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12/07/13

Então É Assim 2

Um. Cavaco Silva, aquele cuja anunciada morte política foi manifestamente exagerada, num dos momentos políticos que mais gozo me deu nos últimos tempos – e bem precisávamos, conseguiu: 

A) Reforçar o descrédito político de Paulo Portas e remetê-lo à sua real (in)significância que é inversamente proporcional à sua estridência gestual e verbal e – dizem – inteligência. Chamá-lo de volta ao mundo real e obrigá-lo a arrumar de novo o seu gabinete.

B) Esvaziar o secreto sorriso de Paulo Portas que o inchado semblante sério traía. Esvaziou também aquele porte e aquele ar de 'agora é que é!' que Pires de Lima já não conseguia disfarçar. 

C) Reforçar o processo já iniciado no CDS de questionar a sua liderança. 

D) Demonstrar a crescente irrelevância política de Passos Coelho, o vazio e a leviandade que o habitam: enquanto Primeiro-ministro e enquanto líder do principal partido.

E) Deixar atordoados os ministros – nomeadamente o da Economia que, mesmo sem crise política sempre pareceu um pouco perdido, qual peixe fora de água.

F) Obrigar o PSD a pensar a sua liderança. 

Dois. António José Seguro mostra o melhor de si: corre atrás do primeiro lugar comum político que ‘cheira a esquerda’ ou mantém-se na sua senda de dizer coisas que não querer dizer nada, não vão as pessoas esquecer-se que ele existe, ou não perceber quem ele é e o que faz. Exemplos: o seu desejo de dialogo “com todos”, embora não consigamos perceber o que é que o PCP e o BE fazem no dialogo proposto pelo PR que visa sobretudo compromissos de médio prazo no que respeita o Memorando de Entendimento. Outro exemplo é a frase – que mais parece saída de reallity shows – em que ele critica Passos Coelho por não “pedir desculpa pela crise”. Não explicita, no entanto, o que critica a Sócrates pela sua postura face à crise que ele, Sócrates, criou. 

Três. Cavaco Silva conseguiu também fazer eco do sentimento de tantos portugueses que progressivamente se revêem menos nos partidos políticos e que os sentem cada vez mais afastados da realidade dos seus eleitores e do país. A distância entre eles aumenta, e o eleitor do PSD, PS ou CDS (embora menos neste último partido) está totalmente alheado do partido em que vota, muita vezes não percebe nem respeita o líder que os militantes escolhem, e em última análise não vota sequer, aumentando a abstenção nos actos eleitorais. Nada de novo, mas é sempre bom relembrar este desfasamento. 

Quatro. Cavaco Silva, na sua ânsia de cumprimento do memorando de entendimento, criou uma embrulhada tal que – com os partidos e lideranças que temos - não percebemos bem nem o que se poderá passar nem como. Haja fé... porque gozo houve certamente.

03/07/13

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Ontem à noite na maratona de comentário político das televisões retive dois momentos: 

O nosso fado: inevitavelmente António José Seguro. A banalidade do seu discurso, os lugares comuns que já não querem dizer nada, a vacuidade total dele, do seu estilo, são impossíveis de esconder. Ele não existe, essa é neste momento a grande tragédia; nós, gente comum que vota e quer ver o país governado com um mínimo de decência, seriedade e responsabilidade, não temos realmente alternativa.  

Uma ironia: no CMtv Ângelo Correia debatia com José Medeiros Ferreira os eventos do dia. A pedido do moderador e porque amigo de ambos, caracterizou Pedro e Paulo. Entre outras coisas diz que Paulo Portas é “inteligentíssimo” e que Pedro Passos Coelho é “granítico e determinado” e, numa espécie de momento ‘tarot a-posteriori’, afirma que a relação entre ambos (não lembro as palavras exactas mas a atmosfera foi esta) estava condenada a fazer faísca.

30/01/13

Da Matéria

Pode ser que haja quem se comova com frases deste calibre, 


sobretudo porque foi dita por António Costa, cujo brilho no olhar não escondia estes últimos dias o deleite que o reforçado protagonismo (sebastianismo) lhe dava – uma gentileza criada pelo sempre diligente Pedro Silva Pereira, o símbolo do socratismo (o “passado”, como lhe chamou um Seguro sem pressa que ficou logo apressado) que, para nosso mal, não foi estudar filosofia para lado nenhum. Assim, entre as genuínas hesitações de avançar ou não, e a decisão afinal de nem avançar nem recuar, o PS saiu uns dias do marasmo em que, aparentemente, vivia. 

Para quem ainda tem dúvidas, ou comoções, nada como observar em tempo real essa matéria viva e única que é feito um partido político português do centrão. 

Por outro lado olhando o PSD, e já nem precisa de ser com atenção como até há pouco – o poder tende a esconder fissuras, vemos também essa mesma matéria a efervescer com o epicentro no Porto. Miguel Veiga, Rui Rio, Rui Moreira, e claro Luís Filipe Menezes com a sua proposta (talhada no tamanho da sua ambição) de fundir os concelhos do Porto e de Gaia. Ora repare-se na presença do Primeiro –ministro nessa cerimónia de alto relevo para a nação que é a 


e percebemos que o importante é ter ido ‘lá’, e deixar-se fotografar – assim como não quer a coisa - com Luís Filipe Menezes, a figura central da crise no PSD. Pedro Passos Coelho está na fotografia, uma questão de tranquilizar as estruturas partidárias e mostrar de que lado se está. Aguardemos os próximos capítulos, vai ser interessante esta ‘guerra’ pelas duas câmaras principais do país. Seguro e o PS de um lado, Passos Coelho e o PSD de outro: os partidos que temos. E nós com cada vez menos vontade de votar neles e de os alimentar.

25/01/13


Pior do que a recente, apressada e excitada “canonização” de Victor Gaspar (sim, sim, claro que é bom ter-se encontrado o Santo Graal, agora denominado “regresso aos mercados” mesmo com pára-quedas, airbags e almofadas) é a figurinha patética desta gente sem um pingo de vergonha, que não se enxerga, nem tem nenhum tipo de memória. Quanto será que lhe pagam para escrevinhar estas banalidades saídas da má-fé? Silva Pereira fala de encenação, quem sabe com uma pontinha de inveja, pois foi noutros tempos um ‘encenador’ de mérito. Melhor encenador do que hoje é colunista. Serão saudades? Aliás olhar para o PS hoje é exercício difícil. Só com alguma boa vontade se consegue ver alguma coisa (ao longe).

15/04/12

Um Futuro que Sorri

António Costa é um homem novo. Na era socrática ele andava contido, mais tenso, de semblante fechado, e a sua participação na Quadratura do Círculo era monocórdica e cinzenta. Usava todo o artificio retórico ao seu dispor, bem como uma disciplina partidária de rigor, para desculpar ou justificar as acções do governo de então num processo algo penoso, nomeadamente do ponto de vista intelectual pois nem sempre é fácil explicar que dois e dois afinal não são quatro. Mas ele tentava com um discurso apologético e explicativo, onde por vezes, e face às provocações, não faltavam laivos de agressividade. Nunca ousava discordar aberta livremente o nosso ex-querido líder. 

Agora as circunstâncias mudaram. Basta olhar para ele nas entrevistas, nos diferentes compromissos oficiais, políticos ou enquanto Presidente da Câmara de Lisboa: parece mais novo, mais aberto, o olhar brilha e sorri mais. Na Quadratura do Círculo o seu discurso ganhou em fluidez, em clareza começando a fazer um sentido (independentemente de concordar ou discordar), tem um propósito e é assertivo. Os seus modos estão mais soltos, exalam confiança, algum desprendimento (um ingrediente mágico) e o seu olhar é mais directo. Vê-lo no recente lançamento do seu livro era como ver um homem a abrir a porta para um futuro que lhe sorri. E cada semana que passa e o vejo na televisão ele persiste em nos mostrar o seu futuro, que continua a sorrir. Nós olhamos, nós esperamos, nós cá estamos para ver.

29/02/12

Da Irrelevância

Ainda não aconteceu uma única vez, desde que António José Seguro é secretário-geral do PS, eu ter sentido um átomo de curiosidade sobre como é que ele termina uma frase que o ouvi começar, como desenvolve uma ideia, como continua e acaba um discurso. Nunca senti um átomo de curiosidade sobre o que é que ele pensa, sobre os seus projectos políticos, se é que ele os tem. Nunca sequer levantei os olhos para olhar para ele e o ver. 

Um dia quando algum académico na área da ciência política quiser fazer uma investigação sobre o papel da irrelevância em política, só terá que seguir os passos e as intervenções de António José Seguro nos últimos meses. Como esta, que nada acrescenta nem diminui, que não se percebe bem nem o ‘porquê’ nem o ‘para quê’, e na qual não se encontra uma ideia digna do nome, há muitas e creio que suficientes para um tratado sobre a irrelevância política ou então, digo-o numa nota mais optimista mas pouco convicta, lamento – é toda uma arte de se misturar e esbater no pano de fundo do momento, sem chamar a atenção, sem criar ondas, enquanto espera pelo ‘seu’ momento. Mas para isso era preciso que existisse, politicamente, claro.

16/12/11

Uma Questão de Educação


Só ontem vi e ouvi na televisão as declarações do deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Pedro Nuno Santos. Fiquei siderada. Não me restam dúvidas de que estamos a ser invadidos pelos bárbaros, (agora eles não vêm necessariamente do norte) e de que a decadência da nossa civilização é um dado adquirido. O tipo de linguagem e de imagens usadas pelo deputado está abaixo do nível da conversa de portaria e roça a grunhisse de quem apenas conhece três mil palavras e só usa mil, mas o que se sugere é a mais viva imagem da decadência civilizacional pois já nem é meramente uma questão política, é sobretudo uma questão de educação e de valores. Lamento que na devida altura (bem cedo na infância) ninguém tenha ensinado ao deputado que as dívidas são para ser pagas. Ponto. Que tudo se deve fazer, sem descanso, para as pagar. Ponto. Mas pelos vistos agora, como dizia há umas semanas o seu mentor José Sócrates, quando se estuda economia (na universidade? em qual?) estuda-se que as dívidas dos estados nunca se pagam... Eu não tenho dúvidas: prefiro o que me ensinaram na infância.

Pedro Nuno Santos ameaça os ‘banqueiros alemães’, mas engana-se no alvo. Deveria ameaçar quem, em nosso nome e em meu nome, recusando encarar a realidade e refugiando-se na pura demagogia populista, se endividou indevidamente (perdoe-se aliteração). Ou, ao limite, aqueles que permitiram que em nome de Portugal o então governo contraísse as dívidas que hoje temos. Os eleitores de então (2009) preferiram a conversa oca, demagógica e irrealista bem como o marketing político e comunicacional de um incompetente (e estou a ser contida nos adjectivos), à linguagem realista e dura de uma ‘velha’ (que me perdoe a Dr. Manuela Ferreira Leite) que não acredita nem contrata agências de marketing político ou comunicacional.

O deputado Pedro Nuno Santos é a imagem de tudo o que me causa desprezo: irresponsabilidade, leviandade, a falta de educação, a linguagem rasca, o desconhecimento de valores como a honra, o peso da palavra dada, a dignidade, a educação. A bancada do PS em vez de minimizar e desculpar as declarações deste deputado, deveria, por uma questão de higiene, demarcar-se frontalmente e fazê-lo desaparecer. Seria desejável enterrar de vez a ‘era Sócrates’.

05/12/11


Ainda bem que a patetice não mata ninguém. Frases como esta “Não entendo porque não se fala em sanções para quem tem excedentes e não os coloca ao serviço da economia” ilustram bem a ligeireza irresponsável de António José Seguro, e um sentido de timing perfeito.

18/04/11


Este é um interessante diagnóstico do que se passa com as lideranças do PSD. Acrescento também a nota de quão difícil é falar para esse ‘exterior’ quando se vem do ‘interior’. Nem Sá Carneiro, nem Cavaco Silva que “revelavam desprezo pelo aparelho” vieram do ‘interior’, por isso é que sempre souberam falar para fora do partido, isto é falar mais para os eleitores do que para o aparelho.

Interessante é perceber também o quão difícil é falar para o exterior por parte do líder do PS, apesar dessa necessidade não ser tão determinante como para o PSD. José Sócrates, que tal como Passos Coelho, vem do ‘interior’, só fala com guião, para fora, para dentro só fala com guião ensaiado e testado. Não gosta de ser questionado nem interpelado, sobretudo se não está previsto, nem ele está preparado; irrita-se e impacienta-se, e quando fala só o faz usando o seu guião do marketing comunicacional e político. José Sócrates é eficaz a falar para o ‘exterior’ porque reduz todo o seu discurso a dúzia de frases simples que mais parecem slogans, mas reconfortantes e em que os eleitores escolhem acreditar, nomeadamente os sectores que sempre tiveram medo da “liberdade negativa: libertar as pessoas dos sucessivos espartilhos socialistas” de que fala o FNV, e do estado, acrescento eu. O PS é o que resta, pelo menos do ponto de vista teórico, que a prática de anos e anos de governo têm demonstrado o contrário e o oposto, de uma ideologia democrática que explora retoricamente e propagandisticamente a defesa de um estado social.

Neste contexto, em que se apela aos medos enraízados por uma cultura ‘anti-direita’, chega a ser quase indiferente que o líder fale verdade ou não, lamentavelmente. É também motivo de pouca indignação que um cabeça de lista pelos Açores roube gravadores e seja alvo de um processo crime. Estas situações são mais dificeis de acontecer no PSD, onde os "limites são desconhecidos" e onde “não existe agenda colectiva” e onde falar para o exterior de forma clara, séria e verdadeira se impõe.

17/04/11

Assim não!

Leio (ouço) em vários locais (televisões, jornais, blogues), vozes que defendem que a prioridade na política nacional é remover José Sócrates do cargo de Primeiro-ministro. Estou plenamente de acordo e até iria mais longe; assim como quem se deixa levar por um sonho... para nossa sanidade mental, José Sócrates deveria ser removido de qualquer lugar público e deveria ser-lhe imposto um longo período de nojo - mas repito, este desabafo é assim como um ir atrás dum sonho...

Ele, mais do que ninguém, é “o” responsável pelo estado comatoso de Portugal e cujo rosto cá e lá (UE, FMI...) é o descalabro das Finanças Públicas, mas cujas raízes são bem mais profundas. Para nossa humilhação, agora que temos as portas e janelas abertas ao mundo que nos olha pela lente de aumento, não faltam exemplos: o enfraquecimento gradual da classe política com a consequente “falta de credibilidade” dos políticos, a falta de barreiras entre o público e o privado facilitando a falta de transparência e seriedade nos negócios, a falta de sentido de Estado, a falta de sentido de Serviço Público, uma total leviandade quando se trata de dispor dos bens públicos, nomeadamente o dinheiro dos contribuintes, a falta de responsabilidade e responsabilização política (accountability), falta de visão, falta de coragem para prosseguir e negociar reformas importantes, muita ambição pessoal, muito deslumbramento (fracturante e tecnológico), permanente confusão entre o partido e o estado, promiscuidade entre servir e servir-se, muita dúvida, muita inverdade, muita mentira. É por isso imperativo que o PS não ganhe as eleições e que JS deixe de ser Primeiro-ministro.

No entanto, e que fique claro, não é só dessa “remoção” (quase que “higiénica”) que Portugal precisa. Portugal precisa também e sobretudo (por isso – e não por mero capricho – é que José Sócrates tem de ir) de uma nova atitude e de uma nova forma de estar e fazer política assente no Serviço ao país e baseada na seriedade, na verdade e na definição de um rumo nestes tempos de ainda mais escassez que se avizinham. Precisa de políticos sérios, que queiram saber e falem a verdade, e que conheçam o rumo que o país tem de ter para daqui a uns bons anos poder sair da crise em que está. Remover José Sócrates e não ter ganhos em termos de seriedade, de verdade e de rumo, que de novo nos leve ao crescimento e equilíbrio financeiro, é perder o nosso tempo e os nossos recursos, lamento. Assim não!

Custa-me a crer que o PSD (aqui entendido como uma entidade abstracta feita tanto de quem opina, como de quem está na direcção) hoje, e em nome deste desígnio nacional – a remoção de José Sócrates – promova uma renúncia à inteligência, ao espírito crítico, àquela dose de cinismo que nos impede de embarcar no primeiro optimismo de pacotilha que nos vendem e de gostar de comícios unânimes estilo “oh Zé!...” Sobretudo é difícil crer que o PSD abdique de promover a seriedade e a verdade, e o seu rumo para o país, pois já é tempo de perceber (mais vale tarde que nunca) que só promovendo estes valores se distancia do PS de JS. Só assim se constrói para os eleitores, uma opção diferente e minimamente credível ao estado actual da política nacional. Golpadas mediáticas, jogos políticos não interessam o país: já tivemos em abundância (e com os resultados conhecidos) nos últimos anos e é disso que o PS actual se alimenta e nos quer alimentar a nós. Basta.

Se há/houve erros (Fernando Nobre, por exemplo), corrijam-se (retire-se o convite). Em nome do dito “desígnio nacional” não estou preparada para aceitar a manipulação (nomeadamente mediática) da verdade: se houve encontro com PM, porque não assumi-lo, se houve negociações porque não assumi-lo, se houve sms, porque não assumi-lo, nem estou preparada para aceitar uma série de modulações da verdade que irão desaguar mais cedo ou mais tarde na “inverdade” e em terrenos socráticos que tanto abomino.

06/04/11

As Armas

A atitude é de uma vítima injustiçada e revoltada contra a conspiração de que foi alvo quando tudo, afinal, corria tão bem. Diz que põe os interesses do país acima de tudo. Ele fez o que pôde, os outros não deixaram. Clama justiça. A retórica é simples, eficaz e segura ajudada pelo tom determinado. A alienação parece que continua, não vi sinais de regresso à realidade (se é que alguma vez esteve nela) o “estado a que isto chegou” deve-se a inoportuna oposição, nunca aos seis anos da sua governação. Especialista no manejamento dessas modulações que vão da “inverdade”(*) à mentira, e ajudado por um PS albanizado que vota 93,3% no último congresso, José Sócrates mantém-se imbatível nesta área. O PS é co-responsável, mas mantém-se imperturbável salvo raríssimas excepções: umas mais papistas que o papa, outras ousando questionar o líder. Ele fala, discursa, diz agora, desdiz logo, inventa, cria, mente. Quem (PSD) tentar vencê-lo aqui perderá.

Os opositores terão que escolher outras armas, outras formas. Uma delas é falar com determinação sempre a verdade, simples e clara. Evitar discursos pomposos, formais, bons para adormecer. A tentação das promessas, esperanças vãs, das luzes ao fundo do túnel terá que ser combatida e resistida, sem piedade.

(*) Que conceito!

29/03/11


Também me perguntei o mesmo, mas parece que este Acordão do STJ disperta pouco interesse entre os temas destes dias: Lula da Silva, vitimização de José Sócrates, demissão, instabilidade, juros e Príncipe de Gales. É pena.

Para além do que Henrique Raposo diz aqui e aqui, convém também notar que Acordão do STJ parece deitar por terra as teorias conspirativas e as inúmeras cabalas de que o PS na altura tanto se queixava.


Parece que, afinal o juiz Rui Teixeira actuou da forma correcta.

24/03/11

Coligação Negativa

Parte 1
Ontem ao fim do dia, o clímax apoteótico da tragicomédia grega a que assistimos vivendo, (ou vivemos assistindo, sei lá!) martelaram-me a cabeça com a expressão “Coligação Negativa”. Eu tenho um problema (coisa que não preocupa ninguém, e ainda bem, porque realmente só valho 1 voto) com frases e expressões feitas à medida do efeito pretendido em laboratório linguístico-comunicacional. Eu não gosto que tentem colar-me no cérebro chavões políticos à força de tanto os repetirem. E pior que isso, não gosto quando tentam à força dar-lhes um significado, um sentido que tenha algum valor político. Porque simplesmente não têm. "Coligação Negativa" sucks (sorry) e já percebi que vamos ouvi-la até doerem os ouvidos.

O que é isso de “coligação negativa”? Qual coligação? Votar um interesse comum (forçar a queda do governo de José Sócrates) é, só por si, uma coligação política? Qualquer coincidência de interesses, por mais momentânea ou esporádica que seja, é uma coligação? E negativa? Que quer isso dizer? Quem decide a escala positivo/negativo? Foi publicada em Diário da República? E se eu (que valho só 1 voto, tal como José Sócrates) disser que a “coligação”, que nem sequer é uma coligação, foi “positiva”? Este “negativa” (tal como o “positiva”) não é um absoluto, mas à força de repetição eles querem tornar essa relatividade num absoluto. Este é o perigo da retórica de JS (e acólitos, claro): em cada frase, da inverdade - para usar palavras Socráticas - fazer “a” verdade. Como se a verdade se fizesse.

Parte 2
Acredito que JS é um obstáculo à resolução dos problemas do país, e gostava que ele se volatilizasse (e fosse tentar ser feliz longe de nós), mas quem acredita nisso acredita no Pai Natal. Ontem à noite, ele fez um bom discurso de início da campanha que ele desejou ter e cujo momento para ter ele decidiu. Forte, determinado e sempre confiante a usar a sua retórica recheada de “inverdades”, isto é mentiras, ditas com a segurança e a firmeza de quem fala verdade. Sócrates ontem estava como peixe na água, e a gostar de lá estar. Passos Coelho nem sabe o que o espera.

Passos Coelho nunca me entusiasmou, nem sequer o desejava como líder da oposição, mas desejo-lhe sinceramente boa sorte pois remover JS do cenário da política nacional é o interesse comum que partilhamos (uma coligação?) pelo menos para já. No entanto PC que se ponha a pau (perdoe-se o plebeísmo). O seu discurso de ontem foi fraco quer no conteúdo, quer na forma. Foi um discurso redondo, "certinho" demais, incapaz de suscitar interesse, a querer dar ares de cavalheiro na política, mas pouco, pouquíssimo convincente. É preciso muito mais para derrotar Sócrates. Temo que PC se arrisca a ser triturado. José Sócrates num instante faz dele um picadinho. Mas o PSD é que sabe... e quando Manuela Ferreira Leite falou de “Política de Verdade” acusaram-na de não saber comunicar. Tentem fugir desse guião (que tem a vantagem de com ele poderem falar verdade) e verão o que sobra, para vós e para nós.

21/03/11

O Que Nos Espera

O infeliz e patético discurso de Jorge Lacão sobre as incoerências do PSD, (SIC em directo) veio gritar o que nos espera: uma campanha eleitoral. Quarta-feira a crise política atingirá o seu auge e a partir de aí estaremos “oficialmente” em campanha eleitoral (já estamos, mas não é oficial). Sei que não há outra solução, e neste momento nem desejaria que houvesse, para a continuação deste governo, mas vejo com relutância o espectro de mais uma campanha eleitoral. Que vão os partidos dizer? Que podem prometer? Vão vender esperança mostrando a luz ao fundo do túnel na forma de prazos que eles “inventarão” para o fim da crise que será ultrapassada através de umas medidas que ninguém percebe bem quais serão nem que resultado terão. Irão inventar um futuro não demasiado próximo (isso seria de mais) de sol através de abundante retórica e os imprescindíveis paninhos quentes para não assustar os eleitores. (Que saudades do discurso seco e sem marketing comunicacional de Manuela Ferreira Leite vamos ter).

Enfim, teremos o PS, com um inconformado José Sócrates que, apesar da crescente resistência interna, apurará a sua estratégia comunicacional de vitimização, de chantagem e terá a sua fiel esquadra a montar intrigas com timings impecáveis, levantar desconfianças, vasculhar passados, e a descobrir SISAS mal calculadas, e permutas de casas de que desconfiarão. Nunca se deve subestimar José Sócrates e a sua capacidade mobilizadora. Se o PSD fizer isso está perdido. Uma coisa é certa: o PS não se dedicará a descobrir e investigar licenciaturas ao Domingo: isso já é um exclusivo seu.

O PSD armar-se-á da mais fina retórica e tentará passar a imagem de reformador com um comunicação profissionalizada, e muitas, muitas ganas. Todos a posicionarem-se, a tentarem encontrar o seu lugar rapidamente, não vão ficar esquecidos da hora da distribuição do espólio que sobrará finda a guerra eleitoral que provavelmente teremos a curto prazo e que provavelmente lhes trará uma vitória. Aliás uma volta pela blogosfera já nos permite ver esse (re)alinhamento. O CDS cultiva com primor a sua “indispensabilidade” e Paulo Portas (como se viu no congresso deste fim de semana) não contém a sua excitação em “ser governo”, qual criança em vésperas de regresso à escola de mochila nova aos ombros.

Eu gostava de ser poupada a esta desnecessária agitação. Talvez emigrar, ou ler mais, ver mais filmes e séries. Digo eu, sabendo que me irei indignar, irritar, aborrecer, vibrar, desabafar...

16/03/11

Veja as Diferenças

Entre esta descrição do Portugal real de hoje (fora os problemas sociais), em que se realça as poucas perspectivas de um sustentado crescimento económico:





E a conversa mole e vitimizadora de José Sócrates na entrevista de ontem na SIC, em que os culpados são sempre a crise externa e a oposição. Ele também jurava a pés juntos conhecer o país real.

Esta diferença de abordagem é o espelho do surrealismo em que vivemos. O PSD faz bem em tentar pôr cobro a esta farsa, mas convém nunca subestimar a capacidade de sobrevivência e a ambição políticas de José Sócrates. Pensar e negociar (entre PS, PSD e CDS) de forma séria e exequível um futuro para o país, deveria obrigatoriamente arredar José Sócrates desse cenário. Ele sabe isso e tem-nos a todos reféns. Ignorar estes factos é acreditar em contos de fadas, ou querer meramente brincar às eleições e aos governos. Não basta dizer “Já Basta”.

Adenda:


Ler na íntegra este post de rui a. no Blasfémias.

Também convém não esquecer nunca o tipo de slogans que lemos e ouvimos no sábado último na manifestação da "Geração à Rasca", que encheu as ruas das principais cidades do país e juntou gerações (assim disseram) de gente insatisfeita, que exigia mais e pedia mais do Estado, não lembro de ver slogans a pedir e exigir menos do Estado, a não ser os habituais lugares comuns populistas contra os "ricos" e os políticos. É este o eleitorado que temos.


03/11/10

Maus Tempos

O OE foi finalmente aprovado pelo Parlamento, para tranquilidade da maioria dos portugueses, (sim eles querem o OE aprovado) e depois do que considero ser um dos mais lamentáveis episódios (que durou dois meses e meio) políticos que o país já viveu. Ao Primeiro-ministro já não lhe sobra credibilidade nem política nem pessoal e ficou ainda mais à deriva quando lhe tiraram a propaganda de que ele e o seu governo sempre se alimentaram. Não poder anunciar TGV, Magalhães para todos, mais um hospital ou mais subsídios e ajudas, é porem em causa a sua essência política feita de plástico e néons. José Sócrates existe porque anuncia, porque vive da propaganda, da imagem. Hoje creio que sobram poucas dúvidas e poucos iludidos. José Sócrates é incapaz de um pensamento político a médio prazo (já nem falo a longo) coerente e que sirva a realidade do país e não a fantasia virtual em que ele escolhe acreditar para prejuízo de todos nós.

Passos Coelho, infinitamente melhor do que José Sócrates, note-se, não é também, e infelizmente, um líder partidário com solidez (e estofo) necessária para os desafios que o país tem pela sua frente hoje. Vive, como parece que agora se vive, da imagem, dos comunicados, das afirmações e ameaças, dos avanços e dos recuos. Também ele, criado num viveiro partidário, e relacionando-se com dois ou três pessoas iguais a ele, está um pouco distanciado do país real. Não fosse isso já teria percebido, ou já lhe teriam dito e feito perceber, que os portugueses estão fartos da política, dos políticos, dos movimentos, posicionamentos e jogadas políticas, que decididamente não servem os seus interesses nem os do país. Nunca a credibilidade dos políticos foi tão baixa, e nunca os políticos nos deram tão poucas razões para serem respeitados como agora.

Não sabem o que é a contenção, e nem a usam, preferindo as declarações à porta de seja onde for que estejam, ao ponto de nos saturarem e de não os querermos ouvir mais. Confundem perder uma troca de palavras com o uso da moderação. Enrolados em imagem e retórica (às vezes mais simples, outras mais subtil) esquecem a rectidão e o respeito pela palavra dada e pelo acordo livremente celebrado. É impossível não pensar em como Manuela Ferreira Leite tinha (e tem) razão: o PSD tinha anunciado o seu desacordo em ralação ao OE, mas também a sua viabilização por motivos de interesse nacional. Imagine-se o que isso não nos teria poupado de psicodrama político, de casos feitos de nada, de constantes medições de força, de propaganda. Mas os deuses assim não quiseram e, para nosso prejuízo, quem do exterior olha para Portugal não está impressionado com o que vê. Bem pelo contrário como hoje ficou demonstrado em mais uma emissão da dívida. Que não haja ilusões, ainda não se descobriu melhor mecanismo do que o mercado em funcionamento para avaliação de risco. De pouco adianta aprovar o orçamento se os sinais (as omnipresentes e abundantes declarações), nomeadamente os discurso no Parlamento revelam algo de esquizofrenia (ver o de Aguiar Branco ontem). Ainda o OE está quente a ser votado no Parlamento e a propaganda já começa. Como se não bastassem os maus dias de esforço e maior pobreza que nos esperam, maus tempos políticos se avizinham também. Populismo, demagogia, propaganda a rodos. Ninguém será contido, e tudo se espera de José Sócrates. Haja muita paciência e capacidade para manter a cabeça bem fria e sempre no lugar. Amén.

12/10/10

Os Novos Socráticos

Descobri agora que afinal, sou Socrática. De nada vale o voto que nunca lhe dei, de nada valem as críticas à sua política (inexistente, aliás), de nada vale a total e constante discordância com o seu estilo, de nada vale a indignação à sua pessoa expressas ao longo destes anos de governação neste local público que é o blogue (no sentido de que quem o quiser ler o pode fazer). Sendo favorável (apesar de um unanimismo causador de alguma alergia) à abstenção do PSD ao orçamento, sem grandes debates nem demoras, nem tão pouco dramatizações Passianas do género: “ainda temos que analisar (o quê?) o documento”, ou “a decisão tem de ser fruto de uma estratégia” (cito de cor) que Passos Coelho ainda não explicou e ninguém ainda sabe exactamente qual é, parece afinal que sou socrática.

O mais interessante é que quem é favorável à abstenção do orçamento pelo PSD, tem explicado o porquê da opção baseando a decisão nos cenários futuros prováveis caso o orçamento seja chumbado. Não vi ainda oposição ou contradição credível à probabilidade desses cenários futuros que ultrapasse o “partir de louça”, o “vermo-nos livres de Sócrates”, o "vivemos com duodécimos", o "quem garante que os juros da dívida voltem a subir" ou o mais básico de todos “pior é impossível”. Lemos alguma ficção relacionada com governos presidenciais, outro primeiro ministro do PS, cenários esses que apesar de possíveis não me parecem desejáveis, sobretudo porque, goste-se ou não (eu gosto) vivemos numa democracia predominantemente parlamentar.

Igualmente interessante é o facto de não haver nem garantias, nem indicações de que – indo o país a eleições mal possa – José Sócrates não ganhe outra vez até com mais votos do que os que agora tem. José Sócrates e Passos Coelho são políticos da mesma geração (o que não é necessariamente e só por si um problema, note-se), são ambos pouco sólidos e têm estilos semelhantes. José Sócrates é um político que vive do anúncio, um político em campanha permanente, com uma máquina comunicacional eficaz que aproveita diariamente em seu benefício e com muita rodagem na angariação de votos. Passos Coelho é um político que também conta com uma máquina comunicacional muito presente e relevante, mas está ainda “verde” e é um “menino do coro” comparado com Sócrates. Ambos vazios politicamente, ambos nas mãos das estratégias de comunicação. Entre o original e a cópia escolhe-se quem?

17/07/10

Dizem que o Diabo está nos detalhes, e estranhamente, o que mais me marcou no debate sobre o Estado da Nação foi a uniformidade das gravatas monocromáticas no lado do governo (impossível não ver algum Kim Il Sunismo neste detalhe) a condizer rigorosamente com a uniformidade do pensamento (positivo e optimista, claro) dos membros do governo.

14/07/10

Quando Mota Amaral é aplaudido pela bancada do PS e não pela do PSD é sinal de algo errado e mesmo “contra-natura” na política nacional.

10/06/10

Personagem da semana (so far), saída de uma comédia de costumes que seguimos com interesse: o ladrão (quem furta é ladrão, certo? ou será que deveria dizer "furtador" do mesmo modo que se diz "inverdade"?) de gravadores que ainda se mantém deputado com a conivência dos seus pares, mostrando bem de que massa (política e ética) é feita a sua agremiação. A seguir os próximos capítulos.

Frases (longa) da semana (so far): “Uma escola descentrada da sala de aula”. Como se não bastasse toda a doutrina implícita nestas breves oito palavras, a frase explica-se em crescendo “em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca”, acabando neste climax intelectual que promete novos mundos e novas visões: “e discutindo projectos”. E nós tão sossegados e desatentos sem nos darmos conta destes sonhos e destas visões geniais. Discutindo projectos, quem diria, hein?


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