11/12/06

Qual é o Deus do Mediterrâneo 2

Dizia Salman Rushdie que hoje se volta a falar com naturalidade de religião no nosso mundo ocidental. Ele, que viveu plenamente os anos 60, sempre percebeu que durante muito tempo havia algum constrangimento em trazer a religião para o centro da conversa e do debate, quer em círculos informais quer de forma mais formal e mesmo na comunicação social. Ora, é sempre uma mais valia poder debater livremente qualquer tema, muito especialmente a religião, uma vez que a ânsia do divino parece estar inscrita na condição humana - e símbolo dessa inquietude é o facto de os deuses terem (e serem) inventados pelos homens. Um dos problemas que hoje se coloca é o facto de não se poder dizer livremente em todos os cantos do mundo que os deuses, deus, foi inventado pelo homem. Este aspecto da liberdade de expressão da dúvida ou da descrença estabelece mais uma vez diferenças entre a costa norte e a costa sul do mediterrâneo (anteriormente já foquei a diferença existente entre a relação homem/Deus em ambas as costas mediterrânicas)

A liberdade individual também foi objecto de breve comentário pois é vista e vivida de forma diferente em ambas as costas mediterrânicas. Na costa norte as escolhas individuais são privilegiadas mesmo em detrimento ou contra o interesse da comunidade enquanto que na costa sul as opções e escolhas individuais nunca são privilegiadas se são contra o melhor interesse da comunidade. Em termos gerais estou de acordo com esta asserção que é mais válida para o mundo da academia ou da discussão intelectual do que da vivência de um quotidiano demasiado, para minha sensibilidade, regulado, explícita ou implicitamente, mas isso é uma outra questão e sobretudo não se pode comparar com a vivência do mesmo quotidiano na costa sul do mediterrâneo, onde o islamismo regula ao pormenor a totalidade da vida, todos os aspectos de um quotidiano: lavar, comer, procriar, dinheiro, rezar...

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