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22/04/12

Allons Enfants...

Tenho seguido ao longe a campanha presidencial francesa, mas nestes últimos dias li com mais cuidado o que na imprensa se vai escrevendo, mas voltei-me sobretudo para a imprensa britânica. Para além daquela distância e frieza típicas do jornalismo anglo-saxão, eu já sei que um olhar britânico sobre os francesas é sempre pontuado com mais ironia do que a utilizada normalmente, e isso faz com que a leitura seja, além de informativa, divertida. 

A percepção com que fiquei é a de que são identificadas duas grandes questões. A primeira, que não é nova, tem a ver com a dificuldade que a França tem de se olhar de se ver a si própria. De enfrentar a realidade dos problemas económicos e financeiros com que se debate. De evoluir: a sociedade francesa continua acorrentada a uma ideia de intelectualidade e esquerdismo, já há muito desusada. O artigo da BBC é particularmente irónico sobre esta imagem de político e de intelectual/esquerda que perdura entre os franceses. 

A segunda questão tem a ver com o sentimento anti-Sarkozy que domina hoje o ambiente político em França. Sarkozy não corresponde à imagem da elite política a que os franceses estão (estavam?) habituados; não perde tempo a louvar a ‘Grandeur de la France’; exibe alguns tiques de novo-riquismo, é exuberante, etc. Ironicamente os franceses são contra Sarkozy por questões pessoais mais do que políticas. François Hollande, como ilustra o cartoon do The Economist só consegue entusiasmar por ser tão diferente de Sarkozy, nunca por mérito próprio. 

Deixo aqui excertos de alguns artigos que li e que ilustram estas questões. 

(The Economist, The Anti-Sarkozy Vote) 

(The economist, A country in denial) 

26/02/08

Procuradoria-Geral da República abre inquérito ao processo do Casino Lisboa. Será que ainda há alguém que ainda crê? Será que há alguém que não sente nausea perante este rodopio de abertura de inquéritos que invariavelmente param na gaveta? Eu quero notícias sobre o fecho e os resultados claros dos inquéritos que se abrem.

Impossível não gostar de Sarkozy. Eu tento, pois tantas vezes me desagrada a sua postura, as suas decisões precipitadas, os seus humores incontroláveis. Mas deve ser isso, essa fragilidade, essas fraquezas expostas e que ele nem tenta disfarçar gostando desse "ser igual a si próprio", talvez acreditando-se especial ou imortal, alguma dessas coisas que os heróis acreditam ser e que afinal só remetem a uma enorme humanidade.

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