
Alexandr Sergeyevitch Pushkin, The Complete Prose Tales. The Moor of Peter the Great.
Com uma intensidade notável, Pushkin conta em três páginas o início de uma absorvente e apaixonada história de amor, o seu auge e o seu fim. Nada fica por dizer sobre o caso amoroso, sobre a surpresa da atracção, a intensidade da paixão, sobre a entrega cega, as contradições do amor, sobre o ciúme, o medo e o afastamento. A pequena novela prossegue na Rússia – começou em Paris - e Pushkin (de quem já falei neste blogue a propósito dessa obra-prima que é “A Dama de Espadas”) mais uma vez mostra ser um maestro na criação de personagens, na sua descrição de ambientes de salão, nos detalhes. É um desenhador minucioso e atento das suas personagens e nada lhe escapa nesse fazer, e nessa construção de uma intriga. Não se encontra em Pushkin a forte intensidade dramática de outros seus conterrâneos (que não contemporâneos), mas os contos /novelas têm sempre uma tensão que advém da complexidade das personagens construídas com essa delicadeza e minúcia do subtil. São histórias que se lêem com deleite, mas também com a alguma frustração pois ficam suspensas: Pushkin não terminou muitas delas, como é o caso da história The Moor of Peter The Great. Esta colectânea é feita de novelas, quase todas inacabadas (infelizmente) e de alguns contos. São uma outra face da Literatura Russa que normalmente conhecemos e é mais citada.
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