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22/03/12

Os piquetes de greve foram a grande notícia que ouvi cedo de manhã nas rádios. Eu não tenho ‘cultura de esquerda’, mas acredito que o direito à greve faz parte dos direitos fundamentais das pessoas que trabalham e gosto de viver numa sociedade em que se pode fazer greve. No entanto não gosto daquilo que considero um reduto do comunismo, que é aceite nas nossas sociedades, e que são os piquetes de greve. Que tipo de greve é essa quando os trabalhadores são forçados a fazê-la? Porque é que os sindicatos continuam a encorajar os piquetes? Porque é que recusar fazer greve não é aceitável numa sociedade em que fazer greve é? Falta-me certamente a dita ‘cultura de esquerda’, porque de cada vez que há uma greve fico indignada que se mantenham os piquetes. 

Há pouco tive que ouvir o taxista que me transportou a discorrer sobre a greve no percurso que fizemos. Fez jus ao cliché da ‘filosofia taxista’: ó minha senhora, isto da greve é para quem tem a sorte de ter trabalho, porque se formos a ver os desempregados, esses sim é que deviam fazer greve.

24/11/10

Olho para o debate político no país e vejo um vazio povoado de exclamações, declarações, ameaças veladas – só retórica. Os líderes dão o exemplo: Sócrates hoje desapareceu, Passos Coelho titubeou. Estão muito preocupados consigo próprios, num dia em que a greve geral paralisa o país. De um lado e de outro enunciam-se os estragos, contam-se os números, repetem-se palavras de ordem, algumas demasiado desgastadas e outros tempos. Inventam-se boas estratégias para fugir do real.

Esperamos todos, uns mais bem sentados do que outros (um dos muitos exemplos que facilmente se encontram), que chegue o dia em que alguém venha resolver os nossos problemas. Parece que a chuva parou.

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