17/06/08


Ao passar pelo centro da cidade de Lisboa ao fim da tarde ouvi buzinas de vários carros daqui e dali e vi meia dúzia de - noutros tempos chamar-se-iam gatos pingados – cidadãos com ar de quem não sabia muito bem o que fazia nem o que fazer, com cartazes de protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis. O buzinão apesar de barulhento e irritante, pareceu-me pouco convicto. Mas a minha perplexidade reside no facto de não perceber bem o que pretendem os buzinadores barulhentos mas pouco convictos. Como é que eles pensam que se pode baixar o preço dos combustíveis? Que é que eles propõem? Talvez a sua presença numa futura reunião da OPEP para serem ouvidos quanto aos níveis de produção e preços, ou uma intervenção de fundo junto das sociedades chinesas e/ou indianas (por exemplo) persuadindo os cidadãos contentes por estarem mais ricos a continuar a viver frugalmente e a não quererem ter acesso fácil ao consumo. Talvez queiram cotizar-se para fazer prospecção de petróleo ao largo da Figueira da Foz, ou de Vila Moura, ou mesmo considerar a compra dos poços do Iraque, por exemplo, aproveitando a oportunidade para de uma vez resolverem também os problemas políticos da área. Chavez, na Venesuela também poderia ser um bom padrinho das causas nobres e justas dos cidadãos contra o preço do petróleo. Seja o que for, deveriam sempre dizer o que propõem para resolver o problema da carestia dos combustíveis. Nós não ficaríamos tão perplexos.

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