08/01/08

Grau Zero 2

O grau zero de referências a, e de sinais religiosos cria um vazio na sociedade em que ele nasce. Os vazios têm os seus perigos, por muito modernos, brilhantes e zen que sejam, nomeadamente o de o serem por pouco tempo, porque algo irá ocupar esse “espaço” de nada: outra simbologia, outros sinais, outras referências, e outros valores. Não sei se a sociedade fica a ganhar se paulatina mas inexoravelmente for substituindo os símbolos e valores de um cristianismo liberal, que é o que se vive na maioria das sociedades europeias, por outros símbolos e valores de cariz laico, por esemplo ligados ao republicanismo e que serviram de suporte ideológico à Revolução Francesa (também eles uma evolução “laica” de valores cristãos) ou, outro exemplo, ligados a aspectos mais materiais, consumistas e de “progresso económico”. Também não sei se a sociedade fica a ganhar se forem outros os símbolos e valores que a pouco e pouco e se forem nela entranhando, nomeadamente se forem ligados ao Islamismo, uma religião expansionista e agressiva que preza pouco a laicidade e a separação entre Estado e Religião. Muitos países Europeus estão a confrontar-se com sérios problemas de valores com as suas comunidades muçulmanas.

Eu creio que no aqui e agora, e prevenindo o que poderá ser um mau futuro, as investidas dos que se reclamam herdeiros de valores republicanos e laicos, e viram o seu combate em direcção à igreja Católica, poderiam tomar também outros rumos. Vou deixar aqui um pequeno inventário de questões, apesar de ainda pouco visíveis em Portugal e de dimensão inferior à de uma parte relevante dos países europeus, que directa ou indirectamente estão ligadas à religião. São práticas que poderiam e mereceriam ser monitorizadas e objecto de análise pois muitas delas são contrárias aos princípios de igualdade de oportunidade, de dignidade e respeito pela individualidade e integridade física, moral e financeira dos indivíduos, e são claríssimas violações da lei.

  • Cumprimento de escolaridade obrigatória por parte de todas as crianças e jovens nomeadamente do sexo feminino.
  • Liberdade de escolha, nomeadamente sobre o seu próprio casamento, se, quando e com quem, ou sobre a religião que se quer professar.
  • Cumprimento da Lei no que diz respeito aos direitos patrimoniais da mulher.
  • A excisão feminina é uma prática a que Portugal não é alheio. Esta é uma questão que merece um combate sem tréguas e uma tolerância zero.

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