Ao contrário do que nos querem fazer crer, a crise política desencadeada com a saída de Victor Gaspar e posterior pedido de demissão de Paulo Portas, não é propriamente a responsável pela subida dos juros, é só o pretexto. José Sócrates foi. Mas hoje as desastrosas opções políticas deste governo de Pedro Passos Coelho, o Primeiro-ministro, patentes nas suas discutíveis medidas de controle financeiro e o respectivo resultado é que são. Não é porque Victor Gaspar e Paulo Portas saem do governo que os juros sobem. Os juros sobem porque o país nada ganhou com eles. Nada ganhou com Pedro Passos Coelho. Voltamos à estaca zero.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, (...) E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.
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03/07/13
13/08/11
Vou Fazer as Malas
Olho para um governo que ainda não me surpreendeu; não é que eu o esperasse, note-se, mas vamos ouvindo dizer que sim que vai 'tudo mudar' que 'agora é que 'e', e confesso, às vezes custa o cepticismo e custa ser 'Velho do Restelo'. Até hoje – incluindo a comunicação (‘um flop’) do Ministro das Finanças sobre os cortes na despesa pública que se saldaram num aumento de IVA (aumento das receitas) para a electricidade e gás que será altamente penalizador – revejo, com personagens mais aprazíveis e a merecerem menos desconfiança e repúdio, é certo, o que já conheço: a política do anúncio em ritmo estudado para o povo e do pacote pré-fabricado para a comunicação social (acrítica e a banhos nesta altura) a sobrepor-se ao trabalho duro, exigente e incómodo para tantos de ‘mudar’ (não, não é paradigma): iniciar um árduo processo de pensar e implementar as reformas estruturais de que o pais precisa (justiça, saúde, administração do território, do funcionalismo público...); mudar a mentalidade estatizante (um exemplo: a RTP – VPV no Público de hoje e JJP aqui); saber explicar de forma compreensível as decisões que se tomam (exemplo? A venda do BPN); só para dar alguns exemplos sem me esforçar muito, está calor.
Olho para um mundo e uma Europa que cada dia se torna mais irreconhecível: depois de um massacre (terrorista) na Noruega cujos contornos e intenções ainda estamos para perceber bem, sucedem-se os mutins em Inglaterra, sobretudo em Londres e arredores, que nos deixam absolutamente perplexos. Num outro nível a dívida pública americana vê o seu rating, as dívidas soberanas francesa e italiana são pressionadas com aumento de taxa de juros e temem o pior com os mercados financeiros em agitação constante e fortes quedas. Acalmam-se os mercados de forma artificial tendo alguns países (os de tradições mais liberais opuseram-se como se esperava) proibido o ‘short-selling’. Eu tendo a desconfiar das ‘soluções’ que se encontram usando ‘proibições’, e certamente desconfio desta. Veremos o que se passa quando o efeito do ‘sedativo’ dado a alguns mercados europeus passar.
A sensação de estranheza está cá. Tento reconhecer o que penso conhecer: Portugal, a Europa, o mundo Ocidental, a minha civilização, a minha pertença. Já não sei o que (re)conheço. Sei o que temo. O ‘meu’ mundo assim como está, continuará a ser viável?
Vou fazer as malas.
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05/08/11
Os Mercados, as Bruxas de Hoje
Parece que começou uma ‘caça às bruxas’ que são hoje as agências de rating. Agora é a vez da Itália. Há algo de simbólico nesta perseguição às agencias de rating; a habitual negação de uma (quase) evidência contrária ao optimismo de fachada e pensamento positivo que dominam a análise e a forma com que teimosamente se persiste em olhar o nosso mundo (o Europeu sobretudo). Eu sei que se enxotam os abutres quando eles começam a aproximar-se, mas o cheiro a cadáver está lá. Também há a história dos mensageiros que eram mortos quando traziam más notícias. Ou dos livros que se queimavam, e das pessoas que se calavam matando-as ou levando-as para a prisão. Tudo em vão, como a história nos demonstra. A longo prazo, nunca é eficaz: a verdade vence sempre. E a verdade sobre a situação económica e financeira de uma Europa desgastada, gastadora e sem soluções à vista e, apesar dos casos serem bem diferentes, de uma América sobreendividada, irá impor-se.
O facto é que o mercado, essa entidade abstracta e sem alma (que, ao contrário dos agentes, esses sim com alma e intenção), não mente, e a forma como digere a sua informação é absolutamente desprovida de ‘wishuful thinking’, ou de processos intencionais ideológicos ou políticos. Quando há mais quem queira comprar reage duma forma, quando há mais quem queira vender, reage doutra forma. Esta lógica implacável – e tão simples e transparente – sempre intrigou e sempre incomodou, sobretudo os agentes económicos e políticos que, ciclicamente, culpam o mercado pelas más decisões que eles próprios vêm tomando ao longo de décadas. Investiguem, processem, punam, acabem com a Moody’s, a Finch ou a S&P; nada disso alterará o que é e o que vem aí.
Adenda: Às 08:25, minutos depois de publicar este post, já se sabe como abriu o nosso mercado. O melhor mesmo é ir para a praia; o pior é o vento...
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16/03/11
Veja as Diferenças
Entre esta descrição do Portugal real de hoje (fora os problemas sociais), em que se realça as poucas perspectivas de um sustentado crescimento económico:
E a conversa mole e vitimizadora de José Sócrates na entrevista de ontem na SIC, em que os culpados são sempre a crise externa e a oposição. Ele também jurava a pés juntos conhecer o país real.
Esta diferença de abordagem é o espelho do surrealismo em que vivemos. O PSD faz bem em tentar pôr cobro a esta farsa, mas convém nunca subestimar a capacidade de sobrevivência e a ambição políticas de José Sócrates. Pensar e negociar (entre PS, PSD e CDS) de forma séria e exequível um futuro para o país, deveria obrigatoriamente arredar José Sócrates desse cenário. Ele sabe isso e tem-nos a todos reféns. Ignorar estes factos é acreditar em contos de fadas, ou querer meramente brincar às eleições e aos governos. Não basta dizer “Já Basta”.
Adenda:
Ler na íntegra este post de rui a. no Blasfémias.
Também convém não esquecer nunca o tipo de slogans que lemos e ouvimos no sábado último na manifestação da "Geração à Rasca", que encheu as ruas das principais cidades do país e juntou gerações (assim disseram) de gente insatisfeita, que exigia mais e pedia mais do Estado, não lembro de ver slogans a pedir e exigir menos do Estado, a não ser os habituais lugares comuns populistas contra os "ricos" e os políticos. É este o eleitorado que temos.
11/03/11
Cara ou Coroa
Já vimos no PEC IV anunciado hoje (e ao que parece sem prévio conhecimento do PR) os resultados práticos da ida de José Sócrates a Berlim, chamado por Angela Merkel, claro, que entretanto vai avisando: “cada país é responsável pelas suas dívidas”. Por cá, os nossos governantes atordoados com os crescentes problemas financeiros comprometem, com medidas desesperadas e cortando a direito (perdoe-se o plebeísmo), cada dia um pouco mais, o crescimento da economia, a importância da política, a estabilidade social. Os mercados vêem um PEC atrás do outro e não se deixam impressionar com mais aumentos de receitas à custa da economia. O retrato, cruel segundo disseram os socialistas, que Cavaco Silva fez do país no seu discurso na tomada de posse, só pecou por ter sido brando. José Sócrates continua obstinado a não querer ver o país que tem para governar, e a não querer ver nem perceber. Foge para a frente utilizando sempre os meios mais fáceis. No entanto não descura nunca a propaganda: enche a agenda de inaugurações e anúncios para uma entidade abstracta que ele crê ser o nosso país, algo que só existe na sua cabeça. E nós vemos que quem o rodeia se presta a esse jogo da cegueira selectiva.
Mas parece, segundo o que lemos por aí, que esta semana a alternativa se chama“geração à rasca”. Deus nos livre! Esta expressão é, só por si, motivo de rejeição de tal "conceito" da minha parte. Mas há mais: nutro cada vez menos simpatia, e tenho cada vez menos paciência por todos aqueles que passados os vinte e poucos anos continuam a achar-se e a chamar-se “jovens” (os que convocam a manifestação dizem-se jovens). É tempo de crescerem, serem adultos, eu sei que o marketing moderno não ajuda, mas há compensações, prometo. Percebam que na vossa idade continuarem a culpar a gerações anteriores dos vossos insucessos fica mal e é claro sinal de imaturidade. Lamentavelmente já não se estranha quase nada num país torpe que se deixa enlear no primeiro entusiasmo demagógico que ouve/vê no facebook - assim como está na moda, (Egipto, e tal), um país que adere a slogans fáceis contra a classe política que querem deitar abaixo (e fica quem?), um país em que a comunicação social se deslumbra com tanta manifestação popular, mas um país onde todos (PM incluído) e cada um, recusam ser responsabilizados. Temos todos (“deolindos” incluídos, ou especialmente incluídos que as abstenções muito se devem a eles) os políticos que elegemos, e em última análise, que merecemos. Resta-me a mim o desabafo (já nem consolo é) "nunca votei neles".
Mas parece, segundo o que lemos por aí, que esta semana a alternativa se chama“geração à rasca”. Deus nos livre! Esta expressão é, só por si, motivo de rejeição de tal "conceito" da minha parte. Mas há mais: nutro cada vez menos simpatia, e tenho cada vez menos paciência por todos aqueles que passados os vinte e poucos anos continuam a achar-se e a chamar-se “jovens” (os que convocam a manifestação dizem-se jovens). É tempo de crescerem, serem adultos, eu sei que o marketing moderno não ajuda, mas há compensações, prometo. Percebam que na vossa idade continuarem a culpar a gerações anteriores dos vossos insucessos fica mal e é claro sinal de imaturidade. Lamentavelmente já não se estranha quase nada num país torpe que se deixa enlear no primeiro entusiasmo demagógico que ouve/vê no facebook - assim como está na moda, (Egipto, e tal), um país que adere a slogans fáceis contra a classe política que querem deitar abaixo (e fica quem?), um país em que a comunicação social se deslumbra com tanta manifestação popular, mas um país onde todos (PM incluído) e cada um, recusam ser responsabilizados. Temos todos (“deolindos” incluídos, ou especialmente incluídos que as abstenções muito se devem a eles) os políticos que elegemos, e em última análise, que merecemos. Resta-me a mim o desabafo (já nem consolo é) "nunca votei neles".
13/01/11
Sebastianismo
Hoje
Infelizmente D. Sebastião não chegou ontem para salvar Portugal, não sabemos sequer se chegará e quando chegará. Melhor mesmo - e mais seguro - será manter a cabeça fria, e os pés bem assentes na terra.
31/12/10
2010 e 2011
O canal Mezzo salva-nos hoje à tarde do excesso de festividades e da indolência de nada querer fazer, cansada de tanta celebração sabe Deus de quê e de excessos de espíritos festivos. Olho desconsolada para um ano que passou e sem entusiasmo para o que há-de vir, e temo que as palavras,
crise internacional, “incompreensão” dos mercados, ataques especulativos, dívida externa, deficit, novas tecnologias, sinais de crescimento, novas tecnologias, FMI, casamento gay, outro candidato de direita, pedofilia, controle do deficit, escutas, Face Oculta, destruição de escutas, justiça, procuradores, magistrados, PEC1, PEC2, Revisão Constitucional, crise do Euro, Alemanha, UE, mundial, Carlos Queirós, Carlos Cruz, Mourinho, mineiros chilenos, wikileaks, google, twitter, facebook, Bento XVI, perseguição ao cristianismo, islamismo, Obama, voos de prisioneiros, terrorismo, fundamentalismo, votar/não votar o orçamento do estado, iPad, Irlanda, Grécia, Espanha, vulcão islandês, aumento do IVA, aumento da carga fiscal, sacrifícios, excepções, Freeport, Sócrates, Ferreira Leite, Cavaco Silva, Passos Coelho, educação, falência, desemprego, banco alimentar, Manuela Moura Guedes, TVI, pressões, calor, enxurradas na Madeira, optimismo de Sócrates, Estado Social, pobreza, cortes salariais, periferia, BPN, BPP, crise, contenção, apertar o cinto,
que fizeram o ano que passou, (enunciadas numa lista desordenada e livre de tudo o que não seja a minha memória e sensibilidade deste momento), sejam na grande maioria as palavras que farão o ano que há-de vir. Parece que nada de novo nos trará 2011.
No entanto aqui fica um voto de Bom Ano de 2011. Vou regressar ao Mezzo e à Gala da Orquestra Filarmónica de Berlin com Gustavo Dudamel e Elina Garanka (Concerto de S. Silvestre em directo).
23/12/10

O país tem um sapatinho na chaminé há já algum tempo. Todos os dias espreita na esperança de ver que o Pai Natal não se esqueceu dele e que lhe trás um prensente que o console, alegre e confirme optimismos. Atordoado dessa esperança natalícia cuja vibração se sente nos supermercados e centros comerciais o país não gosta do que acaba por ver no dito sapatinho: mais um corte no rating de Portugal, novo aumento do crédito malparado, a confirmação da suspeita já instalada de que uma grande maioria da ajuda anti-crise foi parar ao sector bancário. E enquanto espreita e não espreita a gestão das excepções continua. Cada dia há a notícia de uma nova. Para mal dos optimistas, temo que o Pai Natal não traga até ao dia 25 grande consolo. Nem depois.
15/12/10
O que Sempre Sobra
Confesso-me num período de pouco interesse, bem como poucas tentativas de me manter informada, na actualidade portuguesa ou não, tão má ela é. Fica no entanto alguma espuma sobre o mundo que, tal como o conhecíamos, caminha para um local estranho que não se sabe bem se é um abismo. Nota-se um impasse generalizado cá e lá e nada de bom parece se avizinhar, não há messias à vista nem políticos (e gentes) em quem consigamos confiar. As expectativas são baixas e o optimismo para 2011 é um exclusivo de José Sócrates e de outros líderes feitos do mesmo barro.
Sobra, o que sempre vai sobrando, e a que alguém chamava há muitos anos justificando os muitos filhos que tinha: “o teatrinho dos pobres”. Neste caso serão mais pobres de espírito, mas correndo o sério risco de pobreza tout court. Como ia dizendo, sobra algum sexo que anda a entreter os jornais (e as gentes) pelo mundo fora. Desta vez não é um presidente americano, ou candidato a; desta vez não é na Casa Branca, é um Australiano na Suécia com duas mulheres suecas. Não se discute se há ou não uma relação sexual, discute-se o ser “sexo de surpresa” ou não. E há quem leve isto a sério, e prenda ou liberte alguém com base na discussão deste conceito (juntamente, ao que parece, com o uso ou não de preservativos), sem que ninguém tenha coragem de dizer ”ao que vem” e que acusação quer fazer. Demasiada metafísica para mim.
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08/12/10
Das Agendas
Tudo o que, ao longo destes anos tem saído da boca do Primeiro-ministro tem-se revelado ser lixo. Pode vir embrulhado da forma mais sofisticada, subtil ou requintada, que isso pouca importância tem: a verdade vem sempre ao de cima e depressa percebemos que o que ele diz vale zero, não é nada, apodrece depressa e graças a Deus recicla-se mal, embora ele não desista, para enganar aqueles que gostam de ser enganados. O seu último lixo retórico é o slogan/palavra de ordem que uns habilidosos a quem todos nós pagamos inventaram: “Agenda para o Crescimento” dito (ouvi eu ontem na televisão) com aquele seu ar teimosamente determinado de quem vê que ele está bem e o mundo mal. Sempre negando evidências, e sempre centrado no seu umbigo, Sócrates acha que agendar a sua acção e a do seu comatoso governo, através de meia dúzia de medidas impostas e forçadas pela UE e pelo exterior (e por isso contra a sua vontade e contrariando o seu discurso habitual, mas que importa isso, não é?), e meia dúzia de anúncios (aquilo que ele é bom a fazer) que atirem um pouco de poeira para os olhos dos eleitores frustrados, desencantados e revoltados, pode começar a “inverter” o ciclo económico do país, e também acha provavelmente que o anúncio dessa Agenda com nome Crescimento pode “acalmar” os selváticos especuladores dos mercados financeiros, locais insalubres cheios de gente malvada e desinformada, que não gosta dele.
José Sócrates já está em ciclo pré-eleitoral: esta retórica plástica e que nada quer dizer até parece pensamento político meditado, propositado, com objectivo, com acção positiva e optimista que contrariará o que nos aguarda em 2011, mas de facto apenas camufla as mexidas na Leis Laborais que vai ser obrigado a fazer (e que já há muito que deveria ter sido objecto de revisão). É só para o que serve. Ficará em breve o vazio, ou não fosse a expressão o contra-senso que é, e o nenhum efeito que terá. Não nos livramos da crise económica tão cedo por muitas "Agendas" que Sócrates invente e por muito que pronuncie a palavra "Crescimento"; mas afinal, quando é que nos livramos de José Sócrates?
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24/11/10

Olho para o debate político no país e vejo um vazio povoado de exclamações, declarações, ameaças veladas – só retórica. Os líderes dão o exemplo: Sócrates hoje desapareceu, Passos Coelho titubeou. Estão muito preocupados consigo próprios, num dia em que a greve geral paralisa o país. De um lado e de outro enunciam-se os estragos, contam-se os números, repetem-se palavras de ordem, algumas demasiado desgastadas e outros tempos. Inventam-se boas estratégias para fugir do real.
04/11/10

"Portugal não precisa de qualquer ajuda. Conseguimos resolver os nossos problemas sozinhos. Apenas precisamos que os mercados entendam que estamos a fazer o nosso trabalho [na redução do défice]". O Mercado entendeu, entendeu bem melhor do que José Sócrates supunha, e por isso subiu a taxa de juros. Torna-se penoso ver, uma vez, e outra, e outra, e sempre, JS a esbarrar com a realidade, e ver que nem assim ele aprende. Que Primeiro-ministro mais patético!
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29/09/10

No dia em que medidas duríssimas são anunciadas, a visão de José Sócrates sobre o nosso país e sobretudo sobre a sua governação e as suas opções políticas continua a mesma. Exemplos: “Somos um país muito afectado pela pressão dos mercados financeiros”. “A economia em Maio estava (e ainda está) em recuperação”. “Medidas para evitar mais ataques especulativos”. “Um dos países que mais pressão sofre dos mercados”. O problema está sempre no exterior, nunca cá dentro. Aumentam-se os impostos, cortam-se alguns custos, sobre reformas já ninguém fala: no fundo nada realmente muda, se não pensarmos só no amanhã. Continuamos todos a estar cada dia um pouco mais pobres.
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22/09/10
Notícias do Vazio
No “Dia Europeu sem Carros”, José Sócrates vai de metro à Feira da Tecnologia e Inovação na FIL. Determinado, sabia o preço do bilhete respondendo prontamente aos jornalistas sobre essa questão. Já outras questões não quis comentar nem responder. Com o seu ar alheado (tanto alheamento, e recusa do real, não poderá começar a ser patológico?) e com o usual optimismo que veste todos os dias para “puxar sozinho pelas energias do país” (cito de cor a sua já célebre expressão), ligou a cassete naquela parte da tecnologia e energia, um “sector optimista”, como o ouvi dizer na televisão, e fundamental para a recuperação económica do país. Num dia como o de hoje ( e como se não tivéssemos dado mais um passo a caminho da bancarrota) passou lá a manhã. Nada mais importante do que saber se os meninos têm o Magalhães ou experimentar novos gadgets do “Portugal Tecnológico”.
Cada dia se torna mais evidente o vazio do governo, o vazio da política nacional, o vazio e a farsa que é a esperança que nos impingem à força: com discursos repetidos (quais lavagens ao cérebro), retórica indignada, vitimização, propaganda e constante campanha eleitoral como se amanhã tivéssemos eleições. E cada dia que passa o rei vai um pouco mais nu, ainda. Será que os livros que José Sócrates lê nas férias (de acordo com as fotografias publicadas) não servem para nada?
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30/04/10
O Mundo Encantado de José Sócrates
"Capital especulativo", "especuladores", "especulação", "especulação monetária do euro", "o mercado dos especuladores", "especulação de que estamos a ser alvo", "ataque especulativo à dívida portuguesa", foram, entre outras as palavras e expressões que ontem encheram as televisões. No mundo encantado de José Sócrates estes são “maus” e os malvados (há aqui e aqui uma boa definição e um exemplo de especulador) que vêm de fora e querem atacar o nosso país e o povo trabalhador, investidor, ordeiro, cumpridor, que nunca conheceu tanta prosperidade, desenvolvimento económico, justiça fiscal e esforçado equilíbrio financeiro como agora com o grande líder a guiar os nossos destinos. “Estes maus” querem atacar as justas políticas de investimento do governo que trará ainda mais crescimento económico e um ainda maior bem-estar social. Mas o governo e o povo mantém-se firmes nas nossas convicções e opções de investimento e de desenvolvimento económico. No mundo encantado de José Sócrates haverá mais distribuição de Magalhães, mais comboios de alta velocidade, mais aeroportos e quem ousar questionar e discordar desse rumo está, a pactuar com as já identificadas forças do mal na construção do descrédito do país.
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28/04/10

Ainda está para vir alguém que me explique como é que um “liberal” se queixa do “ataque especulativo” que “desde sexta-feira (…) está a pôr em causa a nossa soberania nacional”. Liberalismos destes estalam tão facilmente como o verniz cultural de José Sócrates. É o que temos.
Mais notícias sobre a estupidez humana da qual, desenganem-se os inocentes, não temos o exclusivo: censurar Tintin.
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05/02/10
Espírito Animalesco
Ele chamou-lhe, num dos momentos de insanidade que pontuaram o dia de ontem e que terminou com a sua absurda declaração imbuída da mais pura chantagem política e de má-fé, “Espírito Animalesco”. Nós não somos parvos. O mundo não é parvo. Os mercados não são parvos. Aliás, tal como o algodão, os mercados não enganam, nunca, e Portugal está no olho do furacão. Os mercados hoje abriram em baixa, até na Ásia. Dúvidas? É só ler as notícias.
Esta, por exemplo, da sóbria BBC: tudo preto no branco tal como “lá fora” nos vêem: Debt concerns in Europe were sparked by a lack of demand for government bonds in Portugal.
04/02/10

Os verdadeiros bota-abaixistas. Não há como fugir. Nem para a Madeira.
Adenda: Entretanto, o Ministro Teixeira dos Santos teima em querer andar enganado, já para não falar do seu estilo retórico tão duvidoso e revelador dessa teimosia em não ver.
03/02/10
Discursos e Linguagens
O governo, naquele seu ímpeto de ir encontrando sucessivos bodes expiatórios para justificarem os seus fracassos, enganos e mentiras, tem andado entretido, e perdendo tempo e energia, a criticar as agências de rating, que não percebem nada, que são facciosas. O Ministro das Finanças até se irritou com elas e repreendeu-as pelo que considerou serem as suas estratégias comerciais, num acesso de algum patético provincianismo. Como se calcula, as agências de rating comovem-se pouco com discursos, se é que os ouvem: discursos não são o seu forte. A sua linguagem é outra e é a que sempre foi, por muitos discursos que se façam sobre seja o que for, nomeadamente o tão “politicamente correcto” discurso sobre o que o mundo financeiro “aprendeu”, ou “deveria aprender” com esta crise. É uma linguagem clara e simples: a procura do maior lucro possível com o mínimo risco possível. As agências de rating que são feitas para analisar, gerir e fornecer este tipo de informação aos mercados. As bolsas percebem e reagem. Teixeira dos Santos ou José Sócrates, por muito que esbracejem ou por muitos discursos que façam, contam pouco.
20/01/09
Do Engano
Cada dia que passa o engano deliberado e com dolo em que vivemos é maior. Tudo é falso e postiço. Uma crise internacional há muitos meses conhecida e com perspectivas e previsões dramáticas não foram suficientes para que o governo apresentasse um orçamento fundado em expectativas realistas. Vivendo no seu parque temático José Sócrates recusa-se a olhar o futuro tal com ele está a vir. A um orçamento rectificativo feito mal o ano começou, já um segundo se anuncia tendo o Ministro das Finanças insinuado a sua necessidade. A permanente tentativa de, a propósito do que for, enganar os eleitores é um dos traços deste executivo que usa e abusa de todos os meios para o fazer, e nós assistimos incrédulos como quem assite a uma ficção barata, mas cujos custos tememos. Hoje mais uma vez as previsões da EU vêm lembrar que é para o mundo real que se deve governar e não para o mundo virtual. Também o Banco de Portugal acorda tarde. Tanto engano é demais.
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