18/02/13

Não Sabe do Que Fala

Tenho tido azar nestes últimos dias. De cada vez que leio as notícias ou ligo a televisão, deparo-me invariavelmente com Miguel Relvas em discurso, em declaração, em directo, em todo o lado, e a falar de tudo e sobre tudo. Ele, lembremo-nos, é aquele que já não deveria ser. Mas é. É um verdadeiro sempre-em-pé que espera e acredita vencer-nos pelo cansaço, restabelecendo a sua credibilidade pela insistência e pela persistência. Alguns no seu caso, optam pelo silêncio, por um período de ‘nojo’, mas ele não: continuar como se nada fosse tem sido o seu lema. Talvez um dia consiga, já tenho visto coisas bem mais estranhas, pois memória é curta e tanta água correrá debaixo da ponte que muitos, talvez, esquecerão. Não será no entanto agora; os tempos estão difíceis, os cintos bem apertados, e as pessoas menos dispostas a olhar para o lado e menos inclinadas ao perdão dos dislates dos políticos, especialmente daqueles que nos governam. E é isso que Miguel Relvas faz: 

No dia em que se confirma a célebre ‘espiral recessiva’, (anunciada quer pelos Velhos do Restelo quer pelos ‘profetas apocalípticos’ que olham com desconfiança para as políticas governamentais) e em que se divulga o número do desemprego, Miguel Relvas diz que ‘os objectivos que foram definidos pelo Governo para 2012, no que se refere ao défice, no que se refere à execução orçamental foram alcançados‘, que ‘o país atravessou já a fase mais difícil’, e que ‘começamos a ter resultados’. Resta saber de que país fala e o que são os resultados, para além do célebre ‘regresso aos mercados’. 

Dias depois apresenta o programa Impulso Jovem, pretexto para dizer uma série de banalidades – infelizmente, e desde Sócrates, apresentar programas é cada vez mais sinónimo de ‘dizer banalidades’ e passar umas frases para os meios de comunicação. Diz, provavelmente para nos comover, que o desemprego jovem lhe tira o sono (o que tirará o sono dos outros ministros? será que muda conforme as pastas de que são responsáveis?), insiste em devaneios de felicidade bucólica (influência dos clássicos lidos na juventude certamente) através de anunciadas ajudas do estado ao regresso (regresso? mas alguma vez lá estiveram?) dos jovens à agricultura. 

Ministro Miguel Relvas, o senhor pode insistir, falar, discursar quanto e quando quiser: eu continuarei a acreditar que, sobretudo para bem do governo, mas também para seu e nosso bem, o senhor já há muito que deveria estar fora dele. O problema é que o governo é demasiado parecido consigo... não sabe do que fala e não conhece o país.

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