Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, (...) E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.
28/10/18
23/09/18
Parque Temático
Eu disse ninguém o quer? Pois, parece lógico pensar que realmente ninguém o deseje, mas infelizmente não é esse o caso. O último sonho mau (os sonhos maus deveriam ter ficado na infância ... mas como já nada é como se esperava que fosse) do Presidente da Câmara de Lisboa, agora que ultrapassou esse outro sonho mau de há uns anos que foi fazer da Segunda Circular uma avenida urbana com apenas duas faixas de rodagem, semáforos, bem como árvores com passarinhos chilreantes e flores na primavera no meio, é criar uma faixa de rodagem para Bus na A5. Tão boa é esta ideia que – segundo as notícias – ele pretende estendê-la a outras vias de acesso à cidade de Lisboa (ver aqui e aqui).
Lembrando António Guterres, segui aquela velha máxima de “é só fazer as contas”, e percebi que uma vez que a largura das vias é limitada, e a menos que se façam grandes obras estruturais em todos nos acessos à cidade, fica evidente que a criação de uma faixa para Bus passa pela eliminação de uma faixa normal de circulação. Assim, crê ele, naquele estado de quem se sente iluminado mas apenas teima em não acordar desse seu sonho mau, as pessoas que vêm diariamente em carros para Lisboa terão mais incentivos para usarem os transportes públicos que circularão mais rapidamente. A cidade terá menos carros e, por isso, menos trânsito. (Dá vontade de rir pensar na A5, na IC19, na A1 ou na A2 com menos uma faixa de rodagem, não dá? Dá vontade de rir pensar que assim a cidade terá menos trânsito, não dá?).
Mas tentarei não rir muito e olhar para as coisas como elas são, que é sempre uma boa maneira de olhar para elas. Impõem-se de imediato algumas questões. Afinal que infraestruturas de transporte público dispõe o cidadão de Lisboa como alternativa de mobilidade para a cidade e dentro da cidade, neste seu sonho de libertar a cidade dos carros dos cidadãos? Várias linhas de comboios que sirvam amplamente os conselhos vizinhos para todos aqueles que da periferia querem chegar ao centro da cidade? Uma ampla rede de metro, eficaz, pontual e sobretudo que cubra toda a cidade e um pouco mais além? Uma rede de autocarros eficientes e pontuais na cidade e concelhos limítrofes? Interconectividade abundante e eficaz entre diferentes redes de transportes? Preços razoáveis? Como é que respondendo ‘não’ a todas estas questões, Fernando Medina pensa que poderá libertar a cidade dos carros? Sem, pelo menos uma rede de metro que cubra amplamente toda a cidade (de norte a sul, de este a oeste para que não restem dúvidas) é impossível sonhar em ‘libertar a cidade dos carros’.
Indo um pouco mais além neste quadro de ‘libertação’ da cidade, coloco outra questão: porquê e para quê, exactamente, essa vontade de libertar a cidade dos carros? Como os carros não se deslocam sozinhos, nem pelas suas vontades autónomas, presumo que queira também libertar a cidade das pessoas, das que aí vivem a sua vida. Hoje ter casa começa a ser difícil, mas só mais um esforço e criam-se também todos os postos de trabalho longe do centro, exceptuando aqueles que servem o turismo. Fica então a cidade livre para turistas, para o lazer, para passear, ver as vistas, ir aos restaurantes, frequentar actividades culturais, outros eventos, etc. Ficamos todos com um excelente e sofisticado parque temático, perdão, com uma bela cidade, para usufruir ao Domingo à tarde em directa concorrência com os centros comerciais da periferia. Um futuro promissor.
O desejo de infernizar a vida das pessoas tornou-se num impulso subjancente a tantas decisões políticas. É evidente esta estranha tendência, esta necessidade de culpabilização nos tempos modernos em que, ao mínimo pretexto, se castiga e aponta o dedo ao cidadão: ou porque usa carro, ou porque se endivida, ou porque compra e vende casas com mais valia, ou porque gosta de bebidas doces, ou porque tem sucesso. Ar dos tempos.
28/07/18
25/06/18
Cristiano Ronaldo
30/05/15
20/05/15
17/04/15
11/04/15
30/01/13
28/06/10
Fadas
04/06/09
A Cidade Hoje
27/05/09

13/05/08
Lugar Comum 2
Os jacarandás que começam a encher Lisboa, este ano um pouco mais cedo. Hoje foi a Avenida das Descobertas ao som de Albinoni na Antena 2 com o concerto para oboé e cordas pelo maestro Trevor Pinnock. O concerto pode ser ouvido/visto aqui. (A única interpretação que encontrei no youtube). Os jacarandás podem ser vistos por toda Lisboa, ruas e avenidas inteiras vestidas de roxo. Um deslumbre. Há excursões à Holanda para ver os campos de tulipas, mas nunca percebi porque não há excursões a Lisboa para ver os jacarandás. Não ficam a dever nada às já de si magníficas tulipas.
29/06/07
08/06/07
Lugar comum
03/06/07
30/05/07
27/05/07
O Circo pega fogo
Ao atravessar Lisboa hoje senti algum incómodo ao olhar e ver todos os outdoors para as autárquicas. As fotografias dos candidatos, os slogans, (O Zé? Mas que é isto?) nada parecia certo e adequado, todos soavam a falso. Algo não está bem no tempo e no local em que vivemos. Os primeiros sinais de um qualquer apocalipse político estão bem evidentes. Qualquer página de jornal aberta ao acaso terá exemplos de frases, ou silêncios, ou intervenções, ou entrevistas, ou gestos, ou adesões, ou suspeitas, ou delações, que analisadas nos deixam em estado de puro espanto. Tanto não era possível. Mas com a complacência habitual, a vidinha vai correndo, as noites sucedem os dias, o tempo da praia está achegar, vemos o circo pegar fogo e já nem queremos saber onde está a água.
Ota, DREN, Câmara de Lisboa, PS, PSD, (e porque não CDS, PCP, BE?), Mário Lino, Manuel Pinho, M. de Lurdes Rodrigues, e claro José Sócrates têm animado a agenda nestas últimas semanas. Cada caso cheio de casos, cada um mais patético do que o outro, cada um mais previsivelmente vazio do que o outro, perigosamente vazio, com um pano de fundo feito do conforto e da certeza de que estamos mesmo na nossa terrinha, e de que já nem nos apercebemos que a falta de vergonha e a falta de noção do ridículo, para não falar de noções que requerem um esforço ainda maior em apreender como liberdade, desapareceram faz muito do mapa político, e que todas estas personagens que tecem os seus enredos fundados nas solidariedades dos partidos que servem o regime, feitos de respeitinho, de medo, de subserviência, de conspiração, em redor de cada um destes casos, parecem marionetas vazias e sobra-lhes só uns pós de dignidade de alguma tragédia e fado que carregam, a de serem prisioneiros de si próprios, mas nem disso se dão conta.









