qualquer propósito, e na escola ocupando tempo curricular em que poderiam ver reforçadas algumas disciplinas, ou apostar noutras infelizmente nada valorizadas e quase nada presentes nas nossas escolas (música, por exemplo). No afã de melhorar as notas a Português e Matemática, preocupação que partilho desde que não se diminua o grau de exigência, não convém, nomeadamente no 3º ciclo, esquecer as outras disciplinas.
No dia em que se sabe que as notas de Português foram as piores em 14 anos de exames, e que os resultados dos exames do 9ºano são os piores dos últimos anos (Matemática e Português baixaram as médias) convinha pensar sobre o assunto. A revisão curricular da disciplina de Português impõe-se. O que se ensina em Português – pode-se perceber o que é pedido aos alunos consultando os exames no site do GAVE – é coisa do outro mundo, e o que não se ensina é inconcebível. Isto combinado com a cultura de pouca exigência na maioria das escolas (e na maioria das famílias) forma uma mistura que propicía a ignorância. Este assunto levar-nos-ia por longos caminhos que hoje não trilharei. Só um detalhe (mínimo e insignificante face ao descalabro dos programas e cultura escolar) por curiosidade, fiz a consulta dos exames: não vi exame sem a presença de Saramago.
05/02/11

(via Cachimbo de Magritte). Não conhecendo a fundo esta questão, tem sido difícil escapar às notícias que todos os dias ouvimos sobre o caso das Escolas Financiadas pelo estado (para garantir ensino gratuito). Impossível impedir-me de reparar que:
Primeiro; estes estudos encomendados a académicos escolhidos a dedo e pagos com dinheiro dos contribuintes deixa nos ditos (contribuintes) um grande incómodo. Será que os dados do INE, e uma análise feita deles pelos próprios técnicos não bastaria? Para quê estudos sobre o óbvio? Segunda: o que o socialismo faz e desfaz, sempre com ligeireza e visão limitada ao “hoje” é estonteante. Já chega de socialismo. Terceira: em Portugal o sucesso e o êxito, sobretudo se fora da tutela do estado – que na última década e meia está praticamente nas mãos dos socialistas – são sempre olhados com desconfiança e são normalmente objecto de depreciação pelo estado, questão de nivelar por baixo: muito mais fácil. Quarto; os socialistas não prezam a liberdade individual, não promovem a liberdade de escolha: gostam de decidir por nós, moldar o nosso pensamento para finalmente nos arrumarem direitinhos e muito iguais em gavetas. Quinto: qualquer questão ganha maior fulgor se de perto ou de longe se vislumbrar a Igreja Católica.
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06/01/11

Acabar com a Disciplina de Área de Projecto – não só no 12º ano, note-se - seria uma questão de sanidade e racionalidade. A inclusão da disciplina de Formação Cívica para, segundo o Conselho de Ministros, reforçar a "formação nas áreas da educação para a cidadania, para a saúde e para a sexualidade" - só pode dar vontade de rir. Eu confesso mais preocupação sobre a parte da “educação para a cidadania” (só o nome já faz soar sinetas de alarme) e do que pretenderão incluir nesse curriculum, do que a educação “para a sexualidade” onde há informação objectiva que pode ser transmitida, caso os alunos do 10º ano ainda precisem que a transmitam. Vai, no entanto, ser interessante ver se a dita “educação para a cidadania” gera 1/10 das reacções que a inclusão da disciplina de educação sexual no curriculum escolar tem gerado.
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20/11/10
Obama Escrutinado

Nestes dias de escrutínio febril a Obama, quem Obama beija, o que é oferecido a Obama, a forma desportiva como Obama desce as escadas do avião, como é em cada ínfimo detalhe o carro de Obama, quem viu Obama, o cão de Obama, eu também quero deixar o meu contributo à operação “Escrutinar Obama”, um eficaz ersatz para a ausência de ideias e debate político que se vive neste nosso país que não consegue deixar de se inchar com os “eventos”, as coleiras de cortiça para cães presidenciais e a clutch Croco Maya (com um nome desses eu tinha vergonha, mas adiante) oferecida a Hillary Clinton.
Eu já tinha visto Obama assinar (nomeadamente na sua tomada de posse), mas nunca tinha percebido a desilegância do seu gesto e a forma absolutamente anormal de pegar na caneta e de contorcer o pulso (a televisão mostrou a sua mão em primeiro plano). Sim, percebi que era canhoto, mas desde quando ser canhoto é desculpa para seja o que for? Também sei que hoje o acto de escrever não é como era no(s) tempo(s) em que o teclado não fazia parte da vida de cada um de nós - hoje funciona já como um prolongamento do nosso corpo (tal como o telemóvel). No entanto, o acto e gesto de saber pegar numa caneta ou num lápis e de o usar a escrever, e de escrever caracteres harmoniosos faziam parte de uma arte chamada caligrafia. Os professores na primária ensinavam a pegar no lápis. Eu, sei que fui uma excepção, fiz a primária numa escola em que me obrigaram a desenhar as primeiras letras com uma pena e tinta. Depois passei para caneta de tinta permanente e assim fiz toda a primária pois a esferográfica era proibida – política da escola. Era um pesadelo, e eu era desastrada sujando tantas vezes cadernos e trabalhos, mas aprendi a pegar no lápis e essa disciplina e trabalho de contenção e rigor, nunca me prejudicaram. O gesto correcto não é só mera convenção ou bazarrice, é mesmo a forma que permite o mais natural e eficaz manuseamento do lápis/caneta e melhores resultados nomeadamente no desenho. Se um político tem aulas de dicção, "aulas" de estilo, não pode ter aulas de como pegar numa caneta e assinar documentos oficiais em público?

Nas escolas agora não se perde tempo a ensinar a pegar no lápis (a imagem vem daqui, mas uma busca rápida permite ver que opções de imagens e "dicas" não faltam) e vemos gestos tão maus ou piores do que os do Obama, e caligrafias aberrantes. Mais tarde na secundária e na faculdade os professores queixam-se. Mas tanta exigência e disciplina prejudica a livre expressão das criancinhas e a aprendizagem e imposição de regras e de técnicas restringe a liberdade e criatividade. Depois ficam todas a escrever como Obama. Se calhar é isso que querem.
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13/09/10

A inauguração, há dois dias, das instalações da Escola Secundária Pedro Nunes, depois das obras de requalificação, fez-me lembrar um outro caso de umas outras obras de requalificação, noutros cantos do país e com outros alunos menos “notáveis”. Trata-se da Escola Primária de Azevedo (concelho de Caminha) que, tendo sido objecto de obras de requalificação que a modernizaram e a dotaram até de aquecimento central, é este ano encerrada. Os alunos de Azevedo aproveitaram essas obras durante um ano apenas, pois este ano, juntamente com os alunos da freguesia de Argela, serão transferidos para a Escola Primária da freguesia de Venade. Partindo do princípio de que esta é uma decisão acertada, (e acredito que seja) e partindo do principio que o montante em causa necessário às obras de requalificação da – agora inexistente – Escola Primária de Azevedo não são decisivas nem para o deficit, nem para o endividamento externo (não o são seguramente) fica no entanto a perplexidade com a leviandade e a falta de responsabilidade com que se usam os dinheiros públicos. Fazem-se obras que um ano depois se revelam desnecessárias, e está tudo bem. Ninguém pede responsabilidade por uma má decisão, pela falta de planeamento, pelo esbanjamento dos dinheiros públicos. Esta é só uma pequena imagem da falta de respeito pelos contribuintes todos os dias demonstrada pelo executivo. Mas também ninguém se importa muito...
25/07/10

Esta notícia assim escrita, porque assim decidida desta forma tão radical, até faz doer o coração. 701 escolas que fecham, 10 mil alunos que são transferidos: impossível não ficar chocado com estes números. Para além da inquestionável bondade da decisão de fechar escolas pequenas e sem condições, há um universo de questões que ficam sem resposta ao ler a notícia sobre esta decisão com o rosto da Ministra Isabel Alçada, que nunca consigo desligar da imagem “simpática Ministra e Senhora Aventuras” (como detesto literatura infantil...) e que é posta em prática no próximo ano lectivo e, segundo o texto da notícia, depois de chegar a acordo com as autarquias. É impossível não nos questionarmos perante a urgência e radicalidade desta medida a executar de uma vez só, sobre os seus efeitos a curto e a longo prazo. Ela gerará profundas alterações na vida das pessoas e das localidades, já para não falar da vida quotidiana e da aprendizagem dos alunos, e temos a sensação de que toda esta mudança foi planeada de forma totalmente arbitrária, cega, precipitada e abstracto-burocrática: régua e esquadro numa mão e máquina calculadora na outra. Menos de vinte alunos, fecha; mais de vinte continua. Porque é que as autarquias estão tão interessadas nesta mudança? E as pequenas freguesias também estarão? Alguém do Ministério foi “lá” ver as escolas uma a uma, e avaliar cada caso? Alguém procurou saber a taxa de sucesso ou não de cada escola, independentemente de terem 18 ou 25 alunos? Alguém, dos decisores, conhece as dificuldades e sucessos de cada escola? Alguém mediu em tempo real (más estradas, trânsito, etc) e inconveniência a deslocalização das crianças pequenas – não falamos nem de adolescentes, nem de jovens - das escolas que frequentavam e dos seus familiares que lá terão de ir para reuniões ou numa emergência? Alguém pode prever os efeitos desta deslocação de escolas, de professores e de colegas, de ambiente e de local, para centros escolares que poderão não ser os definitivos, (coisa que não se percebe) implicando uma nova mudança com todos os inconvenientes e desestabilização que cada mudança acarreta, mesmo em idade tão jovem? Alguém pode prever o impacto do fecho das escolas na vida das populações? A notícia é o espelho da leviandade na política portuguesa actual em geral, e da política educativa em particular.
10/06/10

Personagem da semana (so far), saída de uma comédia de costumes que seguimos com interesse: o ladrão (quem furta é ladrão, certo? ou será que deveria dizer "furtador" do mesmo modo que se diz "inverdade"?) de gravadores que ainda se mantém deputado com a conivência dos seus pares, mostrando bem de que massa (política e ética) é feita a sua agremiação. A seguir os próximos capítulos.
Frases (longa) da semana (so far): “Uma escola descentrada da sala de aula”. Como se não bastasse toda a doutrina implícita nestas breves oito palavras, a frase explica-se em crescendo “em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca”, acabando neste climax intelectual que promete novos mundos e novas visões: “e discutindo projectos”. E nós tão sossegados e desatentos sem nos darmos conta destes sonhos e destas visões geniais. Discutindo projectos, quem diria, hein?
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26/05/10
Breve História de um Magalhães
Com o entusiasmo e urgência de quem quer uma caderneta de cromos do mundial, pede um Magalhães. Os argumentos contra são enumerados, são claros, são imbatíveis, são inflexíveis. Segue-se uma crise quase existencial que se ignora estoicamente. Um dia vem o argumento a favor, último e arrasador: a professora perguntou se já todos tínhamos o Magalhães porque mais tarde vamos usá-lo, e já todos (um todos que carrega o peso do mundo) têm, menos eu – dito com a raiva própria das grandes vítimas da injustiça. Semanas depois chega o Magalhães. Desfaz-se o pacote e liga-se o computador com o entusiasmo de sempre. Explora-se o seu potencial (tão limitado, não é?) e jogam-se os jogos, que fáceis demais, depressa se esgotam. Poucas semanas depois, menos do que as semanas que demora a esquecer a caderneta de cromos, o Magalhães dorme sono profundo num canto esquecido, quem sabe à espera que a professora o chame. Já passaram quase dois anos. Houve eleições, crise, mudança de prioridades, mudança de Ministra de Educação. A professora nunca mais falou do Magalhães, nunca o pediu, nunca o utilizou. Ainda bem.
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16/03/10

Já não é mau e até é um bom primeiro passo, mas a autoridade na escola (tal como a exigência, a responsabilidade, uma menor carga burocrática para os professores, etc) reforça-se com uma maior autonomia da escola, até para que a "sociedade a reconheça". E, claro uma autonomia das entidades avaliadoras.
11/03/10
Do "Bullying"
Entre as autoridades que “palitam os dentes” (e são a imagem da Autoridade no país), e as “comissões interdisciplinares”, o “bullying” entra para a agenda mediática. Por um lado uma velha tradição do: se apanhares, bate com mais força, aguenta, não faças queixinhas e aprende a ser homem (há também uma versão feminina mais insistente no “aguenta”) pois é assim que se forja o carácter; e por outro lado a nova postura proteccionistas dos pais de filhos hiper desejados e planeados, “ai Jesus, que fizeram mal ao meu menino” e que leva os ditos pais dos ditos filhos hiper desejados, planeados, e agora tiranos, à escola em tom de ameaça ao mínimo desagrado ou empurrão que aconteça à criança que é, de tanto ser desejada e caprichada, incapaz de gerir a contrariedade e que entra logo em “descompensação”. Uma coisa é certa: hoje ser escola é difícil: não há tempo para olhar para os alunos com a atenção merecida quer na sala de aula quer no recreio, onde ninguém vê com olhos de ver. Na sala de aula o professor tem pouca autoridade e muita burocracia; no recreio, onde depressa vêm à tona os comportamentos mais problemáticos há escassez de pessoal qualificado a tomar conta das crianças. Este “tomar conta” deveria pressupor um olhar atento, um detectar de padrões comportamentais diferentes, uma intervenção mais clara, firme e segura no caso de confirmação desses padrões de comportamentos violentos e abusivos. Na escola fecham-se os olhos, ninguém do lado dos adultos tem essa vontade de firmeza e segurança: todos temem as consequências – em burocracia e em contestação pelos pares e pelos pais - de “contrariar” os alunos, de denunciar violências, de impor uma disciplina firme, mas justa. Ninguém já deve saber o que isso é, pois os teóricos da pedagogia e da psicologia que é dada à força aos professores encontram sempre uma explicação e justificação desculpabilizantes para a violência de uns e de outros, fica de fora a vítima que vê desvalorizada uma queixa real. Venham então as comissões multidisciplinares, serão um bom pretexto para criar mais um organismo público: um “Observatório” para violência nas escolas. Se não fosse trágico, apetecia rir. O bullying é só mais uma face da enorme violência e indigência do quotidiano do mundo em que estamos, e em que também o respeito que o outro merece é secundarizado face a proveitos e satisfações mais imediatos.
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08/01/10
Um Pouco de Bom Senso Nunca Fez Mal a Ninguém
Por isso saúdo o fim da conflitualidade entre o governo e os professores. Dizem que o óptimo é inimigo do bom, e acredito que este acordo não seja o ideal para nenhuma das partes, mas foi o possível e creio que o facto de se declarar findo o período hostil é, só por si, uma coisa boa para a sociedade em geral e para as escolas em particular. Acredito também que ambas as partes estivessem interessadas e empenhadas em procurar um acordo e o bom senso impôs-se, depois de anos de finca-pé e de inabilidades. Ainda bem.
Depois de tranquilizado o ambiente na educação, talvez fosse uma boa ideia dar alguns passos em frente e trabalhar em duas ou três ideias de fundo (que não são novas e às quais já me referi noutras ocasiões) para melhorar a educação em Portugal. Primeiro, reduzir a burocracia, o excesso de relatórios e da tanta papelada a que os professores hoje estão sujeitos e que rouba tempo aos professores cuja prioridade deveria estar centrada no ensino e na sala de aula.
Em segundo lugar, dar uma maior autonomia às escolas, quer na contratação de pessoal docente, quer no estabelecimento de regulamentos internos próprios, nomeadamente no que se refere à forma de lidar com a indisciplina, quer no desenvolvimento de projectos curriculares próprios (já nem ouso falar na definição dos programas a leccionar, e das disciplinas instituídas).
Em terceiro lugar ousar algo de importante para a credibilização do ensino: a separação institucional (uma privatização, por exemplo) da tarefa de avaliação dos alunos da tutela do Ministério da Educação, medida que me parece fundamental para uma avaliação realmente independente das circunstâncias e das pressões políticas (anos eleitorais, necessidade de melhorar as estatísticas de sucesso escolar, etc) e mais consistente.
16/07/09
Com tantos jovens portugueses impedidos de estudar medicina, e com tantos outros, com meios financeiros, forçados a estudar medicina noutros países, porque cá não tiveram notas suficientemente elevadas para entrar nas diferentes faculdades de medicina, este absurdo, serve quem exactamente? E a política de acesso às faculdades de medicina vai-se manter? Para servir quem? Ninguém percebe que isto é mau demais e que já chega? Eu sei que este post é pouco original, mas notícias deste género, apesar de se repetirem com regularidade, ainda mantêm intacto o poder de me revoltar..
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14/07/09
Do Rigor 2
As notas do exame de Português do 9º ano foram más, não porque o exame fosse difícil, que não foi, mas porque os critérios de avaliação são uma aberração e as indicações e contra-indicações de ME sobre eles parecem saídos de uma sitcom. Pretende-se avaliar o Português como quem avalia a Matemática, mas sem o seu rigor e o seu inequívoco "errado". É totalmente desencorajada a leitura pessoal dos textos, a criatividade perante um objecto (num exame com três textos, só dois eram literários e só um um clássico da língua) bem como a interpretação individual (a “recriação” do objecto) que não siga os rigorosos e (pseudo) objectivos critérios estabelecidos para as respostas. Foi por isso que os bons alunos não brilharam, os maus se safaram e todos ficaram num caldo de notas medianas muito igualitário. Mas ninguém se importa muito: como estes exames só contam 30% para a nota final, raros são os casos em que os resultados realmente fazem diferença. As férias estão à porta e é preciso virar a página inscrevendo os alunos no secundário, quem quer por isso e nesta altura chatear-se com uma nota que “vale” pouco? No fundo, no fundo, no ensino básico é tudo a feijões.
O ensino em Portugal tem sido ao longo do tempo uma verdadeira comédia de costumes. Estes últimos anos esmeraram-se. Pena que os estudantes sejam cobaias de experimentalismos, estatísticas, buscas de consensos culturais e mediáticos, critérios medianos e de finca-pés políticos. Parece que nunca se consegue estabelecer uma rotina em que se conhece a política educacional, em que é previsível o estilo, o rigor e o bom-senso.
(Quem gostar da língua Portuguesa, quem achar, como eu, que o ensino da nossa língua é vilipendiado nos programas escolares, e sobretudo quem quiser “perder” algum tempo pode verificar o exame e os ditos critérios de avaliação aqui).
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O ensino em Portugal tem sido ao longo do tempo uma verdadeira comédia de costumes. Estes últimos anos esmeraram-se. Pena que os estudantes sejam cobaias de experimentalismos, estatísticas, buscas de consensos culturais e mediáticos, critérios medianos e de finca-pés políticos. Parece que nunca se consegue estabelecer uma rotina em que se conhece a política educacional, em que é previsível o estilo, o rigor e o bom-senso.
(Quem gostar da língua Portuguesa, quem achar, como eu, que o ensino da nossa língua é vilipendiado nos programas escolares, e sobretudo quem quiser “perder” algum tempo pode verificar o exame e os ditos critérios de avaliação aqui).
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09/07/09

Parece que o Zé "faz falta" a ele próprio. Nada que não estivesse já há muito escrito nas estrelas.
Os ganhos na auto-estima dos participantes é um dos efeitos que mais compensou e que, a médio prazo, poderá revolucionar o tecido empresarial. Finalmente, a auto-estima elevada a objectivo político com garantidos efeitos revolucionários a médio prazo.
Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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20/06/09
Do Rigor
As intenções de rigor e exigência patentes na linha traçada pela Ministra da Educação deste governo de José Sócrates estão a desfazer-se perante o nosso olhar. O resultado dos testes de aferição dos 4º e 6º anos com a sua percentagem de positivas de 90% desmente qualquer tentativa séria de avaliação e qualquer intenção de rigor na escola em geral e do ensino - o que de facto se aprende – em particular. O cenário parece querer repetir-se no caso dos exames nacionais do 9º ano, em que estes, ao contrário dos anteriores que são irrelevantes e um desbaratar de recursos para um resultado “político” e estatístico simpáticos, já contam para a nota final - uns meros 30%, mas pelo menos poderão eventualmente fazer alguma diferença. O exame de Português foi muito fácil, dizem os alunos. De facto e depois de olhar com mais atenção deparo-me com esta pergunta extraordinária (que neste vídeo do Público alguns alunos disseram ser a parte mais difícil de um exame facílimo e “básico”) sobre um excerto dos Lusíadas, as estrofes 122 e 123 do Canto III:
Redige um texto expositivo (...) no qual explicites (*) o conteúdo das estrofes 122 e 123. O teu (*) texto deve incluir:
• uma parte introdutória em que identifiques (*) o episódio a que pertencem as estrofes e as personagens históricas nelas mencionadas;
• um desenvolvimento, no qual indiques (*) a decisão referida na segunda estrofe e as razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão;
• uma parte final, em que refiras (*) o sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e a razão que originou esse sentimento.
Lendo esta questão percebemos que o enunciado dá a resposta: explicita a sua estrutura (limitando a escolha) e aponta as soluções; só não escolhe as palavras para responder. Com perguntas destas em que a resposta está à partida formatada e dada é impossível errar e difícil premiar a diferença do mérito de quem sabe e estudou aquele bocado mais que faz a diferença entre o bom e o muito bom. Não sou favorável a que se façam exames dificeis, mas tem que haver em qualquer exame uma ou duas questões feitas para que se pense, para premiar o esforço e trabalho de quem estudou um pouco mais e um pouco melhor. Um exame destes é paternalista, limitativo e condiciona o estudante cortando-lhe criatividade. O bom aluno e o mau darão resposta iguais. Enfim, tudo muito mau, muito medíocre, muito igual, desse perigoso igualitarismo pastoso com que insistem em nos moldar a todos. Se é para isto que serve o rigor...
Notas:
Redige um texto expositivo (...) no qual explicites (*) o conteúdo das estrofes 122 e 123. O teu (*) texto deve incluir:
• uma parte introdutória em que identifiques (*) o episódio a que pertencem as estrofes e as personagens históricas nelas mencionadas;
• um desenvolvimento, no qual indiques (*) a decisão referida na segunda estrofe e as razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão;
• uma parte final, em que refiras (*) o sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e a razão que originou esse sentimento.
Lendo esta questão percebemos que o enunciado dá a resposta: explicita a sua estrutura (limitando a escolha) e aponta as soluções; só não escolhe as palavras para responder. Com perguntas destas em que a resposta está à partida formatada e dada é impossível errar e difícil premiar a diferença do mérito de quem sabe e estudou aquele bocado mais que faz a diferença entre o bom e o muito bom. Não sou favorável a que se façam exames dificeis, mas tem que haver em qualquer exame uma ou duas questões feitas para que se pense, para premiar o esforço e trabalho de quem estudou um pouco mais e um pouco melhor. Um exame destes é paternalista, limitativo e condiciona o estudante cortando-lhe criatividade. O bom aluno e o mau darão resposta iguais. Enfim, tudo muito mau, muito medíocre, muito igual, desse perigoso igualitarismo pastoso com que insistem em nos moldar a todos. Se é para isto que serve o rigor...
Notas:
- (*) Não percebo também a necessidade de, em circunstâncias formais e oficiais, que é o que os exames nacionais são, tratar o interlocutor, mesmo que seja aluno, por “tu”, mas isso será esquisitice minha.
- Como pude constatar (ou confirmar) no vídeo, os umbigos à mostra deram lugar este ano aos “cai-cai”. Também houve quem fizesse o exame de fato de banho com top de alças por cima. No vídeo não pude confirmar as calças dos rapazes pelo meio do rabo a mostrar calções de banho ou boxers, mas aposto que todos andavam de chinelas havaianas. Tenho que dar razão à Sra. Ministra que timidamente e noutros tempos menos eleitoralistas, ousou falar em fardas para as escolas.
04/06/09
Educação Sexual na Escola
Eu sou muito crítica em relação a muito do que é a Escola hoje. E por escola entendo quer a escola pública, quer a privada, pois ambas têm que seguir as disciplinas, os programas e os horários estabelecidos pelo Ministério da Educação. Em Portugal não há, infelizmente, verdadeira liberdade no ensino. A escola privada não pode escolher os seus programas, os pais não podem escolher o que os filhos aprendem. Ninguém se queixa muito!
Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.
Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.
Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.
Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.
Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.
Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.
20/05/09
Elogio do Nada
Hoje é dia de Prova de Aferição de Matemática para os 4º e 6º anos de escolaridade. As provas não contam para a nota e, tal como aconteceu com a prova de Língua Portuguesa, esta de Matemática deverá também ser fácil. As “provas” não são “exames”, conceito aterrorizador para as criancinhas, (esta dança de vocábulos no mundo do ensino é espantosa), e as criancinhas não podem ser reprovadas, pois há que combater a discriminação e exclusão, altamente traumatizantes e desmotivadoras, e fazer testes fáceis para que nunca se premeie a excelência, dedicação, esforço e trabalho, e para que possamos ser todos cada vez mais iguais, mais banais, mais medíocres.
Pergunto-me, então, para que servem realmente estas provas, e qual o mérito – sobretudo para os alunos, claro – desta política de Provas de Aferição. São meios, nomeadamente financeiros, que se mobilizam para realizar estas provas que não servem para nada. Perdão, servem fabricar e dar “credibilidade” a umas estatísticas falaciosas sobre a qualidade do ensino em Portugal. Servem para a imagem, o verdadeiro interesse e a real obsessão deste governo PS. Dar a imagem de um Portugal melhor: lavar a fachada, esfregar a soleira da entrada, pintar a porta, o que está dentro pouco interessa.
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Pergunto-me, então, para que servem realmente estas provas, e qual o mérito – sobretudo para os alunos, claro – desta política de Provas de Aferição. São meios, nomeadamente financeiros, que se mobilizam para realizar estas provas que não servem para nada. Perdão, servem fabricar e dar “credibilidade” a umas estatísticas falaciosas sobre a qualidade do ensino em Portugal. Servem para a imagem, o verdadeiro interesse e a real obsessão deste governo PS. Dar a imagem de um Portugal melhor: lavar a fachada, esfregar a soleira da entrada, pintar a porta, o que está dentro pouco interessa.
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