Que creio não se tratar de ‘fake news’, pois eu vi aqui o dito questionário, coisa preocupante, quanto mais não seja, porque naquela idade a atração deveria toda centrar-se em brincar, correr, e nos outros meninos e/ou meninas e não homens e mulheres. A coisa soa tão mal, só por isso ... Adiante.
Confesso que tenho enorme dificuldade em me adaptar (perceber) a todas as conversas sobre ‘género’ que abundam no espaço mediático e público na nossa sociedade. Habituei-me, do tempo em que era ensinada na escola e em casa pelos meus pais e familiares, a que a palavra género fosse usada num contexto de análise gramatical para classificar substantivos e respectivos adjectivos, como por exemplo: a palavra flor é do género feminino, a palavra ramo é do género masculino.
Por outro lado, a palavra sexo era o que distinguia os meninos das meninas, e tem sido usada para classificar as pessoas, umas são do sexo feminino, e outras são do sexo masculino.
Mas passaram algumas décadas, e hoje as conversas são outras. A palavra inglesa ‘gender’ fez seguramente um percurso enviesado na nossa língua, e fala-se agora (o meu agora é lato) de género com uma espantosa desenvoltura a propósito de coisas complicadas que cabem no amplo espectro semântico, ideológico e filosófico de palavras como sexo, sexualidade, preferências sexuais, identidade, inclusão, discriminação, igualdade, homossexualidade, heterossexualidade, transgénero, LGT, e muito, muito mais. Ando perdida.
Dividir o mundo entre homens e mulheres é fácil, intuitivo e perceptível para a comunidade. Ou se nasce com o sexo masculino ou se nasce com o sexo feminino, é uma questão biológica, é um facto. (Os raríssimos casos em que tal não se observa, merecem outro tratamento e não é sobre eles que falo). Mas dividir o mundo em ‘n’ géneros não é fácil, não é intuitivo, e sinto-o como uma imposição, pois trata-se de uma construção mental e cultural fruto de uma moda, mais do que de um avanço civilizacional (mesmo não sabendo muito bem o que este conceito quer dizer) e é, por isso, uma classificação forçada, pouco natural, e cuja necessidade não entendo.
Se o sexo da pessoa é do domínio público, normalmente olhamos para alguém e conseguimos dizer se é mulher ou homem, o género – ou melhor as opções de como cada um constrói e vive a sua sexualidade (é isso, não é?) – são do domínio da vida privada, podendo ou não ser público e notório, mas basicamente, ninguém tem nada com isso, e raramente tal assunto me merece atenção, quanto mais interesse. O que se vive na casa, no quarto de cada um, é com cada um. Devo referir que este ‘privado’ não é sinónimo de secreto, nem pressupõe nenhum tipo de discriminação ou opressão, é tão somente a vida de cada um como cada um a escolhe viver. Por isso não percebo a necessidade (imposição) que a opção ou decisão ou aceitação de como vivemos a sexualidade tem que ser tornada pública enquanto elemento identitário ‘oficial’ e ‘administrativo’ em vez do sexo com que nascemos. Em que momento é que essa construção de si (opção, escolha, aceitação, eu sei lá) está terminada? Tem de estar terminada e fixada para sempre? E se muda (porque não?) e entra em conflicto com o que foi anteriormente declarado oficialmente por exemplo no CC? Muda-se outra vez? Porque é que essa dimensão identitária do género é mais relevante do que outras que nos constroem e que fazem quem somos e nos definem? Levado a um extremo, (ou talvez não), aposto que muitos sócios do Benfica até gostariam de ter essa filiação no Cartão do Cidadão!
Ao preencher uma qualquer ficha de identificação já me deparei com o pedido do género entre várias opções que não o simples binómio masculino /feminino, e algumas até dão a opção de personalizar o género. É isso, personalizar. Faz-se como? Se isto é complicado para os adultos, imagine-se para as crianças. Como é que se lhes impõe uma escolha ancorada num vasto leque de opções? Como é que se explica? E sobretudo, porquê obrigar crianças a definir o seu género? Realmente esta problemática dos géneros é toda uma nova dimensão que se abre, e não creio que seja um bom caminho esse que nos estão a obrigar a percorrer. Mas criticá-lo é imediatamente sinónimo de intolerância, de discriminação. Não são tempos fáceis para a liberdade de expressão.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, (...) E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.
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14/10/18
15/12/10
O que Sempre Sobra
Confesso-me num período de pouco interesse, bem como poucas tentativas de me manter informada, na actualidade portuguesa ou não, tão má ela é. Fica no entanto alguma espuma sobre o mundo que, tal como o conhecíamos, caminha para um local estranho que não se sabe bem se é um abismo. Nota-se um impasse generalizado cá e lá e nada de bom parece se avizinhar, não há messias à vista nem políticos (e gentes) em quem consigamos confiar. As expectativas são baixas e o optimismo para 2011 é um exclusivo de José Sócrates e de outros líderes feitos do mesmo barro.
Sobra, o que sempre vai sobrando, e a que alguém chamava há muitos anos justificando os muitos filhos que tinha: “o teatrinho dos pobres”. Neste caso serão mais pobres de espírito, mas correndo o sério risco de pobreza tout court. Como ia dizendo, sobra algum sexo que anda a entreter os jornais (e as gentes) pelo mundo fora. Desta vez não é um presidente americano, ou candidato a; desta vez não é na Casa Branca, é um Australiano na Suécia com duas mulheres suecas. Não se discute se há ou não uma relação sexual, discute-se o ser “sexo de surpresa” ou não. E há quem leve isto a sério, e prenda ou liberte alguém com base na discussão deste conceito (juntamente, ao que parece, com o uso ou não de preservativos), sem que ninguém tenha coragem de dizer ”ao que vem” e que acusação quer fazer. Demasiada metafísica para mim.
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04/06/09
Educação Sexual na Escola
Eu sou muito crítica em relação a muito do que é a Escola hoje. E por escola entendo quer a escola pública, quer a privada, pois ambas têm que seguir as disciplinas, os programas e os horários estabelecidos pelo Ministério da Educação. Em Portugal não há, infelizmente, verdadeira liberdade no ensino. A escola privada não pode escolher os seus programas, os pais não podem escolher o que os filhos aprendem. Ninguém se queixa muito!
Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.
Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.
Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.
Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.
Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.
Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.
04/12/08
Do Sexo
FNV diz aqui ter cumprido uma promessa na revista Ler deste mês; a de escrever sobre sexo sem guinchos nos currais, nem leite de mamas, e essas imagens pictóricas afins que parecem povoar a recente produção literária portuguesa, com a qual (excepção feita dos romances de Miguel Sousa Tavares) não estou familiarizada. Tomo, como é óbvio, por boas as suas palavras com que outros concordam. É um acto corajoso, pois põe a fasquia elevada, e espero que seja bem sucedido - ainda não vi a revista, muito menos a comprei e li. O meu alheamento da recente produção nacional de romances parece ter-me privado de momentos lúdicos que apelam de forma tentadora aos vários sentidos. Já não é mau quando pensamos nas cenas que nos são servidas nos filmes em geral, sobretudo produção americana, como cenas de sexo e que vemos com algum tédio de tal forma insistem nos mesmos estereótipos tornando-se de uma previsibilidade infinitamente superior à da mecânica de um Swatch o que deveria ser mais do mistério da Patek Phillipe. Ninguém parece incomodar-se com isso, não há manifestos a favor de uma melhoria das cenas de sexo, bem pelo contrário, o público parece estar satisfeito e quando se aumenta a exposição anatómica, aumenta-se a idade recomendada para ver o filme ou arrisca-se a uma classificação X. Essas são as variantes em jogo, as if... Quando se vê um filme com belas e realistas cenas de sexo como, por exemplo, Lust, Caution de Ang Lee, que comentei aqui, é com espanto que se constata que passou despercebido e não mereceu nenhum tipo de aplauso; porque era um bom filme que ousou filmar sexo sem medos e com outra coreografia, imprevisibilidade e ousadia que não a do esquema por demais usado e abusado. Conseguiu escapar a uma classificação X, mas pouco se falou dele. Nestes tempos actuais do politicamente correcto raramente vemos filmes como Body Heat ou Fatal Attraction. É pena que seja tão difícil ter a liberdade e equilíbrio necessárias quer à escrita quer à realização de cenas de sexo credíveis, mas que consigam, pelo menos, espelhar alguma da riqueza do eros.
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