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12/07/11

Quase Quatro Horas

Porque precisei de pedir um cartão europeu de seguro de saúde, fui há uns dias à Segurança Social na Loja do Cidadão das Laranjeiras. Ouvi sempre histórias de longas esperas, e da necessidade de chegar cedo, para ser atendido nesse mesmo dia na Segurança Social, por isso fui cedo e preparada: isto é, tinha um plano. Às 8h 40m tirei um papelinho com o número 75. Saí para tomar o pequeno almoço e regressei para tentar perceber se o atendimento era ou não rápido. O serviço de sms que supostamente nos informa do número que está a ser atendido estava bloqueado segundo a informação do 'papelinho'. Perdi as ilusões de rapidez e eficiência e percebi que dificilmente seria atendida antes do meio-dia. Tirei outro número de chegada, just in case: desta vez o 127. Voltei a sair e regressei às 12h – tinham chamado o número 71 - e fui atendida vinte minutos depois, e quase quatro horas depois de lá ter chegado. O assunto a tratar foi simplicíssimo e não demorou mais de três minutos para as quase quatro horas de espera. Eram oito os guichets disponíveis, mas apenas três os funcionários a fazer o atendimento a um público sentado, com ar de horas de espera, resignação e calor estampado no rosto.

Eu não percebo porque é que estes números não intrigam nem assustam os responsáveis por estes serviços do Estado. Num país em que há excedentes de funcionários públicos, parece inadmissível que haja serviços que têm claramente funcionários a menos, para não mencionar o excesso de burocracia que nenhum “simplex” conseguiu combater: simplificou alguns procedimentos, mas não reduziu a burocracia.

Estes números de ineficiência, burocracia, e desrespeito pelo tempo dos cidadãos é um sinal de subdesenvolvimento. E nestes momentos percebe-se de forma muito óbvia que a dívida soberana, ou o rating de ‘lixo’ da Moody’s (que tanto alarido causou como se tivessem agido surrealisticamente (*)) não são os únicos problemas. Há um problema cultural de raiz, de periferia, de ‘deixar andar’, que faz com que se considere e aceite como natural situações como a que relatei. Sabemos que os exemplos são aos milhares em diferentes serviços estatais, (por exemplo os consulados). O nosso padrão de normalidade é simplesmente inaceitável. O nosso ‘lixo’ vem também dessa cultura da mediocridade e da falta de exigência. Não é só porque a Moody’s assim decide. Como conta a lenda, é mais fácil atacar o mensageiro...

(*) Hoje foi o ratink da Irlanda que a Moody’s baixou. Resta saber se fica por aqui.

30/06/11

Imperdível este post de Luís M. Jorge no Vida Breve (já agora é de ler o anterior também). Já me fez rir logo de manhã. Se não for rir, fazemos o quê? Se nós, contribuintes, soubéssemos toda a verdade sobre cada coisa que pagamos com o nosso dinheiro, corríamos o risco de ‘morrer de riso’.

A propósito da RTP, RDP, Lusa e afins, continuo sem perceber muito bem de que é que falam quando se fala em “serviço público”. Parece que ainda não decidiram o que ele deve ser. Eu sei o que gostaria que fosse, (e deter uma central de informações não é com certeza), mas não vejo nenhum político debater seriamente a questão do serviço público, e o que é relevante ou não caber nesse conceito. Aliás falar em privatizar a RTP – que afinal não é a RTP1, mas sim um canal da RTP (qual a RTP2? A RTPN? A RTP Memória? A RTP África?), sem definir o que é serviço público e como é que ele poderá ser prestado, é – mais uma vez – pôr o carro à frente dos bois, ou ceder à política do anúncio de medidas, sem saber muito bem os ‘como’. Ou então privatiza-se um canal qualquer que não seja a RTP1, restruturam-se uns serviços, poupam-se uns tostões, mas fica tudo muito igual, seguindo aquela máxima de que é preciso mudar para que tudo fique na mesma.

Ler também aqui.

10/02/11

Esta história tem contornos de arrepiar: da solidão e da falta de apoio familiar, comunitário ou outro, às pessoas mais velhas, mas sobretudo da inércia. Deixar estar, não fazer ondas. A senhora de idade e sem família desaparece, a pouca família e alguns vizinhos dão disso conta à polícia, mas nada, rigorosamente nada é feito. Os animais de estimação morrem, a casa é leiloada, a pensão fica por receber, mas nada é averiguado, nada é investigado. Que o estado se está a borrifar para os cidadãos, já sabemos, que não cuide deles, sobretudo dos mais carenciados (entre eles os idosos) através de redes competentes de serviços sociais ou outros, já suspeitávamos, mas que negligencie em absoluto aqueles sem voz - os mais velhos, repito, que não são tão “queridinhos”, ou o futuro, ou promissores como as crianças - aqueles que são fracos e que não têm ninguém que os acompanhe, ninguém que reclame, ninguém que se indigne, ninguém que vá, ninguém que exija, e ninguém que fale por eles, é absolutamente assustador.

27/01/11

Em Tempos de Simplex...

A “trapalhada” das eleições no último Domingo explicadas neste artigo de forma a que ninguém perceba. (Leiam se tiverem paciência). Será que o jornalista que o escreveu percebeu alguma coisa? Labirintos burocráticos em tempos de Simplex... quem diria. Ao ler o texto, não sei porquê, pensei naquela história da porteira a falar da prima da cunhada do taxista, aquele casado com a vizinha da senhora da loja de lingerie, que quis votar, mas o filho, um cabeça no ar que pouco estuda – mas bom moço - que anda com a rapariga que concorreu com a amiga ao Big Brother há uns anos, mas não entraram (para alívio dele sabe-se lá porquê), mas no entanto conseguiu entrar no curso de Comunicação Social e até tira boas notas, esqueceu-se de a ir buscar.

No meio do dito labirinto, destaca-se, no entanto, um parágrafo interessante que nos dá já uma indicação de “saída” na forma de um pouco resignado, mas provável, bode expiatório.

"As eleições correram mal, sou o director, devo assumir a minha parte de responsabilidade por exercer um cargo de confiança política - ainda que a minha missão seja na verdade mais técnica", confirmou ontem ao PÚBLICO Jorge Miguéis”.

O ministro aguarda tranquilamente a conclusão do inquérito. Parece que nada é com ele. Ele ainda deve estar a tentar perceber como é que os serviços funcionam.

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