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07/02/08

Dando Excessivamente sobre o Mar 25

Salvador Dali
El Gran Enigma (1938)

06/02/08

Dando Excessivamente sobre o Mar 24

Salvador Dali
Muchacha en la Ventana (1925)
(clicar para aumentar)

Desaprender

Há uns anos tinha a mania que não gostava de Picasso, coisa de pouca duração porque em frente da Guernica rendi-me à evidência da sua genialidade, quase malgré moi, e apartir daí foram outros os olhos que olharam. Quando pensava que não gostava de Picasso dizia-me, no entanto, admiradora de Dali e de Miró. Tenho ao longo do tempo sido constante no meu gosto por Dali, admiro e “acho graça” à sua imaginação, ao delírio, à metáfora, à ousadia, o seu querer chocar-nos, e também o facto de saber desenhar bem (tal como Picasso).

Miró é um caso distinto. Como com tanta coisa na vida também com Miró o meu olhar mudou, e o que era já não é. Assim hoje, em frente dos seus quadros, de todos os formatos, de todos os tamanhos e de todas as cores, o espanto foi muito: aqueles fios (linhas, curvas?) compridos e pretos com bolas nas pontas e outras bolas maiores, com ou sem olhos (?) espalhadas pela tela, às vezes com côres primárias, outras mais acizentadas ou simplesmente a preto e branco, deixaram-me surpreendentemente indiferente. Nem gostei nem deixei de gostar. Aquela linguagem pareceu-me vazia e irrelevante. Um ou outro quadro talvez tivessem provocado um “que giro!” mental, algo que é verdadeiramente insuficiente e banal. O desconforto da desilusão, pois se eu percebo que se “aprenda a gostar” de uma qualquer manifestação de arte, já me é muito mais dificil perceber o contrário, talvez porque menos usual, e perceber que se desaprenda de gostar ao ponto da indiferença. Porque é que o feitiço se perde, porque é que a leitura, o sentir e a adesão se modificam assim afastando-nos?

31/07/07

Liquefação

Salvador Dali revela-se sempre uma grande, e previsível, ajuda para ilustrar a liquidez e a plasticidade do tempo. Na sua série de quadros sobre o tempo com relógios líquidos, entramos no domínio da metáfora do tempo que passa, na relatividade do tempo que se vive, mais do que no domínio da ciência exacta, há quem lhe chame arte, da medição do tempo. Mas medir o tempo é um dos mais antigos fascínios da humanidade.

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