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09/09/09

O Preço da Compaixão

Enquanto que por cá se debate e se debatem os debates e se espera pelos debates, algo de verdadeiramente bizarro se passa noutro canto no mundo. Desta vez em África, Primeiros-ministros africanos reunidos para celebrar o 10º aniversário da União Africana, aplaudem Megrahi que em 1988 fez explodir o voo da Pam Am sobre Lokerbie matando 270 pessoas. Os escoceses libertaram-no por uma questão de compaixão. Ele é recebido na Líbia como um herói e é aplaudido por solidariedade. Solidariedade porquê? Por ter cometido um acto terrorista em que matou 270 pessoas inocentes? O mundo está perigoso. Nada que realmente nos devesse surpreender. Só quem teima em não ver os sinais pode fingir espanto, pois eles andam por aí, e não faltam exemplos como a recente polémica em França dos “burkinis” e seu acesso (ou não) às piscinas municipais. É só uma questão de não querer fechar os olhos e de não olhar para o lado. O pior, e o que mais nos ameaça, é ter que medir o preço da compaixão (um valor que tem o seu lugar na nossa sociedade) pois pode começar a ser demasiado elevado.
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07/01/09

Grito de Guerra

Às vezes não escrevo porque não posso. Às vezes não escrevo porque não quero. Às vezes não escrevo porque não me apetece. Às vezes não escrevo porque não sei. Às vezes não escrevo porque já muitos escreveram. Às vezes não escrevo porque já se escreveu demais. Muitas vezes não escrevo porque outros escreveram muito melhor do que eu escreveria. É este o caso,

sobre Gaza: sei que não sou original porque já aqui e aqui o transcreveram ou fizeram referência. Mas mesmo assim repito aquele que é também o meu grito de guerra.

Para não dar azo a muitas especulações vou sintetizar: quero que Israel ganhe a guerra contra o Hamas, o Hezbollah, o Irão e os fundamentalistas árabes. Que os palestinianos tenham uma pátria. Que em Israel e na Palestina os moderados consigam impor uma negociação. (Luis Januário in A Natureza do Mal)

07/11/08



Berlusconi é um político como já não se fazem. Não discrimina; por isso nunca mais mulher alguma se poderá queixar de ele a tratar como objecto. Ele trata assim qualquer um, como se pode ver aqui no Público on-line .A forma como descreveu Obama deve entrar nas antologias de frases célebres pelo mais puro instinto e oportunidade política revelada. Um momento raro (e também um momento único uma vez que só ele com eufemismo fashion, é certo, se atreveu a dizer que Obama é preto, em vez de se congratular, como todos, com o momento histórico que vivemos).
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25/09/08


Embargo total a produtos vindos da China” (ouvido num noticiário televisivo) Pela frase nota-se o prazer de “cá” de finalmente ter um pretexto sólido para proibir algo que venha da China conspurcar o mercado europeu. Note-se, no entanto, que este “total” que dá o pathos à frase refere-se apenas aos produtos lácteos (mais de 15% na sua composição) e que apresentem um potencial perigo para as crianças. É certamente uma medida necessária, mas o velho proteccionismo espreitou nos interstícios retóricos.
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Oh não! Hoje entregam-se computadores aos polícias. Amanhã aos taxistas com GPS incluído? E quem mais estará na lista, agora que percebo que existe uma lista?

06/09/08

A Espuma dos Dias que foram 9

Continuação do post Espuma dos Dias que Foram 7, ainda uma breve colectânea de ideias, frases, cabeçalhos de jornais, declarações, comentários, ecos ouvidos e/ou com distracção e entre coisas dessas que se fazem em férias, mas que vão ficando à espera de serem organizadas à medida que a vida vai retomando as suas rotinas e os seus hábitos.

Sarah Palin foi Miss Alasca, mas parece saber falar o que aparentemente incomoda alguns.

Angola tem eleições mas não deixa que jornalistas portugueses ligados a certos grupos de imprensa possam lá ir e fazer a cobertura das ditas eleições.

A China deu por encerrada a maior e mais eficiente encenação de sempre: os melhores Jogos Olímpicos de sempre. Dizem.

Os silêncios de Manuela Ferreira Leite continuam a incomodar e passam a ser devidamente dissecados, analisados interpretados...

Luis Filipe Menezes comopara-se a um Ferrari para gaúdio e gozo de alguns comentadores.

Os fogos de verão, tal como as palavras de Manuela Ferreira Leite, foram os grandes ausentes este verão dos noticiários televisivos e dos seus emotivos e uteis directos.

Putin mexe-se com segurança felina e o à vontade de uma raposa enquanto os galos batem as asas e cacarejam na capoeira.

Paulo Pedroso e o cada vez mais estranho caso Casa Pia: onde se ganham causas sobretudo processuais, pois as investigações, ao que o tempo que passa indica, mais uma vez falharam (no alvo, no método, nos objectivos, eu sei lá) continuando a não encontrar os culpados que todos acreditam existirem - até ao dia em que são nomeados (isto é: pôr um nome, dar uma cara) suspeitos que no segundo a seguir invariavelmente são inocentes e vítimas de conspirações que ninguém sabe se existem - pois as vítimas essas, todos são unânimes em assegurar e lamentar, existem mesmo e que necessitam que se faça justiça.

11/08/08

Novas Geografias do Poder


Num período em que lemos coisas do género “geografia dos afectos” ou geografia disto e daquilo, um título deste género parece não destoar, apesar de ser algo óbvio e de não ter a subtileza estilística da primeira expressão. As imitações nunca têm a qualidade dos originais, mas mesmo assim apeteceu-me escrevê-lo.

É interessante ver que enquanto o ocidente veraneia à vela em Martha’s Vineyard ou em churrascos no Texas, em iates em Porto Cervo, à noite em Ibiza, ou no festival do Sudoeste (em países onde não há Salzburg), o que importa vai-se decidindo lá nessas novas (que de novas têm nada) geografias do poder. Geografias de sempre da arte, da subtileza, da poesia, da humanidade. Geografias de sempre de capacidade de decisão sem frou-frous nem concessões frouxas, de tantas tiranias, de frieza desapiedada. A Rússia mostra que sempre teve um exército digno desse nome, a China mostra que tem dinheiro a rodos exibindo uma cidade organizada e preparada para uns jogos olímpicos sem falhas em que todos os chineses participam, uma modernização urbana ímpar e num período de tempo record, bem como uma vitrine de arquitectura moderna no seu esplendor máximo e numa abundância de fazer corar a abastada Europa toda junta (uma pequena mostra aqui, por exemplo). Veraneemos pois nesta geografia da eterna esperança em contentamentos e finais felizes feita de Estado e de Prozac, enquanto a vida que importa para o futuro passa ao lado; noutras geografias.

08/08/08

Aos 8 minutos das 8 horas do dia 8 do 8 do ano 2008

Imagem tirada daqui

Tinha a certeza de que iria gostar e tinha a certeza que seria muito conseguida em termos criativos e estéticos. Assim foi: imaginativa, poderosa, bonita, inteligente, organizada, eficiente, disciplinada, atenta a todos os detalhes.

Foi tudo tão perfeito que me lembrei das antigas paradas militares soviéticas na Praça Vermelha, em que se “exibe” poder. Esta cerimónia é uma versão show-biz, mas nem por isso menos light, de uma exibição de poder ainda mais amplo do que o mostrado nas paradas militares soviéticas, pois não é só o poder militar que está em jogo: é o poder económico, o poder criativo, inovador e tecnológico, o poder diplomático - estava lá quem tinha que estar: Bush com um discurso de há dois dias amplamente debatido pelos comentadores de serviço da RTP, Putin que calmamente apreciava o espectáculo como se tudo estivesse tranquilo na frente de combate, Lula da Silva de uma das grandes potências emergentes bem como representantes das monarquias democráticas europeias e japonesa, enfim a quase totalidade do “who’s who” político do momento que importa estva lá – e, last but not least, o poder político que uniu o país, isto é os chineses, neste esforço comum e neste desígnio nacional que é mostrar uma nova China moderna, inovadora e competitiva ao mundo. Os números impressionantes de chineses que participaram na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim e que de uma forma ou de outra se voluntariaram (ou não) para colaborar na organização, mostram sem margem de dúvida que “lá” se joga com uma escala bem diferente do que estamos habituados. Embora esta dimensão de poder político seja a menos visível no espectáculo, não deixa de ser importante e convém estar atento ao que fica ou não quando os convidados se forem, se limpar a casa, sacudir o pó, arrumar as cadeiras e regressar ao trabalho.

(mais fotografias aqui)

31/07/08

Não é que não se deva tentar fazer justiça, não é que não se deve nunca parar de tentar ser justo, mas a justiça dos homens é tantas vezes tão imperfeita que deixa um certo amargo de boca, uma revolta, uma insatisfação. Às vezes é tardia, às vezes falha, às vezes é politizada, às vezes não se entende e tantas outras vezes apetece dizer “mas porque é que não se matou x ou y” para nos pouparmos a relembrar, reviver o que não queremos nem relembrar nem reviver, para nos pouparmos ao quão perturbante é ver os réus na televisão, no Tribunal Internacional de Haia, acusados de crimes de genocídio com ar digno e até um pouco arrogante de quem se julga ter sido fazedor e condutor de uma política ao serviço de algum ideal que o comum dos mortais não consegue entender (e não). A reparação de um mal é difícil e tantas vezes impossível. À justiça dos homens não cabe avaliar intenções, arrependimentos, desejos de reparação ou perdões. Por isso, e sem negligenciar a justiça dos homens, é tão melhor acreditar na Justiça Divina (pelo menos enquanto se pode...)

23/07/08



Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és(2). Esta semana é com Hugo Chavez que andamos.
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19/07/08

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és, assim reza o provérbio. Esta tem sido uma semana interessante para José Sócrates: ontem José Eduardo dos Santos, hoje Kadhafi, ambos importantes parceiros estratégicos, ambos notáveis e, claro, ambos amigos de Portugal. É também nestes momentos que vemos, com algum embaraço, como somos um país pobre.

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és, assim reza o provérbio. Esta tem sido uma semana interessante para José Sócrates: ontem José Eduardo dos Santos, hoje Kadhafi, ambos importantes parceiros estratégicos, ambos notáveis e, claro, ambos amigos de Portugal. É também nestes momentos que vemos, com algum embaraço, como somos um país pobre.

17/06/08


Ao passar pelo centro da cidade de Lisboa ao fim da tarde ouvi buzinas de vários carros daqui e dali e vi meia dúzia de - noutros tempos chamar-se-iam gatos pingados – cidadãos com ar de quem não sabia muito bem o que fazia nem o que fazer, com cartazes de protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis. O buzinão apesar de barulhento e irritante, pareceu-me pouco convicto. Mas a minha perplexidade reside no facto de não perceber bem o que pretendem os buzinadores barulhentos mas pouco convictos. Como é que eles pensam que se pode baixar o preço dos combustíveis? Que é que eles propõem? Talvez a sua presença numa futura reunião da OPEP para serem ouvidos quanto aos níveis de produção e preços, ou uma intervenção de fundo junto das sociedades chinesas e/ou indianas (por exemplo) persuadindo os cidadãos contentes por estarem mais ricos a continuar a viver frugalmente e a não quererem ter acesso fácil ao consumo. Talvez queiram cotizar-se para fazer prospecção de petróleo ao largo da Figueira da Foz, ou de Vila Moura, ou mesmo considerar a compra dos poços do Iraque, por exemplo, aproveitando a oportunidade para de uma vez resolverem também os problemas políticos da área. Chavez, na Venesuela também poderia ser um bom padrinho das causas nobres e justas dos cidadãos contra o preço do petróleo. Seja o que for, deveriam sempre dizer o que propõem para resolver o problema da carestia dos combustíveis. Nós não ficaríamos tão perplexos.

13/06/08

Ontem à noite num noticiário televisivo vi e ouvi Freitas do Amaral num excerto de uma entrevista. Consegui (excepcional e surpreendentemente) abstrair-me daquele seu ar pomposo e cheio de sef-importance de quem tem um papel fundamental para o desenrolar de qualquer acontecimento, nomeadamente à escala mundial, e por uma vez concordei com o que disse: Já se ouviu a presidência eslovena da União Europeia a dizer alguma coisa? E a Comissão Europeia, já disse alguma coisa? O Banco Europeu? O Parlamento Europeu, que se preocupa tanto com os voos da CIA, não se preocupa com a maior crise mundial que existe nos últimos 100? As pessoas estarão cegas e surdas? Tal como ele tenho a convicção de que se assiste a uma das maiores crises mundiais dos últimos tempos, e acrescentaria que existe uma diferença notável hoje: são as lideranças no mundo ocidental, maioritariamente ocas, plásticas e fracas e nem a a perspectiva de um futuro presidente dos EUA, ainda a maior potência mundial, nos anima.

O governo negociou, pagando (nós) um preço, o fim das hostilidades com os camionistas, (afinal não tem negociado com todos?) apaziguou o país que o próprio primeiro-ministro confessou, dando um sinal de que está cá, ter sentido frágil, mas desenganem-se os que pensam que no pasa nada, que já está tudo bem. A história ainda não acabou como diz Vasco Pulido Valente hoje no Público.

08/06/08

Repensar o Mundo

O buzinão saiu à rua. A manifestação da CGTP encheu a Avenida da Liberdade. Começa a ser por demais evidente e inegável que se adensam os sinais exteriores de insatisfação dos portugueses, que ele é transversal, que o bolso dos eleitores está cada vez mais vazio, e que os serviços do estado ao serviço dos cidadãos, para os quais pagamos impostos, continuam preguiçosos, escandalosamente lentos como a justiça ou as listas de espera na saúde, e a não ser nem melhores nem mais eficientes. Somando a este descontentamento temos um primeiro-ministro que paira por cima desta névoa em que está mergulhado o Portugal real, com arrogância e autismo, subestimando o que já parece impossível de subestimar, refugiando-se em cimeiras ou TGVs.

Se o descontentamento é real, há que ser frio em relação às causas dele. O aumento do preço dos combustíveis é uma realidade difícil de atribuir exclusivamente ao governo ou ao regime, apesar de em Portugal todas as petrolíferas beberem da mesma bica (refinarias), de se preocuparem mais com o retorno dos accionistas do que com a satisfação dos clientes, e do ridículo da conclusão da Autoridade para a Concorrência (outra inutilidade) que afirma não haver indícios de concertação de preços por parte das distribuidoras de gasolina. A subida do preço do petróleo nos mercados internacionais não se repercute unicamente em Portugal. Os mercados não mentem e não há “especulação” que sustentem mentiras ou “bolhas” por muito tempo. Os dias estão difíceis e o mundo (a Europa à cabeça) tem que se habituar a um novo ordenamento e reajuste de riqueza e de poder, nomeadamente com as novas potências asiáticas a entrarem no mercado do consumo, a quererem comer mais e diferente, a quererem ter mais carros, frigoríficos, telemóveis. Dá vontade de dizer: habituem-se! E mais do que isso, a o mundo ocidental tem que perceber que dificilmente o preço do petróleo voltará a ser o que foi, e as políticas energéticas, bem como as agrícolas terão que ser revistas e reajustadas a pensar no mundo tal como ele é e vai ser, e não no mundo que já foi e cuja nostalgia cega quer os cidadãos quer os políticos que facilmente se deixam tentar por medidas populistas, mas desastrosas a longo prazo. Resta saber se hoje temos líderes capazes para tal tarefa, mas que pelo menos com o nosso voto possamos contribuir para isso.

23/04/08

Já está. Discretamente, suavemente, ninguém parece muito incomodado, ninguém parece muito interessado, ninguém parece muito informado. Até agora não doeu, veremos mais tarde os efeitos secundários.


22/04/08

Bento XVI nos EUA, 2

Dos Direitos Humanos

A apologia dos valores culturais do mundo ocidental nunca deixam de estar presentes nas diferentes intervenções do Papa o que também aconteceu nesta sua viagem aos EUA. Na ONU ele abordou a questão dos direitos humanos da sua importância para a paz e ousou apelar a uma universalidade no reconhecimento dos mesmos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) adoptada pelas Nações Unidas após os tantos abusos decorrentes da Segunda Guerra Mundial, nunca teve um carácter vinculativo e tem tido ao longo dos tempos os seus opositores mais ou menos silenciosos e continua ainda hoje a ser um tema que condiciona tantas vezes a agenda diplomática e política internacionais e, mais importante, condiciona a vida de milhões e milhões de seres humanos que são vítimas de abusos. Apelar à universalidade dos direitos, é insistir na profissão de fé na cultura humanista predominante no mundo cultural judaico-cristão e desafiar e impelir de forma clara a organização que os reconheceu e declarou a uma maior exigência dos seus membros no respeito pelos direitos humanos.

Também no encontro com os jovens e lembrando a sua juventude durante o regime nazi, Bento XVI falou da necessidade de prezar a liberdade, democracia e respeito pelos direitos humanos que os jovens hoje, em contraste com a sua juventude, gozam nos EUA e nas democracias ocidentais. E mais uma vez, o Papa foi mais longe alertando contra os perigos do multiculturalismo e do relativismo moral. Se a referência ao relativismo moral é um tópico caro a Bento XVI, já a referência aos perigos do multiculturalismo é ousada porque mais incómoda dado que nos meios mais tolerantes se tende a uma posição algo passiva, que prefere tantas vezes fechar os olhos para não ter que se confrontar com problemas como o desrespeito pela democracia, liberdade de expressão, igualdade entre sexos e o abuso da violência. Alertando para os perigos do multiculturalismo Bento XVI questiona a “bondade” de todas as tradições e culturas que se confrontam (não necessariamente no sentido bélico) hoje e tão de perto com a nossa.

15/04/08

Estrogénio e Progesterona

Não me lembro de um acto, decisão, medida política de Zapatero de que tenha gostado. Mas de repente e sem pensar muito daria uma lista exaustiva de actos decisões, medidas, tomadas de posição, prioridades políticas, de que discordei. Tal como com o conteúdo político, não gosto do seu estilo, desse constante bicos de pés que se vê na vontade de estar sempre na crista da onda politicamente correcta tudo muito bem planeado pelos profissionais do marketing comunicacional político. Mas hoje – acreditando que estas nomeações não têm como único objectivo colocarem Zapatero num patamar mais alto do politicamente correcto – tenho que confessar que o admiro pela escolha de tantas ministras e muito particularmente pela ousadia de ter nomeado uma Ministra da Defesa grávida. Ver uma mulher grávida Ministra a passar revista às tropas é uma imagem carregada de simbolismo à qual, enquanto mulher, é difícil ficar indiferente.

Num mundo em que as mulheres políticas em cargos de maior responsabilidade tendem ainda a ter como modelo Margaret Thatcher e a ser, como tantas vezes se comenta, mais homens do que os homens, pela determinação, força e exigência, dá gosto ver uma mulher política no auge da sua feminilidade: redonda, com estrogénio e progesterona no seu máximo e com roupa feminina tal como a sua condição exige. Final de gravidez, parto, aleitamento, e a respectiva montanha russa hormonal, eis o que espera a Ministra da Defesa espanhola e, como se isso fosse incompatível com o exercício de qualquer cargo de responsabilidade, eis os medos e tabus (tão previsíveis, afinal) por trás das críticas que têm sido feitas a esta escolha de Zapatero. Se não, eu não percebi mesmo o que é que se critica com esta nomeação: a nomeada aparentemente ter competência e curriculum? Ser socialista? Ser Mulher? Estar grávida?

10/04/08


Esta semana Sílvio Berlusconi tem sido igual a si próprio enchendo os jornais e serviços noticiosos com declarações bombásticas. Depois de ter afirmado que sabe falar Latim o suficiente para conversar ao almoço com Júlio César, o antigo Imperador de Roma (a SIC deu notícia deste facto há uns dias com um surpreendentemente sério Rodrigo Guedes de Carvalho), deixando-nos pasmados com a sua confiança e invejosos com o seu conhecimento, diz agora que as mulheres de direita são mais bonitas do que as de esquerda – nada que não se venha sussurrando ao longo dos tempos e em voz bem baixa pelos corredores da vida. A diferença está em Berlusconi falar alto e no facto de eu ter dificuldade em antipatizar esta personagem melhor do que a ficção que tem a lata que ele tem para dizer tontices ou barbaridades como quer e onde quer, nomeadamente em campanha eleitoral, ter ganho eleições e voltar a concorrer.

09/04/08

Pior do que retirar os Simpsons da televisão privada na Venezuela, só mesmo a sua substituição pela série Marés Vivas. Será que os pais telespectadores irão também apresentar queixa contra a má influência exercida por esta série nos neurónios dos seus filhos, ou a estupidez poderá continuar o seu livre curso, desta vez em fato de banho vermelho e decote normalizado de acordo com complexas equações geométricas?

02/01/08

O ano começa com práticas correntes em França onde se queimam carros, práticas que não são inéditas no Quénia onde se queimam pessoas e práticas novas a que teremos de nos habituar. Nada de inesperado nem de bom se augura para 2008.

Por cá, na Costa Oeste da Europa, anda todo o mundo atordoado com o fumo, incluindo o Presidente da ASAE que o afasta de si e teima em o deitar para os nossos olhos. O ímpeto legislativo, politicamente correcto e obrigacionista de mãos dadas com os brandos costumes e hipocrisia.

Sou surpreendida com as várias e sempre inevitáveis entrevistas de rua que os jornais televisivos nos mostram – neste caso entrevistas de café - em que, de repente, nenhum não-fumador se diz incomodado com o fumo. Eu fico feliz por saber que posso almoçar e jantar fora o tempo que quiser sem respirar cinzeiros e fumo nem ficar com a roupa toda a cheirar a tabaco. Só lamento que tenha sido preciso fazer uma lei para que isto aconteça, e para que o ambiente sem fumo seja um dado para um não-fumador. É o mundo que temos.

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