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08/04/13


Se há uma expressão, e preocupação, que já se esgotou e que nós agradecíamos fosse doravante usada com parcimónia é a da “imagem externa do país”. Dr. Durão Barroso, preocupe-se com a Comissão Europeia, e se quiser ser mais ambicioso (coisa que lhe assenta bem) preocupe-se também com a UE. Bem precisam, e bem podem cuidar as respectivas ‘imagens externas’ quer da Comissão quer da UE. Nós por cá, em tempos de crescente austeridade e pobreza temos que deixar cair alguns activos: esse da ‘imagem externa’ pode ir. Afinal nunca passou, e não passa, de um equívoco bem cultivado e estimado pelos ‘bons alunos’ Gaspar e Passos Coelho, que até hoje pouco mais ofereceram do que isso mesmo ao país que fica mais pobre, e com acrescidas dificuldades em pagar os seus compromissos, a cada dia que passa, a cada hora; a cada empresa que fecha, a cada pessoa que fica desempregada, a cada compra que se deixa de fazer.

23/12/12

Um Retrato da UE

"Il n'y a eu aucune mesure prise en Belgique pour attirer un quelconque citoyen français", a déclaré le chef de la diplomatie belge sur RTL, perante a reacção do Primeiro-ministro francês à decisão de Gérard Depardieu de se mudar para a Bélgica e de obter um passaporte Belga. Toda uma polémica que se estalou em França, um país que se recusa a acreditar que, em primeiro lugar, haja franceses que possam querer sair de França (coisa que está a originar uma crise existencial francesa de dimensão exagerada e que parece ridícula), e em segundo lugar que haja alguém a romper uma mentalidade esquerdista dominante em que é normal aceitar que o equilíbrio das contas do estado se faça sempre através do aumento da carga fiscal. Basta, diz Depardieu para desespero do governo, e basta' dizem cada vez mais personalidades que simpatizam com Depardieu. 

Se algo começa a funcionar na UE é a concorrência a nivel fiscal e a nivel de emprego; as pessoas começam a mexer, virar costas e sair. Mercenários? Claro que não, limitam-se simplesmente a procurar o que é melhor para elas. 

Nós cá não temos disso; as nossas crises existenciais são prosaicas e simples - pouco dinheiro, maus políticos, falências, desemprego, corrupção. Nem nos lembramos que temos um umbigo quanto mais perdermos tempo a olhar para ele. Mas lembramos sim, com algum sabor amargo o nosso Primeiro-ministro e a sua ‘sugestão’ de emigração. E se não temos exactamente Depardieu, ou melhor, se os nossos actores não têm o salário de Depardieu, não ficamos atrás em talento e qualificação: temos cientistas, engenheiros, financeiros, gestores, enfermeiros, arquitectos, designers, informáticos, economistas, cantores, empresários, e até actores e tantos outros, todos os dias a emigrar. Emigração de luxo, emigração de sobrevivência, asilo fiscal, as várias faces de uma penosa realidade.

19/06/12

Parole, Parole, Parole...

Admiro a coragem do Mr. Barroso (‘europeês’ para Durão Barroso), ao falar da forma frontal e assertiva com que falou em nome da União Europeia na Cimeira G20. Não por ter sido frontal e assertivo note-se, mas por, numa altura em que sentimos o ranger das fracturas que atravessam a UE, ousar um discurso a uma só voz (a da UE/Eurozona): um atrevimento. Sabe bem por uns minutos pensar que a União Europeia, e sobretudo a Eurozona, consegue ser hoje algo mais do que uma abstracção na cabeça dos seus líderes políticos e cidadãos. Mr Barroso, perante um ‘inimigo comum’ (os restantes G20s) que isolou bem, e a quem desferiu algumas farpas, saiu em defesa das democracias, das estratégias e dos timings europeus, aproveitando o que resta desse sentimento ‘europeísta’ ainda partilhado por muitos. Como ele bem sabe, foi bom enquanto durou; no entanto no fim do dia, ou da cimeira, pouco sobrará desse discurso.

01/05/12

Léxico

Mais uma sigla a entrar para o nosso léxico quotidiano. Desta feita é o DEO (Documento de Estratégia Orçamental) que vai proporcionar uma base de legitimação a todos os próximos aumentos de taxas fiscais a incidir na classe média (directa ou indirectamente), aos cortes de benefícios, cortes nas deduções fiscais e a todas as próximas medidas de austeridade que o governo julgue necessárias aplicar que possam ajudar (assim pensam – esperam - eles) a contrariar uma pobre execução orçamental que, ironicamente o governo não adivinhava, não correspondeu ao seu empenho, boa vontade e demais louváveis intenções traduzidas em decisões políticas muitas nem sempre devidamente ponderadas. 

O desconforto dos sucessivos planos de austeridade que se sucedem em diferentes países, o aumento do desemprego, e as recorrentes recessões começam a gerar desconforto um pouco por toda a Europa. A nova palavra de ordem (já validada pela Senhora Merkel) parece ser ‘crescimento’. De sigla em sigla, de palavra de ordem em palavra de ordem vamo-nos adaptando e orientando para perceber de que lado sopra o vento.

11/01/12

Maturidade

Ontem vi parte do novo programa da SICN Contra Corrente. Gostei do formato do programa, e dos convidados: todos com maturidade, (já tenho pouco paciência para opiniões inconsequentes) e pouco dados à 'histeria'; resta saber quanto tempo o formato sobreviverá e quanto tempo conseguirá (man)ter audiências. Destaco do que ouvi as reflexões sobre a política portuguesa – agora nas mãos deste governo sobretudo nas pessoas de Passos Coelho, Paulo Portas e Victor Gaspar – face à Europa e aos desafios que a Europa enfrenta. 

Mais uma vez concluo que em Portugal hoje, como ontem, não há visão, não há debate, não há reflexão, não há estratégia, não há negociação. Estamos sendo empurrados, mais uma vez para factos consumados, longe do escrutínio dos portugueses. Esta falta de posicionamento claro do pais no quadro da UE é uma das mais evidentes provas (há mais) da falta de maturidade política dos nossos governos, nomeadamente do actual, e dos nossos governantes. É prova da impreparação e falta de vontade política para enfrentar e abordar matérias complexas e que não mexam de forma mais ou menos directa determinados grupos de interesses económicos, políticos ou simplesmente partidários. É a prova da ligeireza que se escuda na subserviência e que nenhuma eficácia fiscal, que nenhum corte nas despesas A ou B, ou que empenho (que claramente aplaudo) em cumprir o acordo da Troika consegue esconder. A crise não pede só cortes nos custos e aumentos das receitas sacrificando os contribuintes, há toda uma reflexão sobre o país e, neste caso, sobre a Europa que não está a ser feita, nem por nós nem pelos nossos parceiros europeus nomeadamente a dupla Mercozy que ficará para a história como a caricatura da cegueira europeia. A falta de uma estratégia de política europeia em Portugal é gritante, mas ninguém no governo a parece ouvir.

26/11/11

O que Sobra

Há uns meses assistíamos e enumerávamos criticamente os famosos encontros a dois entre Merkel e Sarkozy. Indiferentes à irritação de muitos europeus que se perguntavam se ‘isso’ é que era a União Europeia, eles encontravam-se (os inúmeros ‘beijinhos’ trocados à vista de todos ilustram as ocasiões) e cochichavam, mas aparentemente nunca tais encontros pareceram dar fruto, e entenda-se aqui 'fruto' como uma qualquer decisão (já nem sou exigente, uma qualquer). Aposto que ficarão para a história como isso mesmo: cochichos.

Depois desses encontros a dois ilustrados a ‘beijinhos’, a nossa atenção foi desviada unicamente para a senhora Merkel, cada palavra, cada tique, cada entoação, cada gesto: começa a confusão pois ao estarmos atentos é-nos impossível não ver as contradições, as incertezas, a demagogia, a fraqueza disfarçada pela retórica. Os comentadores, os artigos de opinião por essa Europa fora tentam interpretar as intenções, o que vem a seguir. Grécia, Itália, Espanha (por ordem cronológica e mediática), bem como a iniciativa de Durão Barroso quase que não importavam por si, mas sim pela reacção da senhora Merkel que cada vez mais se funde e identifica com o seu país a Alemanha. O que é que a Alemanha acha? O que é que a Alemanha pensa? A Alemanha isto, a Alemanha aquilo. Posteriormente começam os sussurros sobre a França e a Bélgica.

Nesta semana reataram os encontros a dois, e Merkel e Sarcozy falam de revisão dos tratados, falam do BCE. Será que finalmente se vê o fruto de tantas conversas a dois? Creio que virá tarde demais. A partir de agora já todos os olhos se viram para a Alemanha e começam as apostas sobre quanto tempo levará até que a crise da dívida soberana atinja a Alemanha. O que sobrará desta Europa (UE), que os estados criaram e que conhecemos, é agora a questão pertinente.

03/11/11


Como não sou (ainda) bruxa, não previ este novo acto do drama grego de ‘sim referendo’, ‘não referendo’, em que o protagonista – de tanta volta e contravolta que tem dado e de tanto psicodrama encenado - provavelmente já não sabe quem é (se é que alguma vez o soube). Até eu estou tonta e perdida, e não sou grega. Uma coisa é certa: não gosto da atmosfera que antecede a tempestade: o ar é pesado, o ambiente abafado, os pés que se arrastam, a pressão que aumenta (atmosfericamente falando ela baixa, claro) e já só queremos uma boa chuvada, ventos e trovoadas. Em relação à UE sinto isso mesmo: acabe-se o medo, os paninhos quentes, as palmadinhas nas costas, as conversas de pé de orelha Merkel/Sarkozy, os juízos, as ameaças, as lições de moral; venham as crises e as dissidências depressa, zanguem-se as comadres, deixem o euro desvalorizar. Veremos se o ar não fica mais leve e se não podemos finalmente começar o trabalho de reconstrução.

01/11/11


Vale o que vale, mas esta divisão de campos na hora de votar a adesão da Palestina à UNESCO, mostra como a União Europeia é mais uma (des)União que fala a múltiplas vozes defendendo múltiplos, e por vezes contraditórios interesses, e mostra como uma ‘união’ é algo do domínio da utopia e dos discursos inflamados. Se hoje os problemas financeiros e económicos surgem como o pomo de discórdia entre os 27/17, esta notícia mostra a amplitude da dissonância. Não fiquei surpreendida; fiquei-o só porque já nenhum estado nem ninguém a tenta disfarçar. A união pode fazer a força, mas não se faz à força (de tratados “porreiro, pá!”, por exemplo).

06/06/11

Dos Pepinos


Considero inaceitável a forma com que a Alemanha lidou com a crise E. Coli. Sem exames científicos que o comprovassem apontaram o dedo aos pepinos espanhóis tendo criado um movimento de rejeição aos legumes frescos espanhóis – ao qual Portugal não escapou – nomeadamente pepinos e tomates que terá custos elevadíssimos. Quer a Espanha quer Portugal têm já problemas que cheguem, e o que menos precisavam era que a Alemanha, levianamente, (ou haverá uma ‘agenda oculta’?) tivesse apontado o dedo aos produtos espanhóis criando uma onda de pânico que afastou os consumidores desses produtos. Confesso que nunca percebi o porquê de, estando a epidemia (e infelizmente mortes) localizada no norte da Alemanha, ou em pessoas que lá tenham estado, se culparem tão prontamente os pepinos espanhóis. Presumo que os ditos pepinos sejam consumidos noutros locais e noutros países que não o norte da Alemanha. Com que autoridade e como é que se faz uma acusação destas? Ninguém levanta esta questão? Hoje já se dizia, para depois desdizer que eram rebentos de soja de uma quinta perto de Hamburgo. Não era melhor calarem-se, antes de ter certezas?

A origem da epidemia não está ainda determinada, mas a UE já diz que proporá compensações financeiras para os produtores afectados pela crise de confiança dos consumidores. Apetece perguntar: não deveria ser a Alemanha a pagar?

02/03/11

Ouvi ontem na TVI José Medeiros Ferreira ironizar um pouco sobre a necessidade de Angela Merkel mostrar, “chamando” José Sócrates a Berlim, alguma “força” ao seu eleitorado em período de eleições que não lhe têm corrido bem. Tem toda a razão, mas para nós o problema é José Sócrates não ter outra escolha que não seja ir - e responder assim ao “chamamento” da senhora Merkel.

15/12/10

O que Sempre Sobra

Confesso-me num período de pouco interesse, bem como poucas tentativas de me manter informada, na actualidade portuguesa ou não, tão má ela é. Fica no entanto alguma espuma sobre o mundo que, tal como o conhecíamos, caminha para um local estranho que não se sabe bem se é um abismo. Nota-se um impasse generalizado cá e lá e nada de bom parece se avizinhar, não há messias à vista nem políticos (e gentes) em quem consigamos confiar. As expectativas são baixas e o optimismo para 2011 é um exclusivo de José Sócrates e de outros líderes feitos do mesmo barro.

Sobra, o que sempre vai sobrando, e a que alguém chamava há muitos anos justificando os muitos filhos que tinha: “o teatrinho dos pobres”. Neste caso serão mais pobres de espírito, mas correndo o sério risco de pobreza tout court. Como ia dizendo, sobra algum sexo que anda a entreter os jornais (e as gentes) pelo mundo fora. Desta vez não é um presidente americano, ou candidato a; desta vez não é na Casa Branca, é um Australiano na Suécia com duas mulheres suecas. Não se discute se há ou não uma relação sexual, discute-se o ser “sexo de surpresa” ou não. E há quem leve isto a sério, e prenda ou liberte alguém com base na discussão deste conceito (juntamente, ao que parece, com o uso ou não de preservativos), sem que ninguém tenha coragem de dizer ”ao que vem” e que acusação quer fazer. Demasiada metafísica para mim.

18/05/10

Um Governo Que Não Governa

Em tempos difíceis como os que atravessamos, esperava-se alguma “gravitas” por parte de quem nos governa, juntamente com algum sentido de estado. Esperava-se que o peso da responsabilidade pela incapacidade de ter políticas que impedissem o pais de chegar ao estado de pré-abismo que chegou tocasse de uma forma ou de outra o Primeiro-ministro e ele sentisse a urgência de repensar o país. Esperava-se que, juntamente com o seu governo, fizessem alguma política, estudassem e propusessem reformas estruturais que a médio e longo prazo permitissem ao país sentir uma diminuição real do peso financeiro do estado e sentir redobrada eficiência dos serviços públicos. Esperava-se que pensassem para além do imediato “como sair deste sufoco já”, (UE/Alemanha exige) e que resolvem com a medida mais fácil que é o aumento de todos os impostos e criação de novos. Esperava-se que percebessem o que se está a passar com a crescente perda de independência e poder de decisão dos governos nacionais para a UE/Alemanha. Esperava-se que o governo percebesse que com estas medidas fáceis de aumento de carga fiscal é cada vez menos atraente ser empreendedor e criar riqueza, e que a classe média está a ficar cada vez mais pobre. Esperava-se que o corte de custos do Estado não fosse inteiramente suportado pelos contribuintes. O país espera e precisa de soluções que o permitam ser económica e financeiramente viável.

Para isso o governo na pessoa do Primeiro-ministro tem que governar, coisa que não faz há mais de um ano quando o país político entrou em época eleitoral. A irresponsabilidade, leveza e vazio que o caracterizam continuam, e ao contrário de governar, o Primeiro-ministro mantém a sua agenda de habituais sessões de propaganda, cada vez mais patéticas e falsas (esta última em “espanhol técnico” para nossa vergonha). Continua o seu discurso sobre energias alternativas, novas tecnologias, tecnologias de informação, numa infantilização do seu cargo que cada vez mais custa ver. Sobretudo porque pouco sobrou das tantas “medidas” reformistas (como ela lhes chamava) do seu primeiro mandato. A sua credibilidade está ferida, como pessoa e como Primeiro-ministro. Os acumular de casos passados, os seus amigos, a sua família e os cada vez mais numerosos casos políticos de “inverdades”, manipulação de informação (este é o mais recente) contradições, avanços e recuos, e desmentidos (um exemplo recente aqui) tornam difícil a tarefa de disfarçar a sua fragilidade, e o custo de o manter como Primeiro-minitro é cada vez mais evidente. Portugal precisa de quem o governe e não apenas de quem reaja, e mal.


16/04/10


Ontem tive muito mais sorte do que Cavaco Silva. Ele ouviu estas declarações (certeiras e justas, mas tão incómodas) do presidente Checo até ao fim, não pode escapar, fazer de conta ou assobiar. Esboçou um sorriso e usou da sua melhor diplomacia na resposta, até distraiu os interlocutores lembrando a Irlanda. Eu, igualmente envergonhada, pude mudar de canal, Cavaco Silva não.

E ao mudar parei uns breves momentos na BBC World News onde estava a decorrer o primeiro debate entre os três candidatos a Primeiro-ministro do Reino Unido, num modelo do tipo “Question Time”. Gordon Brown era o mais crispado, David Cameron o mais confiante e Nick Clegg o mais eloquente e agressivo. Ouvi-os sobre a educação. Discutiam Educação; o discurso de Cameron e Clegg era claro: mais disciplina na escola, reforço da autoridade do professor, (um deles referiu que hoje na escola há a situação de os professores serem tratados como crianças e os alunos como adultos), centrar a actividade do professor no ensino, programas lectivos simples e claros, liberdade das escolas e, no fim, um reparo acerca da necessidade do regresso uma maior independência (face ao Estado e aos governos, claro) das instituições avaliadoras. Brown, que nunca rejeitou estas ideias, mas adoptou uma posição mais defensiva, viu-se obrigado a focar o seu discurso na necessidade de a escola servir toda a população. Como eu gostava de ouvir estes tópicos na boca dos nossos candidatos a Primeiro-ministro.


06/02/09

O Comissário Europeu para o Ambiente acha supérflua a discussão em Portugal sobre o caso Freeport, pois a Comissão Europeia analisou a questão baseada numa queixa apresentada pela Quercus em 2002 e concluiu que a construção do centro comercial não tinha impactos significativos sobre as aves protegidas pela ZPE, independentemente das modificações do seu perímetro. Estas declarações, para além de parecerem demasiado concertadas com o nosso governo e o braço longa da sua propaganda é absolutamente inoportuna. Primeiro porque a questão do caso Freeport não é uma questão técnica, como não é uma questão de justiça: é uma questão política (a lembrar: uma investigação do SFO do Reino Unido que põe em causa a pessoa do nosso primeiro ministro, a aprovação por um governo de gestão do licenciamento do projecto a uns dias das eleições, a celeridade com que as autorizações foram dadas comparando com casos semelhantes, a presença da família do então Ministro do Ambiente neste processo, as contradições entre o que os vários intervenientes dizem, o porquê do não andamento da investigação deste caso em Portugal desde 2005) à qual o nosso primeiro ministro continua a não dar respostas concretas e satisfatórias. Segundo porque cabe aos eleitores portugueses, e não aos burocratas em Bruxelas, decidir da pertinência e do supérfluo das discussões em Portugal. A democracia é assim, coisa que parece ser frequentemente esquecida em Bruxelas.
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23/04/08

Já está. Discretamente, suavemente, ninguém parece muito incomodado, ninguém parece muito interessado, ninguém parece muito informado. Até agora não doeu, veremos mais tarde os efeitos secundários.


13/12/07

Asas 2

Aliás, hélices.
Hoje na zona de Belém onde se assina o Tratado de Lisboa
(Adenda: diz-me um leitor que não são hélices, mas sim rotores.)

05/12/07

A Cimeira UE-África, ou Porreiro, pá! (bis)

D. Daniel Adwok Bispo auxiliar de Cartum diz não compreendo a decisão da presidência portuguesa da União Europeia. Pois já somos dois se me for perdoada a arrogância de pretender perceber e sentir seja o que for do que se passa em Darfur. Não só não compreendo a criação do tabu direitos humanos, tema a banir da agenda, como não compreendo o porquê da necessidade de realizar uma cimeira UE-África, que parece sobretudo talhada à medida para servir um qualquer "orgulho nacional” assumido por um primeiro ministro vaidoso e que nunca escondeu a vontade de deixar uma marca da sua presidência na história da UE. O tratado de Lisboa e agora a Cimeira. Espero que a UE não pague muito caro o preço desta vaidade.

Não sei o que é que de concreto se pode esperar desta cimeira, nem porque é que ela é necessária, nem tão pouco em que é que as relações entre a Europa e África possam visivelmente melhorar. A vontade da fotografia de grupo é maior do que ter um pingo de decência e vergonha que nos impeça de celebrarmos (a palavra parece adequada, infelizmente) uma cimeira lado a lado com a pior espécie de líderes políticos. O nosso Primeiro-ministro juntamente com Durão Barroso cuja febre africana e “orgulho nacional” o une a José Sócrates na vontade desta cimeira, vão literalmente - e porque cederam à chantagem da imposição de uma agenda e imposição de tabus, apadrinhar toda uma série de regimes políticos bárbaros e corruptos, bem como os seus líderes políticos igualmente bárbaros e corruptos para além de toda uma parafrenália de regimes obscuros, ditatoriais ou democraticamente musculados (como gostam de ser chamados), corruptos e opressivos, nas versões mais “soft” num universo em que a democracia é uma excepção. As vítimas, os africanos sem terra, sem trabalho sem condição de viver enquanto os líderes enriquecem a olho nu, serão mais uma vez esquecidos, entre uns discursos, umas palmadinhas nas costas, um espumantesinho erguido e uns “porreiro, pá!"

O Bispo de Cartum revolta-se porque sente na pele dos seus, também a sua, a barbárie do regime em que vive. Nós revoltamo-nos sobretudo de um ponto de vista intelectual e político. Se fosse um sentir tão visceral como o do Bispo, esta cimeira revoltar-nos-ia muito mais.

23/10/07

O debate sobre as questões europeias já chegou a um nível tal que o melhor argumento para ser a favor da realização de um referendo não são as questões europeias mas o facto de alguns políticos iluminados passarem aos seus concidadãos um atestado de burrice dizendo que a matéria é demasiado complexa para eles entenderem e se poderem pronunciar e decidir. Nada como esta imbecilidade vestida de arrogância para que o argumento pró-referendo surja com toda a pertinência. Porque é que os portugueses não percebem? Talvez porque ninguém se proponha explicar, ou porque não querem, ou porque temem o resultado de uma consulta popular. Este motivos são atentados contra a democracia, que deixam os responsáveis políticos a assobiar para o lado, enquanto segredam uns com os outros e parecem deixar o país indiferente. Mais uma vez. Deviam ter mais cuidade nos argumentos que usam pelo menos para aqueles que ainda não estão completamente desprovidos de capacidade analítica e crítica. A questão europeia é mais complexa do que a regionalização? Porquê? Será mais complexa do que a questão do aborto em que um voto Sim ou um voto Não escondeu tantas vezes as dúvidas éticas e morais de tantos votantes. Porque é tão complexo perceber coisas como duplas maiorias, peso em votações e outras deliberações, rotatividade e de cargos, tempo de mandatos? Ou são outras as questões fundamentais do debate? A tratarem assim os cidadãos - que no entanto para pagarem impostos e preencherem papeis de IRS já se supõem competentes - não se admirem de cada vez que os alunos da Faculdade não saibam escrever, não saibam contar, não conseguigam desenvolver raciocínios abstractos.

09/05/07

Uma ideia da Europa 12

Titian, Rapto da Europa

A Europa. As nações. A identidade, a pertença. A ideia, a vontade política, a união. A Comunidade Europeia. A livre circulação de pessoas e de bens. O Euro. A incerteza do futuro. A riqueza de ser europeu.

E mais uma vez, a pintura. A mitologia, as lendas, os deuses, os humanos.

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