25/09/07

Inglês Técnico

O título é pouco original, mas tem-se revelado útil.

Também eu fiquei um pouco envergonhada com a declaração de Sócrates à imprensa após o seu encontro com Bush. Vi o vídeo no youtube, li a transcrição no site da Casa Branca. Não tanto pela gaffe de trocar East por West, mas por todo um conjunto de factores que tornaram o momento penoso para nós portugueses. O breve discurso tem uma construção e uma sintaxe própria de um aluno português do secundário que traduz à letra um texto previamente pensado em Português, o que torna o resultado final um híbrido pouco natural pouco fluído e em última análise pouco “inglês”. O texto não tem a desenvoltura de quem conhece, fala e lê inglês regularmente e com à vontade. Eu creio, e aqui estou em perfeita sintonia com José Sócrates, que um bom conhecimento da língua inglesa é um passaporte para o mundo globalizado em que vivemos, mas ele não tem esse conhecimento, e esse conhecimento não se ganha colando um vocabulário aprendido à pressa, umas frases idiomáticas e umas regras gramaticais com cuspo. É pena que não o tenha, mas não é uma tragédia. Pode sempre ter lições como tantos colegas primeiros-ministros franceses, espanhóis e outros o fizeram sem se envergonharem por isso. Pode também assumir de uma vez a sua falta de competência na língua inglesa, sem que daí venha mal ao mundo. O que custa mesmo é vê-lo, no seu tom pomposo e afectado, falar um Inglês realmente macarrónico, com sotaque duvidoso, dando um erro atrás do outro com ar de quem sabe e domina o que faz. Ontem, no seu discurso da ONU que ia escrito, apesar de os erros e gaffes não terem existido, o tom e espírito mantiveram-se intactos.

Mário Soares a falar Francês, não dava menos erros, até talvez desse mais, mas a atitude, a desenvoltura e a cultura eram outras, e isso fazia toda a diferença. José Sócrates está a anos luz de Mário Soares.

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