Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, (...) E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.
06/05/10
Irreflectidamente
02/02/10

03/12/09
Fadas Madrinhas
25/11/09
06/10/09

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24/09/09
Juntos, Quê?
Depois vem a parte afectivo-colectiva e pirosa do cartaz. O verde e o vermelho a lembrar a bandeira nacional, com José Sócrates no meio, qual esfera armilar. A essência do “ser” português, o Portugal que se confunde com ele, o Portugal no centro da sua decisão, e José Sócrates no centro da nossa vida, o “rei-sol”, a nossa identidade, a salvação. Quanta presunção num só cartaz!
Finalmente a mentira: o sempre presente “nós” do “Juntos Conseguimos” que simplesmente não existe, e pelo qual ele tem desprezo, por muitas criancinhas e velhinhas que beije na campanha. José Sócrates sempre esteve só na decisão, nas rédeas do poder, e no seu pedestal, e o seu horizonte quer visual quer político, de decisões e projectos, deve ter pouco mais de 50cm de diâmetro o que o tem tornado cego para a realidade do “nós” dos portugueses. Ele só perceberá, (que a vida é cruel por muito optimismo que se ingira em cápsulas ou mantras) o quão só está quando perder eleições.
O "conseguimos" um intemporal modo verbal (passado e presente que se projecta para o futuro), é todo um programa. Ao certo o que é que "conseguimos" nestes últimos 4 anos? O que é que ao certo "conseguimos" hoje e nos próximos 4? Estas são as perguntas certas a fazer. Pois conseguir nos próximos 4 anos o que "conseguimos" neste últimos é uma perspectiva nada animadora. Se respondêssemos seriamente a estas questões, José Sócrates nunca deveria ganhar as eleições do próximo Domingo.
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11/07/09
Fugir para Marte
MVC na sua entrevista detem-se sobre o impasse em que o país vive alternando governos entre o PS e o PSD e vai mais longe considerando que o outro lado da nossa ingovernabilidade são a corrupção e a incompetência sistémicas dos dois partidos - até por causa do rotativismo que lhes permite passarem as culpas um para o outro.
Se ainda nutríssemos algumas ilusões quanto à matéria de que são feitos os principais partidos e o tipo de curriculum de tantos dos nossos políticos e detentores de poder (autárquico, governamental, em comissões, etc), José Pacheco Pereira que, ao contrário de MVC, está nos 5% da população que milita num partido e é por isso conhecedor das chamadas “máquinas partidárias”, acabaria com elas num ápice; o tempo de ler o seu artigo de hoje no Público (Edição Impressa, sem link) que nos chega como um balde de água fria. Nada que não suspeitássemos, nada que não se insinuássemos em “casos” que, com um ritmo constante, chegam ao conhecimento público ou aos tribunais, nada que não víssemos nas investigações feitas e publicadas ou ouvidas nesta notícia, naquela referência, naqueloutro recado. Nada que não desabafássemos em conversas mais ou menos informais, nada que não escrevêssemos em posts. Mas dito assim, preto no branco, por quem conhece tem um impacto e um efeito maior, como se a escala com que se olha o mapa mudasse e víssemos muito mais. O artigo é impiedoso recriando histórias de um nascer, fazer e crescer de influência (e nem se falou muito da influência com a comunicação social) desses políticos, cujo prototipo de biografia é esquematizada de forma crua, uma espécie de condenação à morte da inocência com que se poderia ainda tentar olhar para a vida dentro de um partido.
Uma coisa é certa: o sentimento de emparedamento é grande, e a falta de uma luz verde com o sinal “saída” deixa-nos “assim”, no meio de coisa nenhuma porque nem a seriedade e a dedicação de alguns parece chegar para fazer essa luz. Só apetece mesmo é fugir para Marte.
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05/07/09
A Problemática do "nós"

Em segundo lugar a fotografia: é uma contradição do slogan, mas mais fiel à realidade no que diz respeito ao “estilo Sócrates”, que é, ele também, centrado na sua pessoa. José Sócrates destaca-se num primeiro plano sobressaindo nítido, a cores e muito clean no meio de um “nós”algo esbatido pelo tom monocromático com que se compõe a fotografia para se insinuar os tons da bandeira portuguesa (com Sócrates no meio). Este “nós” não é “povo”, não são os portugueses reais do dia a dia, são também eles parte de um arranjo, muito clean, muito direitinho, muito sorridente e embevecido, muito casting, muito artificial, muito programado para admirar o grande líder. É essa a visão do “nós” – bem distante da realidade – dada pela campanha eleitoral do PS; mais uma vez o alheamento da realidade é notório. Aquele “nós” é artificial. Com José Sócrates não há nós, há um produto de casting, pré-programado e pronto a ver e aplaudir o grande líder. Só não vê quem não quer. Tudo se mantém igual ao que foi, tudo será como até agora foi: longe da realidade, longe da verdade.
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11/06/09
Overdose
05/06/09
Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa!
Basta de socialismo! Estamos fartos do peso do Estado do seu excessivo poder, do crescente endividamento da sociedade portuguesa, do constante e crescente peso do fisco sobre as pessoas e as empresas, da prepotência das medidas tomadas aleatoriamente, dos ajustes directos entre o estado e empresas que promovem as ideias que geram anúncios que nem sempre se vão realizando. Estamos fartos de projectos megalómanos que servem para dar a ilusão e a patine moderna ao país pobre em dinheiro e em espírito que somos. Parafraseando Vasco Pulido Valente hoje no Público: para um povo melancólic(o), desiludid(o) e sem esperança. Que lhe pode trazer um novo regime: uma terceira auto-estrada?
Paulo Rangel conseguiu gerar algum ímpeto e entusiasmo numa campanha eleitoral que normalmente mobiliza pouco e em que a Europa e os seus impasses foram os grandes ausentes, mas que permitiu ao eleitor aperceber-se e ver que se desenha uma alternativa ao PS e a José Sócrates. Muito mérito de Paulo Rangel certamente, mas mérito também de Manuela Ferreira Leite. A líder do PSD que não entusiasma ninguém, que fica bem criticar, e que se confronta diariamente com a má fé e com os seus maiores críticos dentro do seu partido, é a grande responsável pela escolha e pelas decisões tomadas no PSD. Por muito hábil, e comum, que seja a retórica iluminada que tente demarcar Paulo Rangel de MFL, não o conseguirão. Qualquer vitória dele será sempre uma vitória dela. Eu espero por Domingo, e espero que Domingo um passo mais na direcção do Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa! seja dado.
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10/02/09
A Voz Moralizadora
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16/12/08

No CDS a contestação a Paulo Portas (com os seus 95% de votos no congresso) adensa-se com militantes a abandonar o partido pois questionam a falta de rumo deste bem como a sua liderança.
Quem nos últimos meses concentrou toda a atenção nos sempre tumultuoso PSD, pensaria que nos restantes partidos se respira um ar puro sem conspiração, parece afinal que o PSD não é detentor exclusivo da conspiração fratricida. Estes turbilhões à esquerda e à direita tão pessoais quanto políticos (se não mais ainda) dão oportunidade, por um ou dois dias, a Manuela Ferreira Leite de poder respirar à vontade: as luzes não estão voltadas para ela, e ninguém tomará a sua respiração por “gaffe”.
06/05/07
Tento imaginar a dor e o desespero de quem perde um filho e de quem, de repente, se vê perante uma situação de rapto. Mas nada deste drama humano, nada, justifica que se percam dezenas de minutos num jornal televisivo. Uma peça de três minutos que faça um resumo do que o dia de hoje trouxe de novo é mais do que suficiente Na RTP, com mais do que uma peça sobre o assunto, até um perito em raptos foi ouvido, e na SIC, logo nos primeiros minutos, se falam dos três enviados especiais: um na Madeira, um em França e um na Praia da Luz...
Não tenho dotes futuristas, mas não consigo deixar de olhar para a vitória estrondosa de Alberto João Jardim na Madeira e para o isolamento do candidato do PS como mais um sinal da curva descendente de José Sócrates. Nada será igual, por muito que ele teimosamente queira e tente, desde o caso ainda por esclarecer da sua licenciatura diplomas e papeis contraditórios. Outro dos sinais de que já nada é como deveria ser, foi o caso Mário Lino e seu gracejo sobre a não inscrição de José Sócrates na Ordem dos Engenheiros.
