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19/01/14




Na semana em que, em França, Hollande “meteu o socialismo na gaveta” deixando ainda mais atarantados aqueles que, na Eurpoa, continuam a acreditar no socialismo; na semana em que, em França, poderia reflectir sobre o que são exactamente as “Primeiras Damas” numa República que não as elege, e sobre o papel que informal ou formalmente lhes é atribuído e o que delas se espera; na semana em que poderia destacar as diferenças entre o jornalismo “cor-de-rosa” e a opinião pública anglo-saxónica e a latina; sinto-me incapaz de uma reflexão mais séria pois, indevidamente é certo, esbarro naquilo a que José Medeiros Ferreira, na sua sabedoria, chama a estonteante capacidade de sedução do PRF. O presidente do cabelo pintado (seguindo as pegadas de Berlusconi) é uma caixinha de surpresas.

08/05/12

Allons Enfants... 2

Ninguém terá reparado na cor do cabelo dos candidatos presidenciais franceses da segunda volta? 

Confesso algum preconceito em relação a este tipo de opção masculina que é mais forte em relação a quem exerce cargos públicos. Que a verdadeira cor do cabelo das mulheres seja um dos mais sólidos tabus das sociedades modernas, já estou habituada. Que a partir de uma certa idade (cada vez menor) nenhuma mulher se lembre exactamente da cor original do seu cabelo, já estou habituada. Mas ver os dois candidatos a presidentes da França, de cabelo repentinamente escuro, escondendo os brancos que já todos vimos, parece-me uma opção sem nexo. É provavelmente o fruto de uma estudada (não são sempre ‘estudadas’?) manobra de marketing político que, mais uma vez, privilegia a imagem e detrimento do conteúdo (fraco, muito fraco) e que impõe uns códigos sempre no sentido de forçar a nota ‘jovem’, num caso em que a nota ‘sabedoria’ e/ou ‘experiência’ deveriam ser predominantes. Para mim, as cabeças que de repente, e no tempo de uma campanha política, se vêem sem uma branca tornam-se demasiado ‘leves’, perdem em credibilidade. Até senti a falta da normalidade capilar de François Bayrou ou de Jean-Luc Mélonchon, para não ir mais longe no tempo e lembrar a exuberância de Dominique de Villepin.

22/04/12

Allons Enfants...

Tenho seguido ao longe a campanha presidencial francesa, mas nestes últimos dias li com mais cuidado o que na imprensa se vai escrevendo, mas voltei-me sobretudo para a imprensa britânica. Para além daquela distância e frieza típicas do jornalismo anglo-saxão, eu já sei que um olhar britânico sobre os francesas é sempre pontuado com mais ironia do que a utilizada normalmente, e isso faz com que a leitura seja, além de informativa, divertida. 

A percepção com que fiquei é a de que são identificadas duas grandes questões. A primeira, que não é nova, tem a ver com a dificuldade que a França tem de se olhar de se ver a si própria. De enfrentar a realidade dos problemas económicos e financeiros com que se debate. De evoluir: a sociedade francesa continua acorrentada a uma ideia de intelectualidade e esquerdismo, já há muito desusada. O artigo da BBC é particularmente irónico sobre esta imagem de político e de intelectual/esquerda que perdura entre os franceses. 

A segunda questão tem a ver com o sentimento anti-Sarkozy que domina hoje o ambiente político em França. Sarkozy não corresponde à imagem da elite política a que os franceses estão (estavam?) habituados; não perde tempo a louvar a ‘Grandeur de la France’; exibe alguns tiques de novo-riquismo, é exuberante, etc. Ironicamente os franceses são contra Sarkozy por questões pessoais mais do que políticas. François Hollande, como ilustra o cartoon do The Economist só consegue entusiasmar por ser tão diferente de Sarkozy, nunca por mérito próprio. 

Deixo aqui excertos de alguns artigos que li e que ilustram estas questões. 

(The Economist, The Anti-Sarkozy Vote) 

(The economist, A country in denial) 

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