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12/02/09

Doubt

Por vezes parecia que estava a ver um filme de acção: suspirava de alívio de cada vez que terminava um diálogo, tal a tensão dramática e a atenção que eles requeriam. Todos os detalhes contam: o cenário, os gestos, os tempos de fazer o que se faz, ou de dizer o que se diz, a expressão da cara que os inúmeros primeiros planos ajudam a decifrar. Outro filme feito para ver os actores brilharem e eles brilham. Todos eles o que é também um claro sinal de mérito do realizador.

Tudo se passa em pouco tempo e em pouco espaço. Grandes dúvidas, grandes certezas, algumas hesitações. “Kindness” contra “virtue”. Complacência contra determinação. Tolerância contra intolerância. O que é a verdade, onde está a verdade. Todos estes tópicos fluem inteligentemente, evitando slogans, verdades pré-fabricadas ou politicamente correctas, polémicas fracturantes e sentimentalismos fáceis, num ambiente depurado quer do ponto de vista formal quer psicológico. Cada diálogo é uma luta entre verdades num pano de fundo de catolicismo. Para nosso desafio e deleite neste filme não há um minuto perdido, e vê-se avidamente sem sentir o tempo passar.
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19/09/08

Anti-oxidante



Há duas semanas vi o Mamma Mia!. Há uma semana vi o Mamma Mia!. Esta semana vou ver o Mamma Mia!. Farei este tratamento seis semanas consecutivas e abdicarei do complexo multivitamínico que se toma nas mudanças de estação. Acho que terá o mesmo, senão ainda melhor, efeito: anti-oxidante.

(Homens desenganai-vos! O filme é também para vós, e o efeito anti-oxidante é garantido.)

(By the way, Meryl Streep merece mais uma nomeação.)

27/05/08

Combate ao Sedentarismo 54

Sidney Pollack. "Out of Africa"

Poderia começar a escrever este post com as palavras com que comecei o último: há coisas que parece que já tinha esquecido e lembrá-las é como uma janela que se abre....

Isto a propósito da morte de Sidney Pollack, um realizador que foi ao longo da vida uma presença constante, uma espécie de vizinho que sabemos quem é, conhecemos-lhe a cara, vemo-lo através do tempo que passa, das coisas que faz, mas com quem nunca falamos. Vi-o a última vez (como actor e produtor) em "Michael Clayton" e como realizador em “The Interpreter”, um bom thriller. Parece que o “vi” pela primeira vez com grande entusiasmo na altura em “Tootsie” e só depois o vi naquele filme culto que marcou uma época “They Shoot Horses, Don’t They?”. Chorei as lágrimas esperadas no melodrama dos melodramas “Out of Africa”, que depois de uma fase de nojo, revi recentemente com gosto, “The Way We Were”, nunca me entusiasmou tanto como melodrama. Pollack foi (é) um dos representantes da essência do cinema americano, no seu caso nos finais do séc XX. May he rest in peace.

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