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17/05/09

Vergonha na Cara

Diz António Barreto que “O Magistrado Lopes da Mota não deve sair do EUROJUST. Não deve suspender o seu cargo. Nem pedir a demissão. Nem ser demitido. Se a representação de um Estado deve traduzir a verdade, ele é o homem certo no lugar certo (...)Ele é o genuíno e fiel símbolo da justiça portuguesa”. Tem toda a razão, mas eu tenho vergonha que assim seja. Problema meu, eu sei, mas tenho vergonha – já nem falo de ética, de moral, só de vergonha - de Lopes da Mota, de Cândida de Almeida que não sabe estar calada, do “primo do Kung-Fu”, do primo do primo, enfim... calarei a minha lenga-lenga de satélites que gravitam à volta do poder e com “respeitinho” para com o poder, para não maçar ninguém. Eles não têm vergonha mas eu tenho por eles e tenho mais por eles não a terem do que por fazerem o que fazem. A vergonha genuina aparece pouco. Muitas vezes esconde-se a vergonha com humor desprendido, com inteligentes análises, com críticas acutilantes, com inflamada indignação, com protesto, mas no fim do dia fica o embaraço e a vergonha de sermos o que somos: um país pobre, sobretudo de espírito, um povo de brandos costumes que se acomoda à mediocridade que lhe permite ir ao café dizer mal de tudo e de todos. Brandos costumes da treta que imobilizam o cérebro e o corpo, que impedem um rasgo de genuína revolta e vergonha. Enchem-se as praias ou os shoppings, abstemo-nos nas eleições porque “não vale a pena” - dito com um suspiro de quem se habitua a um fado que não merece mas suporta com estoicismo. Ah, merecemos sim; merecemos cada um dos políticos que temos, cada uma das “elites” administrativas, financeiras, judiciárias e mediáticas que temos. Que importa Lopes da Mota, Pinho, o primo do Kung-Fu, o primo do primo, a mãe do primo do primo, o tio do primo do primo, o Freeport, as “alegadas” pressões. Tudo bem, tudo normal, ninguém se demite. Outros fizeram-no por muito menos cá em Portugal e no estrangeiro, mas nestes casos deste consulado Socrático essa questão nunca se coloca. Ninguém tem vergonha na cara.

13/03/07

Sacramentum Caritatis

Na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis (notícia aqui no Público, outra aqui na BBC, entre muitas), documento sobre o Sacramento da Eucaristia, é reafirmada a obrigatoriedade do celibato no clérigo, e reafirmada a exclusão da comunhão de católicos divorciados e casados de novo, católicos a viver em união de facto, nomeadamente casais homossexuais (valores não negociáveis, segundo Bento XVI). Este texto, embora não surpreenda nenhum católico, que finalmente (re)vê o já conhecido Cardeal Ratzinger, funcionará como um balde de água fria nos sectores católicos que esperam desde o fim do Concílio Vaticano II uma mudança gradual de algumas orientações de Roma no que diz respeito à moral privada dos católicos. Todo um sector que aguarda uma pequena abertura em relação ao celibato dos padres, uma flexibilidade em relação ao divórcio, contracepção, sabendo que assuntos como a ordenação das mulheres ou uniões de facto homossexuais ainda terão que esperar mais.

Este documento é muito importante no que tem de reafirmação e inflexibilidade no rumo da Igreja e deixará um amargo de boca em muitos sectores mais liberais que gostavam de sentir que, apesar de devagar, a Igreja se move. Bento XVI, inteligente teólogo, hábil político e defensor inequívoco da sua Igreja (no sentido lato) é, sem surpresas, reafirmo, intransigente nas polémicas questões da moral privada dos católicos que tanto os mantém afastados das Igrejas, e que tanta dissonância cria de cada vez que um Bispo ou um Padre ousa clara e abertamente afirmar a sua discordância em relação ao Papa. Não hão-de faltar polémicas em torno deste texto sobre a Eucaristia.

Ainda não li o texto todo disponível em Português aqui, mas, com tempo o farei.

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