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30/01/13

Da Matéria

Pode ser que haja quem se comova com frases deste calibre, 


sobretudo porque foi dita por António Costa, cujo brilho no olhar não escondia estes últimos dias o deleite que o reforçado protagonismo (sebastianismo) lhe dava – uma gentileza criada pelo sempre diligente Pedro Silva Pereira, o símbolo do socratismo (o “passado”, como lhe chamou um Seguro sem pressa que ficou logo apressado) que, para nosso mal, não foi estudar filosofia para lado nenhum. Assim, entre as genuínas hesitações de avançar ou não, e a decisão afinal de nem avançar nem recuar, o PS saiu uns dias do marasmo em que, aparentemente, vivia. 

Para quem ainda tem dúvidas, ou comoções, nada como observar em tempo real essa matéria viva e única que é feito um partido político português do centrão. 

Por outro lado olhando o PSD, e já nem precisa de ser com atenção como até há pouco – o poder tende a esconder fissuras, vemos também essa mesma matéria a efervescer com o epicentro no Porto. Miguel Veiga, Rui Rio, Rui Moreira, e claro Luís Filipe Menezes com a sua proposta (talhada no tamanho da sua ambição) de fundir os concelhos do Porto e de Gaia. Ora repare-se na presença do Primeiro –ministro nessa cerimónia de alto relevo para a nação que é a 


e percebemos que o importante é ter ido ‘lá’, e deixar-se fotografar – assim como não quer a coisa - com Luís Filipe Menezes, a figura central da crise no PSD. Pedro Passos Coelho está na fotografia, uma questão de tranquilizar as estruturas partidárias e mostrar de que lado se está. Aguardemos os próximos capítulos, vai ser interessante esta ‘guerra’ pelas duas câmaras principais do país. Seguro e o PS de um lado, Passos Coelho e o PSD de outro: os partidos que temos. E nós com cada vez menos vontade de votar neles e de os alimentar.

06/07/12


Em relação ao ‘Caso Relvas’, a melhor frase que ouvi ontem foi na Quadratura do Círculo (que ontem foi um excelente programa), e veio da boca de Pacheco Pereira quando perguntou a António Costa porque é que, dos três ali presentes, era sempre ele quem mais defendia Relvas.

22/04/10

Depois de uma manhã atribulada, o PS ameaça com uma birra tipo assim, eu não brinco. As leituras políticas vão sendo feitas. Aguardam-se os próximos capítulos.


27/03/10

Manuela Ferreira Leite

Faço minhas estas palavras de André Abrantes Amaral no Insurgente,


E até digo mais. Havemos de sentir a falta da sua forma pouco complacente de fazer política, da sua insistência em não se deixar maquilhar pelo marketing político, e da sua frontalidade pouco simpática, mas certeira. Entramos numa nova era em que a imagem impera sobre a substância, em que as ideias se moldam conforme as causas que se decidem abraçar, e os discursos se fabricam de acordo com o efeito que se pretenda causar e que tenha sido previamente estabelecido. Nem sempre estive de acordo com ela, mas mereceu a minha consideração e respeito.

E até digo ainda mais. Estamos perante uma nova fase na política portuguesa. José Sócrates, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Francisco Louçã, são políticos feitos do mesmo barro. Sobra Jerónimo de Sousa, um último reduto de franqueza, o único líder que ainda consegue ser razoavelmente genuino e igual a si próprio. Todos os outros parecem sub-produtos embora, para ser justa, deva mencionar que José Sócrates se destaca pela falta de qualidade intrínseca, pelo excesso de plasticidade formal, e pela constância da inconsistência política.

14/11/07

PSD Profundo: uma dúvida

Na recente disputa da liderança do PSD alguns dos vocábulos mais usados eram populismo, elitismo, bases do partido e “PSD Profundo”. Dividiu-se o partido em dois campos: o campo que ganhou de Luis Filipe Menezes, populista e do "PSD Profundo", e o campo perdedor de Marques Mendes, que entretanto saiu de cena (e bem) deixando o campo opositor, elitista (e sulista) com outros rostos que nós já conhecemos, entre os quais destaco Rui Rio por ser um clássico opositor de Menezes. Desde que o conceito de “PSD Profundo” faz parte do discurso partidário actual que eu me pergunto exactamente o que é que isso quer dizer. Excluo o PSD “não profundo”, isto é, aquele que é visível aos não PSDs. Hoje segui aqui e aqui uma troca de ideias que originou esta reflexão. Não sou militante de nenhum partido, e se a vida política e o governo do país me interessam, a vida partidária deixa-me razoavelmente indiferente, por isso desde já confesso a minha ignorância sobre ela. Mas como eu, haverá muitos portugueses que na hora de votar, no partido A ou B, não hesitam e que no entanto nunca atravessaram qualquer sede de partido, nunca foram a nenhum comício, nem a qualquer sessão de esclarecimento. Talvez parte da minha ignorância seja decorrente de uma natural desconfiança por “estruturas”, que se formam e que se mantêm para exercício do poder e influência de forma pouco visível e escrutinada. (Este tema poderia ser objecto de um outro texto, quem sabe um dia?).

Assim, eu pergunto-me qual é esse rosto do "PSD Profundo" de que tanto se fala? (poderia ser o PS Profundo, mas como a actualidade aponta na direcção do PSD tomo-o como exemplo). São os cidadãos anónimos e eleitores que nas eleições nacionais dão maiorias governativas – a Cavaco Silva e agora a José Sócrates, e que elegem os Presidentes de Câmaras? São gentes absolutamente desconhecidas desses mesmos eleitores sem partido, que com inicial entusiasmo se dedicaram ao trabalho partidário e à luta política, que sem se darem conta investiram nisso a sua vida e que passados anos trabalham e se esgrimem com afã para manterem a sua influência, ou o que resta dela, e o seu poder no único mundo que conhecem? Presumo que naquilo a que se chama influência e poder local e autárquico. Ou será o “PSD Profundo” uma imagem de um Portugal Profundo? Daquele feito de consumismo, reality shows, fins de semana e pontes de chinelo no pé, marisqueiras, peregrinações e debates sobre Madeleine McCann, que raramente está satisfeito com o que quer que seja, mas que raramente questiona e se questiona, ou é verdadeiramente subversivo (piercings, palavrões são normalidade). Qualquer uma das hipóteses (que por serem por mim colocadas – e por isso susceptíveis de padecerem de preconceito) me parece má, mas eu tento perceber melhor o que poderá ser esse “PSD Profundo” que parece ser tão decisivo e importante para Portugal por determinar os destinos do principal partido da oposição, e não consigo. Por falha e ignorância minha, admito, mas haverá uma outra imagem do “PSD Profundo” que nós, cidadãos e eleitores sem filiação partidária nem participação política activa, desconheçamos?

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