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07/05/19

Ópera e Bicos de Pato

Gravo muitas vezes concertos e óperas do canal Mezzo que depois, a meu tempo, vou vendo. Recentemente vi uma gravação de há meses da ópera Evgene Onegin de Tchaikovsky, baseada na obra homónima de Pushkin. Ao contrário do que se passa com algumas óperas de Verdi em que as histórias são complexas e o enredo se enreda e desenreda, esta é o contrário, é simples, mas nem por isso deixa de ter momentos de grande tensão psicológica e dramática. O herói, Onegin, é frio, frívolo e cheio de ‘ennuit’, a heroína, Tatiana é jovem, romântica e ingénua. Como é óbvio, os cantores de ópera são verdadeiros actores vestindo a pele e encarnando as suas personagens e através da voz, expressões, gestos, postura transmitem toda a emoção e intensidade que é pedida pelo compositor e que o espectador espera. Assim, fica um sabor a pouco quando não experimentamos as emoções prometidas pela peça. Foi o caso desta versão (já vi de que gostei mais) que me pareceu superficial e fria (até pelos cenários e produção), mas foram sobretudo os protagonistas que me desapontaram. 

Não sei o suficiente de canto lírico e ópera para fazer uma crítica, mas fica a impressão que que os protagonistas me causaram. Ele, hirto, formal e frio (até para interpretar uma personagem fria), ela era feia a cantar – os primeiros planos que as filmagens nos dão são responsáveis por tanto impressionismo – pois tinha uma forma estranha de mexer a boca e projectar os lábios e, de perfil, tinha uma boca de pato. Mas não ficou por aí a estranheza pois enquanto cantava – nomeadamente naqueles momentos de maior intensidade dramática - percebi que a sua testa não fazia nenhum tipo de ruga ou vinco, mas ondulava como se tivesse sido enchida com um líquido gelatinoso. As rugas de expressão não existiam, existiam sim, uns volumes estranhos dados pelas ditas ondas. 

Boca de pato, ondas na testa numa cantora que estava longe de ser ‘velha’ (na ópera é comum mulheres de 50 anos interpretarem jovens ingénuas de 16 ou 17, como sabemos) e que tinha uma figura jovem, e que, aparentemente, não teria necessidade de recorrer a certas intervenções estéticas na cara. Tento sempre perceber o que motiva uma mulher ou homem a voluntariamente desfigurarem-se. Vejo apresentadoras na televisão portuguesa com alterações substanciais nos traços do rosto, testas lisas que parecem ter sido engomadas, maçãs do rosto demasiado cheias, lisas e luminosas, lábios exageradamente volumosos (apesar do volume ser variável, aumentando e diminuindo, de acordo com as intervenções feitas), por vezes até com um lado da boca com mobilidade visivelmente reduzida. As expressões da cara são muito alteradas, e facilmente se percebe que o tipo de intervenções feitas. Tantas vezes as bocas são, de perfil, verdadeiros bicos de pato e a dicção é notoriamente alterada. 

A passagem do tempo, ou dizendo-o de uma forma menos poética, o envelhecimento pode não ser fácil, mas é inexorável desde o momento do nascimento. Por muito botox que se ponha na testa, a pele envelhece, as rugas estão lá, as pessoas envelhecem. Por muitos enchimentos que se ponham nas maçãs do rosto ou nos lábios, a cara modifica-se com a idade, e as marcas da passagem do tempo estão lá, por trás dos enchimentos. Custa-me ver essas caras que voluntariamente se desfiguram, mas o que me custa mesmo é perceber que nada disso surpreende, que já é norma, até diria mais, que já se espera e se aceita tranquilamente que as pessoas (mulheres) passem por esses processos de modificação da fisionomia do rosto, na vã luta contra o tempo. A sabedoria, que supostamente vem com a idade, está agora substituída por uma equipa de técnicos e técnicas dermatológicas

19/06/12

Parole, Parole, Parole... 2

Impossível resistir a este pequeno tesouro europeu:

Parole, parole, parole, parole, soltanto parole, parole tra noi.
(Aqui)
(o melhor vem no fim. A paciência será recompensada)

18/04/12

Acreditar

Ela diz:
'Cause there's a side to you that I never knew, never knew
Depois diz:
All the things you'd say they were never true, never true
E diz ainda:
And the games you play you would always win, always win
Mas quando finalmente diz:
Eu acredito.

31/01/12

Do Pingo Doce ao Príncipe Igor

Uma das pragas dos tempos que correm é ouvir logo de manhã, mal se liga o carro, o anúncio do Pingo Doce. Deve ser o jingle mais horroroso que conheço (se houve/há pior dou graças por não me lembrar), mas acredito que seja um sucesso do ponto de vista publicitário, pois é fácil de decorar e não sai da cabeça facilmente. Um dos meus piores pesadelos é entrar num Pingo Doce e ouvir a música, não só pelo sistema de som mas também pela boca das criancinhas, normalmente meninas espertinhas e vivaças, que passeando ao lado dos progenitores entre corredores de bolachas ou de limpa-vidros, nos presenteiam com orgulhosas interpretações do “Pingo Doce, venha cá!”, olhando para as mães/pais ansiosas pelo esperado sinal de aprovação, (e não é que o recebem? havia de ser comigo...). Ao fim de dez minutos - é-me impossível estar lá muito mais tempo - saio a precisar com urgência de um antídoto. Isto é, ouvir uma música que conheça, que fique facilmente no ouvido e de que eu goste, de modo a desalojar do meu cérebro já ferido o “Pingo Doce, venha cá!” Garanto que não é tarefa fácil. 

Como tenho bom ouvido, os sons teimam em se fazer presentes, e preciso de substituto. Há uns dias, nesse exercício de substituição que já vem quase automaticamente, qual mecanismo de defesa, dei comigo no fim de semana passado a trautear as partes fáceis e que toda a gente conhece, claro, das Polovtsian Dances de Alexandre Borodin, 2º acto da ópera “Príncipe Igor". Para meu contentamento no Domingo ao espreitar o canal Mezzo para ver o que dava, vi que dali a momentos, e entre duas peças maiores, as iriam transmitir dançadas pelo Kremlin Ballet. Um regalo. 

Fica aqui o link para uma outra interpretação (mais operática e menos “balética”, se assim se pode dizer), num vídeo de boa qualidade do Kirov Opera and Ballet Theatre, que encontrei no Youtube.

17/12/11

Finalmente em Paz

Li há já alguns anos uma entrevista que Cesária Évora deu a à revista ELLE (edição francesa) em que ela dizia de Portugal e dos portugueses o que Deus não diz do demónio nem do inferno. Fiquei chocada pois em Portugal todos gostavam dela. Essa foi a primeira vez, depois em mais e mais entrevistas a publicações francesas, e não só, pude confirmar de cada vez o mesmo tom de rancor, desprezo e ódio a Portugal. Nunca percebi porque é que ela vinha cá e cantava cá. Nas entrevistas, e intervenções públicas aos meio de comunicação social portuguesas ela era mais comedida nesse rancor, desprezo e ódio e tentava fazê-lo passar por ódio ao país de antes do 25 de Abril. A mim não me enganou. Também nunca percebi porque é que nós fazíamos de conta que não sabíamos o que ela dizia do país, e continuávamos abrir-lhe as e encher as salas de espectáculos. Apesar de lhe reconhecer mérito enquanto cantora nunca mais quis saber de Cesária Évora que julgava ter idade suficiente para saber não nutrir tantos ódios. Para mim ela já morreu há muito. Agora que descanse finalmente em paz.

08/04/11

Afinal

Ao fim de mais de três horas em que o cérebro não pára de me mandar estranhas mensagens em forma de música

You know I know how
, to make em stop and stare as I zone out

sobrepondo-as a qualquer outro tipo de actividade, pergunto-me: afinal o que é que terei andado a fazer ontem à noite?

22/03/11

And so it is

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
(Damien Rice aqui)

31/12/10

2010 e 2011

O canal Mezzo salva-nos hoje à tarde do excesso de festividades e da indolência de nada querer fazer, cansada de tanta celebração sabe Deus de quê e de excessos de espíritos festivos. Olho desconsolada para um ano que passou e sem entusiasmo para o que há-de vir, e temo que as palavras,

crise internacional, “incompreensão” dos mercados, ataques especulativos, dívida externa, deficit, novas tecnologias, sinais de crescimento, novas tecnologias, FMI, casamento gay, outro candidato de direita, pedofilia, controle do deficit, escutas, Face Oculta, destruição de escutas, justiça, procuradores, magistrados, PEC1, PEC2, Revisão Constitucional, crise do Euro, Alemanha, UE, mundial, Carlos Queirós, Carlos Cruz, Mourinho, mineiros chilenos, wikileaks, google, twitter, facebook, Bento XVI, perseguição ao cristianismo, islamismo, Obama, voos de prisioneiros, terrorismo, fundamentalismo, votar/não votar o orçamento do estado, iPad, Irlanda, Grécia, Espanha, vulcão islandês, aumento do IVA, aumento da carga fiscal, sacrifícios, excepções, Freeport, Sócrates, Ferreira Leite, Cavaco Silva, Passos Coelho, educação, falência, desemprego, banco alimentar, Manuela Moura Guedes, TVI, pressões, calor, enxurradas na Madeira, optimismo de Sócrates, Estado Social, pobreza, cortes salariais, periferia, BPN, BPP, crise, contenção, apertar o cinto,

que fizeram o ano que passou, (enunciadas numa lista desordenada e livre de tudo o que não seja a minha memória e sensibilidade deste momento), sejam na grande maioria as palavras que farão o ano que há-de vir. Parece que nada de novo nos trará 2011.

No entanto aqui fica um voto de Bom Ano de 2011. Vou regressar ao Mezzo e à Gala da Orquestra Filarmónica de Berlin com Gustavo Dudamel e Elina Garanka (Concerto de S. Silvestre em directo).

15/06/09

Hoje Acordei Assim *

Oh the wind whistles down
The cold dark street tonight
And the people they were dancing to the music vibe
And the boys chase the girls with the curls in their hair
While the shy tormented youth sit way over there
And the songs they get louder
Each one better than before

And you're singing the songs
Thinking this is the life
And you wake up in the morning and you're head feels twice the size
Where you gonna go? Where you gonna go?
Where you gonna sleep tonight?

And you're singing the songs
Thinking this is the life
And you wake up in the morning and you're head feels twice the size
Where you gonna go? Where you gonna go?
Where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonight?

So you're heading down the road in your taxi for four
And you're waiting outside Jimmy's front door
But nobody's in and nobody's home 'til four
So you're sitting there with nothing to do
Talking about Robert Riger and his motley crew
And where you're gonna go and where you're gonna sleep tonight

And you're singing the songs
Thinking this is the life
And you wake up in the morning and you're head feels twice the size
Where you gonna go? Where you gonna go?
Where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonight?


Amy MacDonald, This is the Life.
AQUI

(* Com a devida vénia)


23/03/09

Grand Torino 2

(...)
So tenderly
Your story is
Nothing more
Than what you see
Or
What you've done
Or will become
Standing strong
Do you belong
In your skin
Just wondering

Gentle now
A tender breeze
Blows
Whispers through
The Gran Torino
Whistling another
Tired song
Engines humm
And bitter dreams
Grow
A heart locked
In a Gran Torino
It beats
A lonely rhythm
All night long

(Kyle Eastwood, Jamie Cullum, Clint Eastwood)

21/12/08

Oh When the Saints...

Louis Armstrong and Danny Kaye AQUI.
Imperdível
.

19/12/08

Encontros e Desencontros

Aqui há umas semanas fui surpreendida, quando ouvia rádio no carro, pela voz mágica da Simone. Há tanto tempo não a ouvia que até, infelizmente, já nem me lembrava que existia, num daqueles desencontros de que é feita a vida. Reconheci logo a sua voz , mas fiquei espantada por a ouvir num dueto com o Luis Represas, um odiozinho de estimação meu que só tem igual ao que nutro por Mafalda Veiga. Problema meu, eu sei, e sem razão aparente por isso no seu esplendor irracional, mas não consigo ouvir as canções deles, não suporto a voz melodiosamente bonita e correcta, no caso Luis Represas, nem as letras “mundo metafórico dos afectos correctos” à maneira de Mafalda Veiga. Fiquei num impasse radiofónico, entre o mudar de estação ou continuar, entre a vontade e sedução da voz de Simone e a irritação causada por Represas. Simone venceu, e tenho conseguido ouvir o seu dueto “Desencontro” algumas vezes que tem um refrão a duas vozes muito bem conseguido (apesar de Represas ser tão Represas como era esperado que fosse). Este refrão fez-me imediatamente pensar numa outra música de um outro tempo cantada pelos grandes Chico Buarque e Maria Bethânia, “Sinal Fechado”, toda ela cantada num fôlego, intensamente dramática na sua grande simplicidade e realismo. Sempre considerei esta música um daqueles casos raríssimos em que, aparentemente sem se querer e sem se saber como, se constrói uma pequena obra-prima. Voltar a lembrá-la, e perceber que ainda a sabia de cor, foi um dos prazeres que o dueto Simone/Represas me trouxe.

08/12/08

Diamonds and Rust

DIAMONDS AND RUST

Well I'll be damned
Here comes your ghost again
But that's not unusual
It's just that the moon is full
And you happened to call
And here I sit
Hand on the telephone
Hearing a voice I'd known
A couple of light years ago
Heading straight for a fall

As I remember your eyes
Were bluer than robin's eggs
My poetry was lousy you said
Where are you calling from?
A booth in the midwest
Ten years ago
I bought you some cufflinks
You brought me something
We both know what memories can bring

They bring diamonds and rust
Well you burst on the scene
Already a legend
The unwashed phenomenon
The original vagabond
You strayed into my arms
And there you stayed
Temporarily lost at sea
The Madonna was yours for free
Yes the girl on the half-shell
Would keep you unharmed

Now I see you standing
With brown leaves falling around
And snow in your hair
Now you're smiling out the window
Of that crummy hotel
Over Washington Square
Our breath comes out white clouds
Mingles and hangs in the air
Speaking strictly for me

We both could have died then and there
Now you're telling me
You're not nostalgic
Then give me another word for it
You who are so good with words
And at keeping things vague
Because I need some of that vagueness now
It's all come back too clearly
Yes I loved you dearly
And if you're offering me diamonds and rust
I've already paid

Joan Baez (aqui)
.

15/09/08

All That's to Come

...
All that is now
All that is gone
All that's to come
And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.

30/01/08

Brain Damage

The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games and daisy chains and laughs
Got to keep the loonies on the path

The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more

And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forbodings too
Ill see you on the dark side of the moon

The lunatic is in my head
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me till Im sane
You lock the door
And throw away the key
Theres someone in my head but its not me.

And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear
And if the band youre in starts playing different tunes
Ill see you on the dark side of the moon

Eclipse

All that you touch
All that you see
All that you taste
All you feel.
All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.
All that you give
All that you deal
All that you buy,
Beg, borrow or steal.
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.
All that you eat
And everyone you meet
All that you slight
And everyone you fight.
All that is now
All that is gone
All thats to come
And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.

Pink Floyd. Ver aqui.

20/01/08

Beethoven no CCB

No âmbito do Ciclo de Piano do Projecto Beethoven 20068 (que nome!), fui ao CCB ouvir Giovanni Bellucci, num grande auditório cheio a metade. A versão para piano feita por Franz Liszt da 5ª Sinfonia de Beethoven é uma peça ambiciosa e de enorme fôlego que mostra a complexidade e riqueza do instrumento, e que requer grande técnica, dedicação e sensibilidade por parte do pianista que entusiasmou a plateia e que lhe retribuiu em palmas e bravos. O resultado é mais Lisztiano do que Beethoveniano, e se dúvidas houvesse a sonata seguinte (Hammerklavier, opus 106, supostamente uma das peças de piano de mais difícil execução) pode confirmá-lo. Gostei bastante do concerto e do pianista, apesar de uma série de crises de tosse que afligiu vários cantos da plateia durante o belíssimo 3º andamento da sonata: “convenientemente“ um adagio sostenuto cheio de momentos de pausas, de algum silêncio e de grande lirismo e delicadeza. Porque não esperaram para tossir pelo mais barulhento andamento seguinte?

23/12/07

Magnificat 11 (fim)

Gloria Patri, et Filio,
Et Spiritui Sanctu
Sicut erat in principio,
Et nunc, et semper,

Et in saecula saeculorum, Amen

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

18/12/07

Magnificat 6

Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Magnificat 5

Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

16/12/07

Magnificat 4

Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI


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