08/05/12

Allons Enfants... 2

Ninguém terá reparado na cor do cabelo dos candidatos presidenciais franceses da segunda volta? 

Confesso algum preconceito em relação a este tipo de opção masculina que é mais forte em relação a quem exerce cargos públicos. Que a verdadeira cor do cabelo das mulheres seja um dos mais sólidos tabus das sociedades modernas, já estou habituada. Que a partir de uma certa idade (cada vez menor) nenhuma mulher se lembre exactamente da cor original do seu cabelo, já estou habituada. Mas ver os dois candidatos a presidentes da França, de cabelo repentinamente escuro, escondendo os brancos que já todos vimos, parece-me uma opção sem nexo. É provavelmente o fruto de uma estudada (não são sempre ‘estudadas’?) manobra de marketing político que, mais uma vez, privilegia a imagem e detrimento do conteúdo (fraco, muito fraco) e que impõe uns códigos sempre no sentido de forçar a nota ‘jovem’, num caso em que a nota ‘sabedoria’ e/ou ‘experiência’ deveriam ser predominantes. Para mim, as cabeças que de repente, e no tempo de uma campanha política, se vêem sem uma branca tornam-se demasiado ‘leves’, perdem em credibilidade. Até senti a falta da normalidade capilar de François Bayrou ou de Jean-Luc Mélonchon, para não ir mais longe no tempo e lembrar a exuberância de Dominique de Villepin.

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