11/04/07

Diplomas, Certidões e outros papeis

Depois de ter lido esta nota aqui no Lendo/Vendo de ontem dia 10 e este artigo aqui parece-me difícil que o Primeiro-ministro logo à noite, após a entrevista na RTP, consiga sair completamente inocente deste caso da “licenciatura”. Estarei a fazer futurologia, mas não é fácil acreditar que no meio desta trapalhada geral que envolve o próprio, o seu gabinete, a Universidade Independente, e até membros do seu governo, José Sócrates o homem teimoso, controlador e que decide, tenha sido sempre e sucessivamente objecto de manipulação. A verdade é que eu sinto que o Primeiro-ministro mentiu, ou deixou que mentissem por ele (não será o mesmo?) e mentiu desnecessariamente. Mentiu por vaidade, por provincianismo, não sei nem sei se será importante saber. Sei no entanto que a sua credibilidade estará comprometida, a sua autoridade afectada e os seus propósitos de moralização (aos quais já me tenho referidos) que soarão ainda mais a falso e a vazio, felizmente, perderão qualquer legitimidade. Com que autoridade o ouviremos falar, e querer agir contra, funcionários públicos que prestem falsas declarações, por exemplo com baixas médicas. Como falará ele sobre os cidadãos que mentem ao Estado (a todos os outros cidadãos) nas suas declarações ao fisco? Veremos depois da entrevista de hoje o que poderá sobrar de credibilidade e de autoridade a José Sócrates.

No meio desta trapalhada de não haver diplomas, certidões, papeis, provas, eu pergunto o que me teria sucedido a mim se, em complemento do meu curriculum vitae, eu não anexasse cópias dos diplomas ou certidões de cada vez que me era solicitado? Apresentei muitas vezes provas da minha formação académica, nunca me senti diminuída por isso (era suposto sentir-me?) e sempre pensei que isso era prática corrente. Para ser deputado pelos vistos não é!

Não quero deter-me nas questões de fundo sobre a academia e a política, ou sobre a qualidade do ensino e da administração das universidades privadas, mas há uma questão de fundo que gostaria de salientar. Costumo chamar-lhe “ter vergonha na cara”. Este caso parece um caso típico de falta de vergonha. Desde o primeiro momento em que se deixa instalar a dúvida, depois se deixa correr a mentira, (já nem falo em que deliberadamente se mente) até aos telefonemas aos meios de comunicação social e acabando no silêncio “a ver se isto passa” há neste caso muita falta de vergonha. Tão simples quanto isso.

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