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18/04/12


Pior do que o Rei ter ido caçar elefantes no Botswana é o Rei pedir desculpa por ter ido caçar elefantes no Botswana. 

O Rei, num recado trabalhado para soar espontâneo, e perante as televisões quando saía do hospital, pede desculpa e lamenta o que aconteceu e dizendo que não voltará a acontecer. Mas afinal o Rei cometeu alguma ilegalidade? O que é que aconteceu que exija um pedido de desculpas? O que é que não voltará a acontecer? Ir de férias? Caçar elefantes? Ter aceite um convite de um empresário saudita? Ou ter deixado que caísse nas mãos da imprensa uma fotografia sua armado com o elefante? Parece que chegamos ao nível mais baixo do zelo das aparências. Faz-se qualquer coisa para que tudo pareça o que é suposto parecer, coisa que a massa informe dos media e da opinião publica decide. Pede-se desculpa porque o povo exige desculpas. O Rei esboça arrependimento para calar as indignações, um amplo leque que abrange desde os ambientalistas aos cronicamente invejosos. Obrigação cumprida, aparências salvaguardadas. 

23/01/12

Ódio, Demagogia e Oportunismo

Ódio, demagogia e oportunismo (citando Medeiros Ferreira) são as palavras certas. E por causa delas também eu me coloco ao lado de Cavaco Silva (numa altura em que preferiria não estar). Nos tempos que correm parece que determinadas personalidades públicas não têm ‘autoridade moral’ para apelarem à austeridade, ou para constatarem em voz alta o facto de que são afectados por ela, pois quando o fazem provocam fortes reacções hostis e de repúdio que se ouvem e lêem na imprensa, televisão e blogues vindos dos mais diversos sectores da direita, da esquerda, de conservadores a até dos ditos liberais. De repente, e de onde menos esperaria, espreitam as novas virgens ofendidas perante apelos naturais e desabafos compreensíveis (mesmo que inoportunos). Conceitos como ‘autoridade moral’ e atitudes à ‘virgem ofendida’ porque tingidos de demagogia e populismo merecem-me pouca simpatia. 

Aliás nunca percebo como e quem define o que é isso de ‘autoridade moral’, quer qualitativamente quer quantitativamente. Quem é que pode apelar à austeridade ou constatar-se afectado por ela, que grupos de pessoas? Funcionários públicos? Desempregados? Professores básico? Secundário? Universidade? Empresários com empresas que dão lucros? Empresários com empresas à beira da falência? Empreendedores de sucesso? Reformados? Políticos com experiência governativa? Políticos com experiência partidária? Trabalhadores da indústria? Bancários? Banqueiros? Profissionais liberais? E a partir de que rendimentos é que se pode, ou não pode, fazê-lo? Há algum intervalo desejável, por exemplo entre o salário mínimo e os oitocentos euros? Quando não se percebe de que matéria é suposta ser feita essa ‘autoridade moral’ apregoada, é difícil evitar a demagogia, e fácil entrar naquele caminho por demais conhecido da hipocrisia, mesquinhice ou inveja. Quando se critica, por exemplo, (poderia dar outros exemplos), Manuela Ferreira Leite – por acaso, a política mais lúcida e que mais cedo apelou à necessidade de mudança de rumo do estado, tendo por isso sido alvo generalizado de chacota, nomeadamente por parte da comunicação social que nunca gostou do seu ‘estilo’ (outra palavra que, pelo menos em política, merecia ser detalhada) - dizendo que lhe falta a dita ‘autoridade moral’ para falar da austeridade porque recebe duas reformas, eu sinto-me fora do mundo. Será que com uma reforma se pode falar, mas duas não? Ou é o montante das reformas? Abaixo de mil trezentos e dezassete euros e oitenta e um cêntimos (número inventado por mim!) pode-se falar, mais do que isso já não? Ajuizar a ‘autoridade moral’ de alguém com base na presunção do que será a sua situação financeira actual é de um simplismo que arrepia. De repente uma personalidade pública com curriculum e história fica reduzida à ideia que se faz dela em função dos ordenados e/ou rendimentos que aufere. De repente começa-se a valorizar e enobrecer a pobreza e revisitando o Dr. Salazar dá-se-lhe o estatuto de detentora de ‘autoridade moral’. Sub-repticiamente e naquela ânsia tão estafada de igualitarismo não conseguimos exceder-nos e infelizmente não saímos do portuguesismo provinciano, periférico, demagógico e fácil nivelando por baixo. À pobreza, a sua virtude. Os ricos (pobres dos ricos portugueses, tão pouco ricos) simplesmente não têm ‘autoridade moral’, e são olhados com inveja e ódio. 

De repente até parece que só os ‘pobres’ (alguém defina o que são os ‘pobres’, por favor) é que podem apelar à austeridade ou dizerem-se afectados por ela. Como se os restantes cidadãos caminhassem sobre as águas sem se molharem. O facto é que, com excepção daquelas pequenas minorias de pessoas que sabe enriquecer nos períodos difíceis (crises, guerras) e dos ‘ricos’, quer os novos – ver aqui neste retrato traçado por Pacheco Pereira - quer os menos novos, ambos, segundo se diz, com depósitos nas Cayman, todos em Portugal são hoje afectados pela austeridade. São-no de formas diferentes, é certo, mas ninguém está imune, ninguém escapa. O IVA aumentou para todos, a baixa de consumo afecta as empresas (e empresários), o desemprego não abranda e já afecta todas as classes profissionais e sociais, o constante downgrading das instituições financeiras com a consequente dificuldade no financiamento das empresas e famílias afecta todos sobretudo a classe média/média alta. Pensar que a crise não chega a todos é viver fora do mundo.

11/03/11

Cara ou Coroa

Já vimos no PEC IV anunciado hoje (e ao que parece sem prévio conhecimento do PR) os resultados práticos da ida de José Sócrates a Berlim, chamado por Angela Merkel, claro, que entretanto vai avisando: “cada país é responsável pelas suas dívidas”. Por cá, os nossos governantes atordoados com os crescentes problemas financeiros comprometem, com medidas desesperadas e cortando a direito (perdoe-se o plebeísmo), cada dia um pouco mais, o crescimento da economia, a importância da política, a estabilidade social. Os mercados vêem um PEC atrás do outro e não se deixam impressionar com mais aumentos de receitas à custa da economia. O retrato, cruel segundo disseram os socialistas, que Cavaco Silva fez do país no seu discurso na tomada de posse, só pecou por ter sido brando. José Sócrates continua obstinado a não querer ver o país que tem para governar, e a não querer ver nem perceber. Foge para a frente utilizando sempre os meios mais fáceis. No entanto não descura nunca a propaganda: enche a agenda de inaugurações e anúncios para uma entidade abstracta que ele crê ser o nosso país, algo que só existe na sua cabeça. E nós vemos que quem o rodeia se presta a esse jogo da cegueira selectiva.

Mas parece, segundo o que lemos por aí, que esta semana a alternativa se chama“geração à rasca”. Deus nos livre! Esta expressão é, só por si, motivo de rejeição de tal "conceito" da minha parte. Mas há mais: nutro cada vez menos simpatia, e tenho cada vez menos paciência por todos aqueles que passados os vinte e poucos anos continuam a achar-se e a chamar-se “jovens” (os que convocam a manifestação dizem-se jovens). É tempo de crescerem, serem adultos, eu sei que o marketing moderno não ajuda, mas há compensações, prometo. Percebam que na vossa idade continuarem a culpar a gerações anteriores dos vossos insucessos fica mal e é claro sinal de imaturidade. Lamentavelmente já não se estranha quase nada num país torpe que se deixa enlear no primeiro entusiasmo demagógico que ouve/vê no facebook - assim como está na moda, (Egipto, e tal), um país que adere a slogans fáceis contra a classe política que querem deitar abaixo (e fica quem?), um país em que a comunicação social se deslumbra com tanta manifestação popular, mas um país onde todos (PM incluído) e cada um, recusam ser responsabilizados. Temos todos (“deolindos” incluídos, ou especialmente incluídos que as abstenções muito se devem a eles) os políticos que elegemos, e em última análise, que merecemos. Resta-me a mim o desabafo (já nem consolo é) "nunca votei neles".

05/12/10

Vivemos agora na gestão das excepções (o caso do fim-de-semana é nos Açores, mas eles sucedem-se), aos suspiros por organização de eventos, sejam eles mundiais de futebol ou conferências sobre energias renováveis, e às ausências do Primeiro-ministro que, para nosso infortúnio e vergonha mais parece um vendedor da versão “tecnológica” de fitas e nastros, passa mais tempo fora do país do que dentro. Sobra demagogia (com padrinhos destes que mais poderíamos esperar?), muita conversa, sobretudo de chacha, alguns (pseudo)casos. Que vazio.

06/05/09

Plataforma contra a Obesidade 52

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28/02/07

Demagogias

No dia em que os políticos portugueses, na voz dos nossos deputados, não perderem tempo com demagogias e muito menos com a invenção de complicados regimes de excepção de retribuições para quem ocupa cargos políticos tais como pensões milionárias, sistemas de saúde, entre outros, e tiverem coragem de propor ordenados melhores e condignos para a classe política em geral, dirigentes e Directores dos Serviços do Estado, os problemas como este deixam de existir.

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