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06/12/12

Passado à História


O core do século XX a passar inexoravelmente à História e a deixar de vez de ser nosso.

Os Rolling Stones, daquela parte do séc XX que melhor conhecemos mas que não será necessariamente aquela que daqui a muitas gerações será lembrada como a mais emblemática, podem continuar a dar concertos que a realidade não deixa de ser o que é. A teimosia humana não consegue prender o que já foi. E o passado que ainda temos como presente, já não é. É mesmo passado; passado à História.

31/05/12

Bem-vindo À Europa, caro Senhor Obama

Ser bem aparecido, bem falante, e já agora como noutros tempos reparava Berlusconi, bronzeado, é bom, mas não basta para merecer cega admiração ou devoção. No entanto eu não consigo impedir-me de sentir alguma simpatia por si, recentemente ‘apanhado’ em mais uma gaffe na e sobre a Europa. Os campos de concentração só são polacos por estarem na Polónia, nada mais, claro. Mas toda a História presente nos campos de concentração na (e não ‘da’ Polónia) é demasiado densa e complexa para qualquer americano que da costa do Pacífico à costa do Atlântico só conhece um país, uma língua, um hino, por muito Harvard que tenha frequentado. Aliás a História da Europa é demasiado complexa até para os europeus que do Atlântico aos montes Urais partilham um território mais pequeno do que os EUA, mas têm um número que nunca é ‘definitivo’ de países, fronteiras pouco estáveis, um número incontável de línguas e dialectos e tradições cada uma mais antiga e importante do que a outra. 

A chamada crise grega - que não é um exclusivo da Grécia, nem começou na Grécia (mas sobre isso falaremos outro dia), e que todos os dias se revela em novos episódios - tem servido para perceber a desconfiança e sobretudo a ignorância que ainda temos uns sobre os outros e que nenhum Erasmo, com todo o seu inegável mérito, tem conseguido erradicar. Em momentos difíceis percebe-se o pulsar de antigas mágoas, feridas e a conflituosidade que habita a Europa por baixo das capas, dos discursos e das intenções, e do recente verniz europeísta feito de CEE, feito de UE, feito de Euros e dos ditos alegres e tão populares Erasmos. Bem-vindo à Europa, caro Senhor Obama.

09/03/07

Uma ideia de Europa

Pandoraand The Flying Dutchman

Nos últimos anos está na moda falar em Caixa de Pandora nas mais variadas circunstâncias. Eu gosto da história de Pandora, a ideia de que algum dia todos segredos e todos os males possam ter estado fechados numa caixa é sedutora, tanto como é compreensível a curiosidade que levou a que se abrisse a caixa. Hoje, a propósito de um manual Europeu de História para o ensino, vem de novo a imagem de Pandora, mas parece-me que neste caso se trata não de abrir uma caixa, mas sim da intenção de fechar de novo os males e segredos numa caixa, ou seja num manual de História. A decisão de saber o que é um mal, um flagelo, um segredo, de saber quais os relevantes e em que proporções, de modo a não ferir susceptibilidades nacionalistas, étnicas ou políticas é que será interessante e seguramente objecto de clivagens, discórdias, desentendimentos. Os bons valores comuns europeus seriam exaltados e valorizados se se estudasse mais arte, mais escultura, mais pintura, mais arquitectura, mais música, mais literatura, mais teatro, mais ópera, mais mitologia, mais filosofia. Depressa se tornaria irrelevante a ideia de um manual de História comum.

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