Mostrar mensagens com a etiqueta Economia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia. Mostrar todas as mensagens

17/10/12

OE 2013

O raio que os parta! 

Estive dois dias para escrever esta interjeição, uma questão de ter a certeza de que era mesmo isto que queria escrever, e não apenas um impulso de raiva depois de ter ouvido na segunda-feira o ministro Victor Gaspar. Ele que, com a sua voz estudadamente pausada, tenta dar a ilusão de que do seu discurso só saem decisões ponderadíssimas (nós bem sabemos), claríssimas (nós também bem sabemos) e pautadas pela sapiência e sabedoria. E se até dou o desconta para a sapiência, o mesmo não se aplica  à sabedoria: já só engana quem quer ser enganado. 

Porque continuam a usar, em tom paternalista de quem sabe tudo, de quem é moral e politicamente superior, e capaz de julgar os portugueses (vivem acima das possibilidades, são piegas, são ignorantes...), as chantagens do género “quem não está de acordo com este orçamento está contra o programa de ajustamento”. Errado! Tão errado. Nós não confundimos as medidas deste governo e o memorando de entendimento da troika, ou a necessidade de austeridade.

Porque estão a atentar contra a minha liberdade. A minha liberdade está também, e muito, ligada à forma como eu decido gastar o meu dinheiro. Ora se o estado unilateralmente decide tirar uma enorme fatia dele, para um programa em que só ele e meia dúzia de consultores seus acredita, que liberdade tenho eu de o gastar como o entendo? Poupando ou consumindo, a liberdade de escolha é minha. Ser liberal é sobretudo não atentar contra as liberdades individuais, é não subir impostos, não tirar dinheiro aos contribuintes, mais do que o estritamente necessário... é não tirar mais sobretudo quando já se tirou demais. Não gosto quando atentam contra a minha liberdade, e citando Pinheiro de Azevedo, digo "é uma coisa que me chateia (pá?)".

Porque persistem no erro. A carga fiscal vai aumentar de uma forma tal, que as pessoas reais, o tecido económico real do Portugal real, (diferente do Portugal imaginário visto a partir dos modelos económicos do mundo académico, ou visto através de uns óculos de oportunidade de meia dúzia de comentadores e/ou colaboradores e/ou consultores), não vai conseguir pagar. As execuções fiscais vão aumentar, as falências vão aumentar, os incumprimentos vão aumentar, o desemprego vai aumentar, a pobreza vai aumentar, a infelicidade vai aumentar. A colecta fiscal não. 

Porque, de acordo com o memorando da troika, a consolidação orçamental deveria ser feita sobretudo (2/3) do lado da despesa, e eles propõem-nos que se faça quase exclusivamente do lado da receita, com a agravante de que e a maior fatia do corte da despesa corresponde às prestações sociais. 

Porque vão, pelas boas e pelas más razões, pôr o país todo contra o governo, o que não fará assim tão mal; bem como contra o programa de consolidação orçamental da troika, o que será bem pior e poderá ter consequências mais nefastas à nossa já tão débil soberania, e à nossa economia que – olhando com atenção e não olhando apenas para os números governamentais - pouca saúde tem. 

Porque estão a levar o país a uma verdadeira revolução social (a palavra reajuste de que tanto gostam é um eufemismo de quem não percebe o que se está a passar) cujas consequências são difíceis de prever. Como ficará a sociedade portuguesa daqui a 10 anos? 

Porque política não é só subir impostos. O governo mascara a sua ausência de pensamento político sólido, por um discurso de pseudo-rigor económico (na boa escola de economês cheio de vocabulário alavancado), em que as nuances castigadoras não escapam. Os aumentos de impostos, como única arma de rigor orçamental são a face visível do vazio (de pensamento ideológico e político) em que este governo assenta. Desde o primeiro dia; não me iludiram.

03/07/12

Não Pode Continuar

Depois de – há duas semanas – termos sido confrontados com a preocupação dos números da execução orçamental referentes ao primeiro trimestre deste ano, lemos hoje a tradução em termos de ‘vida real’ desses números abstractos em páginas de excel, que são as falências de empresas e famílias que atingem proporções que deviam fazer soar sinos e tambores em S. Bento, pois já ninguém deixa de ver que o nosso tecido social e económico se começa a esfarelar e a desfazer. Se pensarmos bem nada disto é surpresa quando vemos que o combate ao deficit do estado se faz, como sempre se fez é bom lembrar, através do aumento da carga fiscal. Mas, quando não há riqueza, não há impostos. E hoje, podem aumentar a carga fiscal que a receita não aumenta; e a pouca economia que consegue respirar, a custo, será mais e mais asfixiada. 

Estes números são dolorosos de ler pois são a ilustração de um país a empobrecer. Olhamos à nossa volta, ouvimos as pessoas e percebemos que eles não mentem. A revolta, desilusão, pobreza, dúvida estão instaladas e fazem parte de um quotidiano cada vez mais doloroso, também porque sem esperança. Hoje ninguém sabe como sair desta situação de profunda crise em que o país mergulhou e a Europa também. As certezas que as pessoas tinham de soluções eficazes e sempre prontas a debater à mesa do almoço em família ou com amigos, no café, nos escritórios, nos táxis, na praia, esvaiu-se. A opinião deu lugar ao desabafo. Até na comunicação social muitos dos comentadores sentem-se incapazes de desenhar uma ideia e impotentes para propor alternativas. Refugiam-se numa análise de erros passados que, não deixando por vezes, de ser pertinente, não apontam caminhos, e assim se adia mais uma vez e outra e mais outra, a esperança de que um dia vejamos luz. 

Eu que, apesar de muito crítica, acredito na boa-fé e boa intenção deste governo, acho que urge que ele pare e olhe para o país que hoje tem que governar, um país real; este das falências de que se fala hoje e não aquele que o governo imagina que existe ao fazer as folhas de excel. Olhar e ver atentamente a realidade que existe fora do eixo Lisboa S. Bento/Lisboa Belém, seria um primeiro passo positivo no repensar de estratégias para atingir as metas que se propõe, pois o que está e como está não pode continuar.

16/03/11

Veja as Diferenças

Entre esta descrição do Portugal real de hoje (fora os problemas sociais), em que se realça as poucas perspectivas de um sustentado crescimento económico:





E a conversa mole e vitimizadora de José Sócrates na entrevista de ontem na SIC, em que os culpados são sempre a crise externa e a oposição. Ele também jurava a pés juntos conhecer o país real.

Esta diferença de abordagem é o espelho do surrealismo em que vivemos. O PSD faz bem em tentar pôr cobro a esta farsa, mas convém nunca subestimar a capacidade de sobrevivência e a ambição políticas de José Sócrates. Pensar e negociar (entre PS, PSD e CDS) de forma séria e exequível um futuro para o país, deveria obrigatoriamente arredar José Sócrates desse cenário. Ele sabe isso e tem-nos a todos reféns. Ignorar estes factos é acreditar em contos de fadas, ou querer meramente brincar às eleições e aos governos. Não basta dizer “Já Basta”.

Adenda:


Ler na íntegra este post de rui a. no Blasfémias.

Também convém não esquecer nunca o tipo de slogans que lemos e ouvimos no sábado último na manifestação da "Geração à Rasca", que encheu as ruas das principais cidades do país e juntou gerações (assim disseram) de gente insatisfeita, que exigia mais e pedia mais do Estado, não lembro de ver slogans a pedir e exigir menos do Estado, a não ser os habituais lugares comuns populistas contra os "ricos" e os políticos. É este o eleitorado que temos.


11/03/11

Cara ou Coroa

Já vimos no PEC IV anunciado hoje (e ao que parece sem prévio conhecimento do PR) os resultados práticos da ida de José Sócrates a Berlim, chamado por Angela Merkel, claro, que entretanto vai avisando: “cada país é responsável pelas suas dívidas”. Por cá, os nossos governantes atordoados com os crescentes problemas financeiros comprometem, com medidas desesperadas e cortando a direito (perdoe-se o plebeísmo), cada dia um pouco mais, o crescimento da economia, a importância da política, a estabilidade social. Os mercados vêem um PEC atrás do outro e não se deixam impressionar com mais aumentos de receitas à custa da economia. O retrato, cruel segundo disseram os socialistas, que Cavaco Silva fez do país no seu discurso na tomada de posse, só pecou por ter sido brando. José Sócrates continua obstinado a não querer ver o país que tem para governar, e a não querer ver nem perceber. Foge para a frente utilizando sempre os meios mais fáceis. No entanto não descura nunca a propaganda: enche a agenda de inaugurações e anúncios para uma entidade abstracta que ele crê ser o nosso país, algo que só existe na sua cabeça. E nós vemos que quem o rodeia se presta a esse jogo da cegueira selectiva.

Mas parece, segundo o que lemos por aí, que esta semana a alternativa se chama“geração à rasca”. Deus nos livre! Esta expressão é, só por si, motivo de rejeição de tal "conceito" da minha parte. Mas há mais: nutro cada vez menos simpatia, e tenho cada vez menos paciência por todos aqueles que passados os vinte e poucos anos continuam a achar-se e a chamar-se “jovens” (os que convocam a manifestação dizem-se jovens). É tempo de crescerem, serem adultos, eu sei que o marketing moderno não ajuda, mas há compensações, prometo. Percebam que na vossa idade continuarem a culpar a gerações anteriores dos vossos insucessos fica mal e é claro sinal de imaturidade. Lamentavelmente já não se estranha quase nada num país torpe que se deixa enlear no primeiro entusiasmo demagógico que ouve/vê no facebook - assim como está na moda, (Egipto, e tal), um país que adere a slogans fáceis contra a classe política que querem deitar abaixo (e fica quem?), um país em que a comunicação social se deslumbra com tanta manifestação popular, mas um país onde todos (PM incluído) e cada um, recusam ser responsabilizados. Temos todos (“deolindos” incluídos, ou especialmente incluídos que as abstenções muito se devem a eles) os políticos que elegemos, e em última análise, que merecemos. Resta-me a mim o desabafo (já nem consolo é) "nunca votei neles".

23/12/10

O país tem um sapatinho na chaminé há já algum tempo. Todos os dias espreita na esperança de ver que o Pai Natal não se esqueceu dele e que lhe trás um prensente que o console, alegre e confirme optimismos. Atordoado dessa esperança natalícia cuja vibração se sente nos supermercados e centros comerciais o país não gosta do que acaba por ver no dito sapatinho: mais um corte no rating de Portugal, novo aumento do crédito malparado, a confirmação da suspeita já instalada de que uma grande maioria da ajuda anti-crise foi parar ao sector bancário. E enquanto espreita e não espreita a gestão das excepções continua. Cada dia há a notícia de uma nova. Para mal dos optimistas, temo que o Pai Natal não traga até ao dia 25 grande consolo. Nem depois.

08/12/10

Das Agendas

Tudo o que, ao longo destes anos tem saído da boca do Primeiro-ministro tem-se revelado ser lixo. Pode vir embrulhado da forma mais sofisticada, subtil ou requintada, que isso pouca importância tem: a verdade vem sempre ao de cima e depressa percebemos que o que ele diz vale zero, não é nada, apodrece depressa e graças a Deus recicla-se mal, embora ele não desista, para enganar aqueles que gostam de ser enganados. O seu último lixo retórico é o slogan/palavra de ordem que uns habilidosos a quem todos nós pagamos inventaram: “Agenda para o Crescimento” dito (ouvi eu ontem na televisão) com aquele seu ar teimosamente determinado de quem vê que ele está bem e o mundo mal. Sempre negando evidências, e sempre centrado no seu umbigo, Sócrates acha que agendar a sua acção e a do seu comatoso governo, através de meia dúzia de medidas impostas e forçadas pela UE e pelo exterior (e por isso contra a sua vontade e contrariando o seu discurso habitual, mas que importa isso, não é?), e meia dúzia de anúncios (aquilo que ele é bom a fazer) que atirem um pouco de poeira para os olhos dos eleitores frustrados, desencantados e revoltados, pode começar a “inverter” o ciclo económico do país, e também acha provavelmente que o anúncio dessa Agenda com nome Crescimento pode “acalmar” os selváticos especuladores dos mercados financeiros, locais insalubres cheios de gente malvada e desinformada, que não gosta dele.

José Sócrates já está em ciclo pré-eleitoral: esta retórica plástica e que nada quer dizer até parece pensamento político meditado, propositado, com objectivo, com acção positiva e optimista que contrariará o que nos aguarda em 2011, mas de facto apenas camufla as mexidas na Leis Laborais que vai ser obrigado a fazer (e que já há muito que deveria ter sido objecto de revisão). É só para o que serve. Ficará em breve o vazio, ou não fosse a expressão o contra-senso que é, e o nenhum efeito que terá. Não nos livramos da crise económica tão cedo por muitas "Agendas" que Sócrates invente e por muito que pronuncie a palavra "Crescimento"; mas afinal, quando é que nos livramos de José Sócrates?

29/09/10

No dia em que medidas duríssimas são anunciadas, a visão de José Sócrates sobre o nosso país e sobretudo sobre a sua governação e as suas opções políticas continua a mesma. Exemplos: “Somos um país muito afectado pela pressão dos mercados financeiros”. “A economia em Maio estava (e ainda está) em recuperação”. “Medidas para evitar mais ataques especulativos”. “Um dos países que mais pressão sofre dos mercados”. O problema está sempre no exterior, nunca cá dentro. Aumentam-se os impostos, cortam-se alguns custos, sobre reformas já ninguém fala: no fundo nada realmente muda, se não pensarmos só no amanhã. Continuamos todos a estar cada dia um pouco mais pobres.

22/09/10

Notícias do Vazio

No “Dia Europeu sem Carros”, José Sócrates vai de metro à Feira da Tecnologia e Inovação na FIL. Determinado, sabia o preço do bilhete respondendo prontamente aos jornalistas sobre essa questão. Já outras questões não quis comentar nem responder. Com o seu ar alheado (tanto alheamento, e recusa do real, não poderá começar a ser patológico?) e com o usual optimismo que veste todos os dias para “puxar sozinho pelas energias do país” (cito de cor a sua já célebre expressão), ligou a cassete naquela parte da tecnologia e energia, um “sector optimista”, como o ouvi dizer na televisão, e fundamental para a recuperação económica do país. Num dia como o de hoje ( e como se não tivéssemos dado mais um passo a caminho da bancarrota) passou lá a manhã. Nada mais importante do que saber se os meninos têm o Magalhães ou experimentar novos gadgets do “Portugal Tecnológico”.

Cada dia se torna mais evidente o vazio do governo, o vazio da política nacional, o vazio e a farsa que é a esperança que nos impingem à força: com discursos repetidos (quais lavagens ao cérebro), retórica indignada, vitimização, propaganda e constante campanha eleitoral como se amanhã tivéssemos eleições. E cada dia que passa o rei vai um pouco mais nu, ainda. Será que os livros que José Sócrates lê nas férias (de acordo com as fotografias publicadas) não servem para nada?

18/05/10

Um Governo Que Não Governa

Em tempos difíceis como os que atravessamos, esperava-se alguma “gravitas” por parte de quem nos governa, juntamente com algum sentido de estado. Esperava-se que o peso da responsabilidade pela incapacidade de ter políticas que impedissem o pais de chegar ao estado de pré-abismo que chegou tocasse de uma forma ou de outra o Primeiro-ministro e ele sentisse a urgência de repensar o país. Esperava-se que, juntamente com o seu governo, fizessem alguma política, estudassem e propusessem reformas estruturais que a médio e longo prazo permitissem ao país sentir uma diminuição real do peso financeiro do estado e sentir redobrada eficiência dos serviços públicos. Esperava-se que pensassem para além do imediato “como sair deste sufoco já”, (UE/Alemanha exige) e que resolvem com a medida mais fácil que é o aumento de todos os impostos e criação de novos. Esperava-se que percebessem o que se está a passar com a crescente perda de independência e poder de decisão dos governos nacionais para a UE/Alemanha. Esperava-se que o governo percebesse que com estas medidas fáceis de aumento de carga fiscal é cada vez menos atraente ser empreendedor e criar riqueza, e que a classe média está a ficar cada vez mais pobre. Esperava-se que o corte de custos do Estado não fosse inteiramente suportado pelos contribuintes. O país espera e precisa de soluções que o permitam ser económica e financeiramente viável.

Para isso o governo na pessoa do Primeiro-ministro tem que governar, coisa que não faz há mais de um ano quando o país político entrou em época eleitoral. A irresponsabilidade, leveza e vazio que o caracterizam continuam, e ao contrário de governar, o Primeiro-ministro mantém a sua agenda de habituais sessões de propaganda, cada vez mais patéticas e falsas (esta última em “espanhol técnico” para nossa vergonha). Continua o seu discurso sobre energias alternativas, novas tecnologias, tecnologias de informação, numa infantilização do seu cargo que cada vez mais custa ver. Sobretudo porque pouco sobrou das tantas “medidas” reformistas (como ela lhes chamava) do seu primeiro mandato. A sua credibilidade está ferida, como pessoa e como Primeiro-ministro. Os acumular de casos passados, os seus amigos, a sua família e os cada vez mais numerosos casos políticos de “inverdades”, manipulação de informação (este é o mais recente) contradições, avanços e recuos, e desmentidos (um exemplo recente aqui) tornam difícil a tarefa de disfarçar a sua fragilidade, e o custo de o manter como Primeiro-minitro é cada vez mais evidente. Portugal precisa de quem o governe e não apenas de quem reaja, e mal.


12/05/10

Porque é que José Sócrates não segue, por uma vez, aquele líder europeu que tanto o inspira? Zapatero já anunciou de forma clara as suas medidas de corte da despesa pública. Mas, com a suave conivência de um PSD que se revela no seu oco esplendor político, o caminho mais fácil será o trilhado: a subida dos impostos e uma dose de optimismo. Perante números satisfatórios referentes ao crescimento económico do primeiro trimestre, a proclama-se Portugal como campeão do crescimento.

19/04/10

O Caos 3

Fotografia daqui

Um outro dia de críticas. Na Grã-Bretanha repete-se Dunquerque. E, de repente percebemos uma outra face da globalização. As rosas não saem do Quénia, as flores não chegam aos EUA, e em plena época de casamentos também não há diamantes para anéis de noivado. A fruta tropical e o mozzarella também ficam em terra. Apesar das ostras que deveriam vir da Islândia (que agora só produz e exporta com sucesso cinzas vulcânicas) sobra tempo para ler e passear no parque àqueles que foram ali, a correr, a uma reunião ou conferência e se viram obrigados a ficar por lá e, mais importante, a serem, por uma vez, viajantes. Como diz o popular Alain de Botton:



18/04/10

O Caos 2

As empresas, as organizações, os países não são amigas do caos. Já se perdeu demasiado dinheiro e não se sabe quando se parará de perder. As pressões dos governos e das companhias aéreas são muitas para acabar com as restrições de voo no espaço aéreo europeu. Os sinais de descontentamento começam e não vão ficar por aqui.


13/04/10

Por um lado a UE duvida que as medidas do PEC sejam suficientes para a desejada (e acordada) redução do défice; por outro lado Portugal vai participar no “esforço” da zona Euro na ajuda à Grécia. Já que decidem tanto por nós, digam também, por favor, o que devemos pensar, porque assim sem ajuda (do Estado, claro), fica um pouco complicado.

24/03/10

Para além da falta de vergonha que parece ter contagiado todos os membros deste executivo, estas frases

que se atiram ao ar (como o barro que se atira à parede a ver se cola) têm sempre um ar comicieiro e são a face desse optimismo ficcional que nos tentam vender há década e meia. Esta gente não é séria e querem que acreditemos que ao fim deste tempo todo ainda não perceberam o que se passa.


05/02/10

Espírito Animalesco

Ele chamou-lhe, num dos momentos de insanidade que pontuaram o dia de ontem e que terminou com a sua absurda declaração imbuída da mais pura chantagem política e de má-fé, “Espírito Animalesco”. Nós não somos parvos. O mundo não é parvo. Os mercados não são parvos. Aliás, tal como o algodão, os mercados não enganam, nunca, e Portugal está no olho do furacão. Os mercados hoje abriram em baixa, até na Ásia. Dúvidas? É só ler as notícias.

Esta, por exemplo, da sóbria BBC: tudo preto no branco tal como “lá fora” nos vêem: Debt concerns in Europe were sparked by a lack of demand for government bonds in Portugal.


03/02/10

Discursos e Linguagens

O governo, naquele seu ímpeto de ir encontrando sucessivos bodes expiatórios para justificarem os seus fracassos, enganos e mentiras, tem andado entretido, e perdendo tempo e energia, a criticar as agências de rating, que não percebem nada, que são facciosas. O Ministro das Finanças até se irritou com elas e repreendeu-as pelo que considerou serem as suas estratégias comerciais, num acesso de algum patético provincianismo. Como se calcula, as agências de rating comovem-se pouco com discursos, se é que os ouvem: discursos não são o seu forte. A sua linguagem é outra e é a que sempre foi, por muitos discursos que se façam sobre seja o que for, nomeadamente o tão “politicamente correcto” discurso sobre o que o mundo financeiro “aprendeu”, ou “deveria aprender” com esta crise. É uma linguagem clara e simples: a procura do maior lucro possível com o mínimo risco possível. As agências de rating que são feitas para analisar, gerir e fornecer este tipo de informação aos mercados. As bolsas percebem e reagem. Teixeira dos Santos ou José Sócrates, por muito que esbracejem ou por muitos discursos que façam, contam pouco.

07/01/10


José Sócrates disse hoje que coube ao Estado resolver a crise desencadeada pelo sector financeiro que critica o peso do estado. Falou como se a crise fosse algo do passado eficientemente resolvida e despachada pelas boas medidas do seu governo (o dito estado). Por mais voltas e reviravoltas que o Primeiro-ministro e o seu governo dêem a crise não acaba com anúncios do seu fim, nem de luzes ao fundo do túnel que alguns vêem nem tão pouco com as medidas que ele anunciou com uma cadência atordoante no ano que passou e em vésperas de eleições. Notícias diárias como esta confirmam-no e são a face da crise a atingir os portugueses da pior maneira e que o Estado não resolveu, nem tem que resolver – tem somente que desviar recursos para quem mais sofre e para estimular a produtividade. Por outro lado, números como este do endividamento externo mostram também que o “bom velho Estado” poderá ser velho, mas talvez não seja assim tão bom.

06/11/09

Mais Abaixo

De cada vez que se publica (divulga) um estudo internacional, Portugal está cada vez “mais abaixo”. Hoje está mais abaixo na taxa de investimento estrangeiro. Há semanas anunciou-se estar 14 lugares “mais abaixo” no índice de liberdade de imprensa, posteriormente também ficou “mais abaixo” no índice que mede as disparidades entre os sexos. Prevê-se que fique também “mais abaixo” na taxa de crescimento económico cuja média europeia para 2010 será de 0,7%. Só com a previsão do deficit a crescer podendo atingir os 8% em 2010, se contraria, como se isso fosse consolo pois é da pior maneira possível, a tendência “mais abaixo”. José Sócrates continua a bater no pessimismo e no bota-abaixismo, mas parece que ele é o grande responsável por estes números cada vez “mais abaixo” que afundam inexoravelmente o país em áreas tão diversas e díspares. É uma realidade “bota-abaixista” do país, aquela que José Sócrates construiu, se recusa a ver e quer continuar a construir. Os portugueses continuaram a votar nele, o suficiente para fazer um governo, por isso não se podem queixar.

Perante esta fatalidade nacional fala-se de casamento entre pessoas do mesmo sexo, de avaliação de professores, de TGV, em suma: o que o país merece.

13/10/09


Estes timings são imensamente suspeitos. Como é que só se sabe isto depois das eleições legislativas e autárquicas se durante a época pré-eleitoral ouvi algumas vezes falar em possíveis soluções para a Quimonda? O desplante não tem limites e a central de comunicações mantém-se activa. Nada mudará neste domínio.
.

01/07/09

Rasgar e Romper

Manuel Pinho com seu coreografado gesto na entrevista na SICN e mostrado no Jornal da Noite, de, levando à letra as palavras de Manuela Ferreira Leite, rasgar a folha de papel com uma grelha onde a amarelo estavam amplamente destacadas as medidas de combate à crise do seu governo, não fez mais do que reforçar a nossa vontade de ver isso mesmo: um enorme rasgão a essas medidas pensadas em cima do joelho e sem nexo nem coerência que foram sobretudo feitas com intuitos eleitoralistas. Anunciadas a um ritmo constante e perseverante, até hoje muitas delas não foram sequer implementadas (provavelmente será caso para dizer “ainda bem”) outras mereciam alguma análise que verificasse o seu real âmbito de influência e a sua eficácia no tão desejado combate à crise.

Creio que Manuel Pinho queria com esse seu gesto dramatizar a intenção de MFL e encher-nos de temor perante a desgraça que pode acontecer ao país se o PSD ganhar eleições. Essa táctica foi amplamente usada pelo PS (nomeadamente por Santos Silva) no período eleitoral que antecedeu a eleição presidencial, não foi uma estratégia ganhadora! Na minha opinião MP conseguiu o contrário: a visualização da volatilização desses “medidas”, “linhas de crédito” e “incentivos” vários e dispersos só aguça o apetite quer dos descontentes do PS quer de quem votará no PSD para que se acabe com tudo rasgando e rompendo e se recomece de novo. Nomeadamente na Educação.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

temposevontades(at)gmail.com