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11/05/15

28/04/15
Londres

09/04/13

Margaret Thatcher

Com a morte de Margaret Thatcher é mais um pedaço do século XX que passa à História, ancorando-nos cada vez mais irremediavelmente no século XXI, uma evidência que nem sempre sentimos. Nada de errado nisso, afinal estamos vivos (se eu escrevo e se alguém me ler, é sinal que ainda cá estamos, e que Deus quiser, assim nos preserve muitos e muitos anos), a nossa perspectiva é que teima em ir atrás ao século XX. Às vezes penso que os anos que mais nos moldam e de onde o nosso olhar teima em partir (ou regressar) são os anos em que começamos a pensar que já somos adultos. 

Quando chegou a minha vez, Margaret Thatcher estava lá, e eu também. Não deixou nada nem ninguém indiferente, aliás ela detestava a indiferença, a moleza, a falta de convicções e de acções, nomeadamente em relação aos do seu próprio partido a quem chamava “wets”. Esse exacerbar das dicotomias, sem se preocupar com procurar consensos chocava quer uma mentalidade conservadora e à maneira menos abrupta dos gentlemen elitistas da política (ela era oriunda da pequena burguesia), quer de uma mentalidade intelectual que se pretendia tolerante e aberta ‘à diferença’ e às minorias. A sua visão política contrariava a tendência ‘socialista’ que se vivia então (mesmo nos governos conservadores) nomeadamente em duas vertentes: a que permitiu um crescendo de custos de um estado social cada vez mais pesado, laxista e mais difícil de financiar (a célebre insustentabilidade do estado social); e a que fazia depender a política (e políticos) do partido trabalhista dos sindicatos e das suas associações, de uma forma que hoje é difícil conceber. Combateu com a determinação que todos lhe reconhecem ambas as frentes: reformou o estado privatizando, liberalizando, e iniciou sem piedade uma luta com os sindicatos que venceu, tendo reduzido consideravelmente a influência deles na política futura do Reino Unido, e tendo libertado o Partido Trabalhista do excessivo poder sindical (que o diga Blair). Na frente internacional é sobretudo lembrada por ter sido protagonista do desmoronar do bloco de leste, foi o principal líder ocidental a iniciar e manter um diálogo com a União Soviética e o bloco de leste. Não vacilava, não hesitava. Nunca foi muito popular, mas ganhava eleições. 

Lembro-me bem como era bom discordar de Margaret Thatcher, essa filha de merceeiros que se ‘dava ares’, que ousava decidir e mandar, e que estava claramente (para tantos) above her station. Hoje, e para nosso mal, estamos reduzidos à pobre condição de discordar de políticos como Cameron ou Hollande, já para não falar daqueles que temos por cá. Entre Thatcher e estes últimos não é só um século que os separa, é todo um mundo. Independentemente de ter ou não gostado de todas as suas políticas, decisões e acções, hoje e para nosso conforto, percebemos que conhecemos uma grande estadista.

08/06/12

Jubileu


06/02/12

Os Parabéns a Quem os Merece

Isabel II

05/02/11

Depois de Angela Merkel, é Cameron quem fala claro e denunciando o fracasso do multiculturalismo numa declaração corajosa, que já está a dar origem a polémica.

19/09/10

Were Is the Ethical Foundation For Political Choices To Be Found? 2

What are the requirements that governments may reasonably impose upon citizens, and how far do they extend? By appeal to what authority can moral dilemmas be resolved? These questions take us directly to the ethical foundations of civil discourse. If the moral principles underpinning the democratic process are themselves determined by nothing more solid than social consensus, then the fragility of the process becomes all too evident - herein lies the real challenge for democracy. (…) The central question at issue, then, is this: where is the ethical foundation for political choices to be found?
(…)
Religion, in other words, is not a problem for legislators to solve, but a vital contributor to the national conversation. In this light, I cannot but voice my concern at the increasing marginalization of religion, particularly of Christianity, that is taking place in some quarters, even in nations which place a great emphasis on tolerance. There are those who would advocate that the voice of religion be silenced, or at least relegated to the purely private sphere. There are those who argue that the public celebration of festivals such as Christmas should be discouraged, in the questionable belief that it might somehow offend those of other religions or none. And there are those who argue – paradoxically with the intention of eliminating discrimination – that Christians in public roles should be required at times to act against their conscience. These are worrying signs of a failure to appreciate not only the rights of believers to freedom of conscience and freedom of religion, but also the legitimate role of religion in the public square.

Bento XVI
Westminster Hall, 17 de Setembro de 2010.

Were Is the Ethical Foundation For Political Choices To Be Found?

Parece, para desgosto de tantos, que a visita de Bento XVI ao Reino Unido foi um sucesso. Os receios e os medos de que a visita do Papa fosse olhada com alguma indiferença, por uma população que apesar de, muito maioritariamente, se sentir cristã (segundo o que ouvi numa televisão britânica em que uma sondagem concluía que 70% da população se diz ser cristã) é cada vez mais “secular”, foram desmentidos não só pelos números dos que acorreram às celebrações e à rua, mas sobretudo pelo entusiasmo com que o Papa foi recebido pelos diferentes sectores da sociedade, nesta primeira visita oficial de um Papa ao Reino Unido desde a Reforma. A carga simbólica da visita foi também impressionante: a recepção pela Rainha, pelo Arcebispo de Cantuária e o encontro com a comunidade política em Westminster Hall, onde o Papa, no seu discurso, pode abordar os temas que lhe são caros e recorrentes: a fé e a razão, a política e a religião, e que se inserem na sua prioritária (re)evangelização da Europa.

Creio que haja, no calor da recepção ao Papa no Reino Unido, e até aqui em Portugal em Maio passado, uma falta de escândalo por essa noção de (re)evangelização, e até mesmo uma vontade de ser parte dessa (re)evangelização. Os europeus democratas e tolerantes, são hoje colocados perante múltiplas, complexas e perplexas questões que o relativismo, o multiculturalismo e a ciência lhes apresentam a cada dia que passa. Acredito que este Papa, com o seu discurso claro, firme e sólido lhes transmita alguma segurança e, pelo menos por um momento, lhes apresente um rumo para um futuro que não seja de insegurança e receio.

(As questões da moral sexual, nestes momentos, aparecem como absolutamente secundárias. Aliás, de uma maneira geral e como bem sabemos, os católicos já aprenderam há muito a divergir, em paz, com a doutrina da Igreja sobre estas matérias.)

No excessivo zelo das nossas estruturas sociais e políticas pelo respeito multicultural - um conceito amplo e vago que cada vez mais serve para tudo pois considera-se “cultura” qualquer manifestação de “estilo”, qualquer “prática” ou qualquer “opinião”, por mais bizarra e/ou minoritária que seja e por mais contra os valores de igualdade, dignidade e de respeito pelo ser humano que seja (a excisão feminina, por exemplo, que é praticada amplamente na Europa) - a sociedade Europeia corre o risco de esquecer a sua raiz cultural cristã que, num trabalho de séculos, permitiu a secularização, a tolerância pela diferença, o respeito pelo indivíduo e a democracia.

O Papa, no seu discurso em Westminster Hall, (excertos no próximo post) não escolheu um exemplo qualquer, tocou num ponto sensível a qualquer homem comum, que nem precisa de ser muito religioso: o Natal. Os Britânicos gostam desta festa e das tradições desta época do ano. Celebram o Natal ao longo de dias e de forma visível e hoje incomodam-se com o ressentimento que alguns sectores da sociedade demonstra face a essas celebrações. Por exemplo, repare-se na complicação que é para uma empresa organizar o seu tradicional jantar de Natal, que não só terá de se chamar “Festas do Solestício”, ou outra treta afim, como terá o menu de ter em consideração todas as restrições alimentares de todas as religiões existentes e de todas sensibilidades que se possam imaginar. Um pesadelo!

15/09/10

Depois da apresentação da proposta de revisão constitucional, a grande aposta política do PSD para a rentrée, Pedro Passos Coelho não quer ficar atrás de José Sócrates. Apressou-se a arranjar, ele também, o seu tema “fracturante” que vai adornando com frases do tipo “Regionalização Gradualista” e “Experiência Piloto”. Hoje na RTPN Marco António explicou a ideia. Ainda não sei se percebi e nem sei se é suposto perceber. O que é certo é que o soundbite será aumentado, cumprindo assim o real e último objectivo deste PSD de Passos Coelho.


No Jornal 2 da RTP2, o jornalista (cujo nome não fixei) entrevistava o Padre Peter Stilwell sobre a visita oficial do Papa Bento XVI ao Reino Unido. Não falhou um chavão do recorrente e previsível discurso anti-papa: pedofilia, custo da viagem, protestos de alguns sectores da sociedade britânica, beatificação do cardeal Newman. Admirei a paciência e benevolência do Padre Stilwell. Às vezes pergunto-me se vale a pena.

26/04/10

Conversas de Café e Brainstorming

Depois da “espontaneidade” saída de uma conversa de de três jovens juristas que não querem provocar mas somente sensibilizar, soubemos agora de mais espontaneidade no seu melhor, saída de um “brainstorming”. Parece que o Papa se está a tornar num alvo por parte das sensibilidades das causas fracturantes, cá e lá. Cá, um país maioritariamente católico, sobra anti-clericalismo, às vezes até misturado com devoções várias, que hoje se sente aconchegado e que nunca perde oportunidade de se mostrar na sua faceta mais primária, radical e pouco tolerante. Lá, onde o catolicismo é minoritário e o islamismo corre sérios riscos de ser maioritário, perante a lenta dissolução de uma Church of England que consegue ser tudo e o seu contrário, há um anti-papismo secular que as ditas sensibilidades das causas fracturantes descobrem no seu esplendor. Não é em vão que anualmente se celebra com fogo de artifício a derrota do catolicismo e morte de Guy Fawkes.

Uma coisa é certa: as conversas de café que nos anos 60 e 70 propiciaram tanta produção intelectual (não discuto a qualidade da dita) conhecem há muito uma decadência que está bem patente no resultado: distribuir preservativos antes/depois das missas do Papa. Se não fosse patético, dava vontade de rir. O brainstorming, um sucedâneo das ditas conversas de café mas em salas de reunião com toque yuppie e glamour à anos 80 e que produzia sobretudo soluções “corporate” ou “marketing”, (para usar inglês técnico), já conheceu também melhores dias. Estas brilhantes e originais ideias, (ver primeiro e últimos parágrafos), saídas de uma sala de reunião do Foreign Office, já o obrigaram a pedir desculpa ao Vaticano. Nem dá para rir, tal o nível de infantilidade e imbecilidade (com patrocínio governamental).

Razão tem o Bispo de Chester:

16/04/10


Ontem tive muito mais sorte do que Cavaco Silva. Ele ouviu estas declarações (certeiras e justas, mas tão incómodas) do presidente Checo até ao fim, não pode escapar, fazer de conta ou assobiar. Esboçou um sorriso e usou da sua melhor diplomacia na resposta, até distraiu os interlocutores lembrando a Irlanda. Eu, igualmente envergonhada, pude mudar de canal, Cavaco Silva não.

E ao mudar parei uns breves momentos na BBC World News onde estava a decorrer o primeiro debate entre os três candidatos a Primeiro-ministro do Reino Unido, num modelo do tipo “Question Time”. Gordon Brown era o mais crispado, David Cameron o mais confiante e Nick Clegg o mais eloquente e agressivo. Ouvi-os sobre a educação. Discutiam Educação; o discurso de Cameron e Clegg era claro: mais disciplina na escola, reforço da autoridade do professor, (um deles referiu que hoje na escola há a situação de os professores serem tratados como crianças e os alunos como adultos), centrar a actividade do professor no ensino, programas lectivos simples e claros, liberdade das escolas e, no fim, um reparo acerca da necessidade do regresso uma maior independência (face ao Estado e aos governos, claro) das instituições avaliadoras. Brown, que nunca rejeitou estas ideias, mas adoptou uma posição mais defensiva, viu-se obrigado a focar o seu discurso na necessidade de a escola servir toda a população. Como eu gostava de ouvir estes tópicos na boca dos nossos candidatos a Primeiro-ministro.


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